O leilão de cavalos que ajuda a impulsionar o negócio bilionário da família Batista

Por Layane Serrano 16 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O leilão de cavalos que ajuda a impulsionar o negócio bilionário da família Batista

Goiânia (GO) - Quanto será que vale um cavalo de raça? Em Nazário, interior de Goiás, a família do empresário José Batista Júnior (conhecido como Júnior Friboi e um dos filhos do fundador da JBS), decidiu apostar em um negócio que no Brasil podemos dizer que é algo novo: o leilão de cavalo de raça.

O idealizador do leilão foi o filho Fabrício Batista, que hoje é o atual CEO da gigante JBJ Agropecuária, empresa do agronegócio que foi criado por Batista Júnior em 2012, logo após sair da presidência e do grupo da JBS. Hoje, sua companhia se tornou uma gigante na região Centro-Oeste. Com 14 fazendas, a JBJ Agropecuária faturou no último ano R$ 6 bilhões com diferentes frentes de negócio, como pecuária de corte, melhoramento genético, exportação, e o mais recente leilão de cavalos – mas não é qualquer cavalo.

No centro da foto, Fabrício Batista e o pai José Batista Júnior, CEO e presidente da JBJ Agropecuária (JBJ Ranch e Família Quartista /Divulgação)

A paixão por cavalos que virou um negócio milionário

Em 2020 Fabrício, apaixonado por cavalos, quis fazer dessa paixão pelo animal um negócio.

‘Ele veio com essa ideia de fazer algo com cavalo. Falei: depende, se for só por amor, basta um, agora se quiser fazer disso um negócio, podemos pensar nesse investimento”, diz Júnior Batista, fundador da JBJ Agropecuária.

Foi assim que surgiu em plena a pandemia a JBJ Runch, que com um investimento de R$ 30 milhões realizou o primeiro leilão de cavalos ‘Quarto de Milha’.

Trata-se de um cavalo de raça importado dos Estados Unidos e que é conhecido por sua força e agilidade. ‘Ninguém segura esse cavalo em um quarto de milha, por isso o nome dele’, diz Fabrício.

A primeira edição foi sucesso e desde então essa frente de negócio da JBJ, mesmo representando pouco mais de 10%, já está trazendo lucro, patrocínios e um networking milionário em Goiás, estado que os empresários costumam chamar do “coração do agronegócio brasileiro”.

“Em 2025, em apenas três dias, o leilão faturou R$ 128 milhões, com cavalos variam de preço entre R$ 5 mil a R$ 12 milhões. A expectativa para esse ano é passar dos R$ 150 milhões em três dias de evento”, diz Fabrício que começou o evento nesta sexta-feira, 16, e vai terminar neste domingo, 18.

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A JBJ Ranch realiza neste ano a quinta edição do leilão de cavalos "Quarto de Milha" com decoração western na fazenda modelo da família Batista (JBJ Ranch e Família Quartista /Divulgação)

As novidades da JBJ Ranch deste ano

A JBJ Runch chega em 2026 com a quinta edição do leilão de cavalos ‘Quarto de Milha”. Com decoração western, que lembra o ambiente texano, não faltou da fazenda da JBJ churrasco, desfile dos cavalos e éguas e a moda country marcada pelas botas, chapéu e roupas de couro.

Em falando em moda, neste ano teve um espaço especial chamando “Boulevard”, criado pela Georgia Adriano, empresária e idealizadora do evento, junto com o marido Fabrício.

“Criei esse espaço para as mulheres conhecerem roupas e marcas diferentes. Estou vendo um movimento do estilo western ganhando espaço no mercado e dando voz e estilo para mulheres dentro e fora do agro, diz Adriano.

Entre as marcas presentes está a Patrícia Viera, empresária carioca muito conhecida do ramo da moda por suas roupas de couro, inclusive no São Paulo e Rio Fashion Week.

Marcas também marcaram o evento com patrocínio. Segundo Fabrício, cerca de 40 marcas patrocinaram o evento, entre elas BYD, Seara e alguns bancos como Santander e Bradesco.

Georgia Adriano, empresária e idealizadora do evento JBJ Ranch: "Estou vendo um movimento do estilo western ganhando espaço no mercado e dando voz e estilo para mulheres dentro e fora do agro" (JBJ Ranch e Família Quartista /Divulgação)

As atrações deste ano

O leilão de cavalos da JBJ Ranch deste ano começou com o cantor Gusttavo Lima vendendo uma égua por R$ 1,1 milhão. O valor ele doou para o Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora).

