O fogo pode ter entrado na história humana muito antes do imaginado

Por Vanessa Loiola 13 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O fogo pode ter entrado na história humana muito antes do imaginado

Uma das revoluções mais importantes da história humana pode ser muito mais antiga do que os cientistas imaginavam. Evidências encontradas em uma caverna na África do Sul sugerem que ancestrais humanos já utilizavam fogo entre 1,07 milhão e 1,79 milhão de anos atrás, antecipando em até 700 mil anos a cronologia mais aceita para o domínio dessa habilidade.

Os resultados foram publicados na revista PLOS ONE por pesquisadores do Museu Nacional de Ciências Naturais da Espanha e da Universidade de Toronto, no Canadá.

O que os cientistas encontraram

A pesquisa analisou fragmentos de ossos preservados no chamado Estrato 11 da Caverna Wonderwerk, um dos sítios arqueológicos mais importantes para o estudo das origens do fogo.

Utilizando uma técnica baseada em luminescência, os cientistas identificaram sinais de exposição ao calor em restos animais datados entre 1,07 milhão e 1,79 milhão de anos.

O método permite detectar alterações microscópicas provocadas pela combustão. Quando submetidos a uma luz azul intensa, ossos queimados apresentam um comportamento diferente daqueles que nunca foram expostos ao fogo.

Segundo os pesquisadores, uma parcela significativa do material analisado apresentou características compatíveis com episódios de queima.

Localização dos vestígios fortalece hipótese

Grande parte dos vestígios pertence a pequenos animais acumulados em pelotas regurgitadas por aves de rapina. A hipótese proposta pelos autores é que grupos de Homo erectus podem ter aproveitado esses aglomerados como combustível dentro da caverna.

Outro elemento considerado importante é a localização dos restos queimados. Eles foram encontrados cerca de 30 metros para dentro da gruta, uma distância que torna menos provável que incêndios naturais ocorridos do lado de fora tenham sido responsáveis pela combustão.

Além disso, os indícios de fogo aparecem repetidamente em diferentes camadas arqueológicas, sugerindo que o fenômeno não foi um evento isolado. Os pesquisadores acreditam que os hominídeos poderiam ter transportado brasas ou tochas acesas do exterior para o interior da caverna, utilizando o fogo de forma deliberada.

Debate ainda segue em aberto

Apesar dos resultados, a descoberta ainda não encerra a discussão científica. De acordo com o Science Media Centre, especialistas destacaram que os vestígios representam evidências indiretas e que ainda faltam provas mais conclusivas da participação humana na geração das chamas.

Segundo esses pesquisadores, sinais associados a atividades específicas, como cozimento de alimentos ou áreas claramente identificadas como fogueiras, poderiam fortalecer a hipótese.

Por isso, embora os resultados sejam considerados promissores, novas investigações serão necessárias para confirmar definitivamente a interpretação proposta pelo estudo.

A tecnologia que mudou nossa espécie

O domínio do fogo é considerado um dos marcos mais transformadores da evolução humana. Além de fornecer calor e proteção contra predadores, o fogo permitiu cozinhar alimentos, aumentando a quantidade de energia disponível na dieta e facilitando a digestão.

Muitos pesquisadores relacionam essa mudança a transformações biológicas importantes ao longo da evolução, incluindo alterações corporais e o crescimento do cérebro humano.

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