O homem que profissionalizou o mercado da locação de imóveis no Brasil
Antes de ser o maior nome do mercado de locações do Sul do país, Leandro Ibagy é um homem de fé. Foi ela que o sustentou diante da maior provação que um pai pode engfrentar — a perda de um filho, em 2025 — e que o fez compreender que seguir em frente era, mais do que uma escolha, era uma responsabilidade naquele momento.
Pela família, pelos amigos e pelos mais de 200 colaboradores da Ibagy Imóveis, suportou a dor extrema, mante-se sereno e firme e à frente dos negócios que hoje administram 16.542 unidades, consolidando a maior operação de locações de Santa Catarina, a segunda da Região Sul e uma das cinco maiores do Brasil.
Empresário e advogado especializado em Direito Imobiliário, Leandro mede cada palavra e se exressa de forma serena, mas com precisão. A entonação pausada traduz o raciocínio técnico de quem conhece profundamente cada engrenagem da locação de imóveis, que ajudou a estruturar juridicamente no país.
Natural de Florianópolis, torcedor do Figueirense Futebol Clube e jogador de futebol nas horas vagas — dizem, com certa habilidade —, ele poderia ostentar sem exagero o título que o mercado lhe atribui nos bastidores: o senhor do aluguel do Brasil. Mas prefere se guiar pela regra dos quatro “H”, que, segundo ele, deveriam nortear toda liderança: humildade, humor, honestidade e habilidade.
Leandro é considerado uma das principais referências, ão apenas pelo volume de contratos celebrados — 47 mil na última década, sendo 5.280 apenas no último ano —, mas por reunir em uma mesma trajetória excelência empresarial e autoridade jurídica.
Posições estratégicas
Foi justamente essa combinação que o levou a ocupar, por mais de 25 anos, posições estratégicas na Câmara Brasileira de Comércio e Serviços Imobiliários (CBCSI), ligada à Confederação Nacional do Comércio (CNC), onde, como coordenador nacional de locações, se tornou o principal redator técnico da reforma da Lei do Inquilinato que reorganizou o mercado brasileiro a partir de 2009 e inaugurou um novo ciclo de expansão da oferta de imóveis para locação no país.
Embora tenha sido o grande formulador do novo texto legal — praticamente reescrevendo os pontos centrais do projeto original em tramitação no Congresso Nacional —, Leandro sempre relativiza seu protagonismo.
“Foi um trabalho coletivo”, costuma dizer, ainda que, nos bastidores do setor, seja reconhecido como o principal arquiteto da legislação moderna das locações no Brasil.
A solidez jurídica acompanhou uma transformação estrutural do comportamento da sociedade brasileira. O aluguel deixou de ser alternativa provisória e passou a ocupar papel estratégico nas decisões de moradia.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE) mostram que o percentual de imóveis alugados no país praticamente dobrou nas últimas duas décadas, saltando de 12,3% no início dos anos 2000 para cerca de 23% atualmente — movimento que aproxima o Brasil dos padrões observados em economias maduras.
Para 2026, Leandro projeta um mercado ainda aquecido, porém mais técnico e racional. Segundo ele, a demanda segue forte, impulsionada por mobilidade profissional, novos formatos familiares e menor atratividade do financiamento imobiliário em cenários de juros elevados. Ao mesmo tempo, tanto inquilinos quanto proprietários passaram a tomar decisões mais baseadas em dados e rentabilidade real.
“A euforia dos últimos anos dá lugar a um ambiente mais maduro. O inquilino está mais criterioso e o proprietário mais atento ao desempenho do ativo”, diz.
Em Santa Catarina — especialmente na Grande Florianópolis, que inclui municípios como Florianópolis, Palhoça, São José e Biguaçu — o fenômeno é ainda mais intenso. A migração qualificada, impulsionada por polos de tecnologia, segurança e qualidade de vida, pressionou pontualmente a oferta de imóveis para locação.
Valorizção de até 50%
Em bairros mais disputados, os aluguéis registraram valorizações médias próximas de 50% nos últimos três anos, reflexo direto da escassez de imóveis bem localizados, mobiliados ou prontos para ocupação imediata.“Não é um mercado fora de controle. É a velha lei da oferta e da demanda atuando em regiões específicas”, explica.
Para Leandro, o valor do aluguel não é percepção subjetiva, mas resultado de dados objetivos: localização, padrão do imóvel, oferta, demanda e momento econômico. Em um ambiente de total transparência digital, preços fora da realidade simplesmente deixam de encontrar interessados.
A profissionalização do setor elevou o patamar das relações. A imobiliária moderna tornou-se gestora de risco, manutenção, cobrança e equilíbrio contratual. Esse modelo sustenta a operação da Ibagy, que combina tecnologia com presença física estratégica por meio de oito agências na região metropolitana.
O reconhecimento veio tanto do mercado quanto dos colaboradores: Top of Mind em Santa Catarina por quatro anos consecutivos e, por 11 anos seguidos, entre as melhores empresas para se trabalhar no Brasil no segmento imobiliário.
A força da companhia também está na sucessão tratada como estratégia de longevidade empresarial. Aos 58 anos, Leandro lidera a organização ao lado do pai, Ady José Ibagy, de 82 anos, fundador da empresa em 1970 e ainda presente no dia a dia do negócio. A terceira geração já ocupa posição ativa na gestão, representada por Manuella Ibagy, de 30 anos, que impulsiona inovação, tecnologia e novos modelos de relacionamento com clientes.
A convivência entre três gerações transformou-se em diferencial competitivo, mostrando que tradição e modernidade podem caminhar juntas — preservando valores históricos enquanto aceleram crescimento e eficiência.“O mercado imobiliário é um termômetro social. Onde as pessoas querem morar, trabalhar e investir, há movimento. E onde há movimento, há oportunidade — desde que exista gestão responsável”, afirma.
Ao longo de mais de quatro décadas de atuação pessoal ee dos 55 anos de história da empresa, Leandro Ibagy consolidou-se como uma das maiores autoridades nacionais em locação imobiliária. Não apenas pelo volume de contratos administrados, mas por ter ajudado a estruturar o arcabouço jurídico que sustenta o setor moderno no Brasil.
No mercado, o apelido cada vez mais compartilhado entre seus pares, colabores e até mesmo concorrentes, resume esta essa trajetória com precisão: o senhor aluguel.
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