O legado que Oscar Schmidt gostaria de deixar no mundo

Por Layane Serrano 18 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O legado que Oscar Schmidt gostaria de deixar no mundo

“Sem treinamento, não existem vitórias.” Foi com essa convicção, repetida e comprovada ao longo da vida, que Oscar Schmidt construiu um dos legados mais marcantes do esporte brasileiro. O ex-jogador de basquete morreu nesta sexta-feira, 17, deixando um legado que ele mesmo disse que gostaria de deixar em sua última entrevista à EXAME, em junho de 2024.

“O legado que eu gostaria de deixar é o treino. Gostaria que todas as pessoas pudessem entender e valorizar a importância de treinar e se preparar. Sem treinamento, não existem vitórias. Por isso, eu sempre digo: treine muito, mas muito mesmo. E quando estiver bem cansado, treine mais um pouquinho, porque é esse pouquinho que vai fazer a diferença lá na frente”, disse o ex-atleta.

Mais do que recordes ou medalhas, o que o “mão santa” deixa é uma filosofia, que começou a ser moldada ainda na infância, sob a influência de um pai rigoroso, que valorizava hábitos saudáveis, disciplina e comprometimento.

Do futebol, seu primeiro sonho, ao basquete, a mudança veio quase por acaso, impulsionada pela altura e pelo olhar atento de treinadores que enxergaram ali um potencial raro. No clube Vizinhança, em Brasília, encontrou o caminho que mudaria sua vida e também uma frase que carregaria para sempre: “Comece certo, que um dia você poderá acertar muitas”.

A carreira de um atleta de sucesso

A carreira Oscar Schmidt foi construída com a mesma lógica. Aos 14 anos, já disputava sua primeira partida profissional. Aos 16, vestia a camisa da seleção brasileira adulta. O talento era evidente, mas, para ele, nunca suficiente.

“Eu posso te garantir que nos dias de hoje ninguém vai ter o tempo de treinar o tanto que eu treinei”, disse, ao relembrar a rotina de dedicação extrema que o levou ao topo.

No auge, Oscar não apenas venceu, ele mudou o jogo. A vitória histórica sobre os Estados Unidos na final dos Jogos Pan-Americanos de 1987 redefiniu os limites do improvável.

“Depois daquele jogo, eu risquei a palavra impossível do meu vocabulário”, afirmou.

A partida entrou para a história não só pelo resultado, mas pelo impacto: ajudou a provocar a criação do “Dream Team” americano, com nomes como Michael Jordan, Magic Johnson e Larry Bird.

Fora das quadras, enfrentou o maior desafio de sua vida: um câncer no cérebro, diagnosticado em 2011. Foram mais de dez anos de luta até interromper o tratamento, em 2022.

“Foi uma batalha dura, mas que me ensinou muita coisa”, disse. A doença não apenas testou sua resistência, reforçou sua visão sobre o que realmente importa.

Todo jogo tem um fim, mas tem atletas que marcam gerações

Até o fim, Oscar seguiu conectado ao esporte, acompanhando a seleção brasileira e refletindo sobre os desafios estruturais do basquete no país. Sem ilusões, mas sem abrir mão da esperança.

“Algumas coisas são improváveis, mas nada é impossível, principalmente para aqueles que estão bem-preparados”.

Seu legado, no entanto, transcende o basquete. É a defesa de uma ética de trabalho quase radical, aquela que transforma esforço em excelência.

Porque, para Oscar Schmidt, nunca foi sobre ter uma “mão santa”. Ele, inclusive achava o apelido injusto.

“Acho injusto (risos). O ideal seria ‘Mão Treinada’! Mas tenho muito carinho por esse apelido; poucas pessoas têm o privilégio de receber uma homenagem tão marcante quanto essa, então sou muito grato”, disse o ex-jogador, que, nesta sexta, encerra sua partida mais longa, deixando um legado que segue em jogo.

Veja a entrevista completa neste link: Lição de carreira com Oscar Schmidt: "O impossível só se torna realidade se estiver bem-preparado"

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