“Toda a renda desse animal será revertida ao Cora, que a gente participou desde a fundação até a entrega”, disse o cantor. O valor da potra de 1 anos e 8 meses será pago em parcelas de R$ 20 mil.

Uma curiosidade do leilão do cavalo é que nem sempre ele é vendido por inteiro. Na noite desta sexta-feira, por exemplo, um cavalo teve 50% da propriedade vendida por mais de R$ 12 milhões. “É como se fossem ações, é possível comprar uma parte do cavalo e depois dividir os lucros”.

Além de Gusttavo Lima, apareceram no primeiro dia de leilão o empresário Roberto Justos, o cantor Amado Batista, a cantora Naiara Azevedo e o piloto Alexandre Funari Negrão. O evento também contará com shows de cantores sertanejos, como Hugo & Guilherme, Paula Fernandes e Maiara & Maraisa.

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Cantor Gusttavo Lima leiloando uma égua de raça durante o JBJ Ranch. Além de artista, evento contou com cerca de 40 patrocinadores (JBJ Ranch e Família Quartista /Divulgação)

O investimento nos Estados Unidos e no laboratório genético

O negócio que está atraindo patrocinadores e artistas, está movimentando o mercado de cavalos do Brasil. Hoje, a JBJ Ranch realizada o segundo maior leilão de cavalos “Quarto de Milha” do mundo. O primeiro lugar ainda está com o Estados Unidos, mas segundo Fabrício, é por uma questão de tempo.

O empresário investiu no ano passado em um rancho no Pilot Point, no Texas (EUA), considerado o principal polo global da raça Quarto de Milha. A ideia é fazer do Brasil um dos maiores mercados de cavalo de raça para o mundo, junto com os Estados Unidos. E para isso, estão investindo em genética animal.

Desde 2021, entre um dos seus negócios, a JBJ investe em um laboratório que desenvolve cavalos com a mesma genética dos garanhões que se destacaram em corridas.  A ideia é aproximar a operação das principais centrais genéticas do mundo e fortalecer a presença da marca no mercado americano.

“Você está no berço do quarto de milha. Ali estão os melhores animais e as melhores genéticas”, afirma Fabrício.

A infraestrutura de laboratório genético e reprodução avançada para trabalhar com embriões e sêmen de grandes campeões mundiais está instalada em Goiás, na fazenda onde é realizada o leilão da JBJ Ranch, segundo Rodrigo Terra, diretor financeiro da JBJ Agropecuária.

“O grupo JBJ possui dois núcleos de genética no local: um voltado ao cavalo quarto de milha e outro ao Nelore P.O. (Puro de Origem), focado em melhoramento genético bovino”, afirma.

Hoje, a divisão de cavalos e genética representa um pouco mais de 10% do faturamento do grupo, o equivalente a cerca de R$ 600 milhões. O grande negócio da JBJ é a pecuária.

Há também uma diferença na profissionalização da gestão entre gado e o cavalo. O diretor financeiro explica que enquanto o gado comercial opera em escala, os cavalos recebem acompanhamento individualizado.

“No cavalo, nós temos até um centro de custo para cada animal. Desde a hora que ele nasce, você acompanha todos os custos até o leilão”, diz Terra.

O grupo brasileiro também já promove eventos nos Estados Unidos com criadores internacionais de cavalos. Em um deles, realizado no ano passado, a JBJ levou até show sertanejo para apresentar “o jeito brasileiro” aos americanos.

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A expectativa da JBJ Agropecuária: chegar aos R$ 10 bilhões

A JBJ atua em todas as etapas da cadeia pecuária: cria, recria e engorda. O grupo também mantém confinamentos e compra animais de terceiros para complementar a operação.

A expectativa para 2026 é terminar quase 500 mil cabeças de gado nos confinamentos.

Além da pecuária, o grupo possui a Prima Foods, braço industrial da companhia. Hoje, três frigoríficos operam entre 2 mil e 2,5 mil abates por dia. Em 2025, a empresa abateu 510 mil cabeças e projeta chegar a 620 mil em 2026.

A exportação é um dos pilares do negócio. Cerca de 70% da produção da Prima Foods é destinada ao mercado externo e aproximadamente metade desse volume segue para a China.

“Apesar de todas as dificuldades, o Brasil consegue produzir e se manter bem no cenário mundial na produção de commodities”, diz Terra.

Mesmo após a rápida expansão, a companhia afirma que ainda há espaço para crescer organicamente, especialmente na indústria frigorífica e nas operações de genética.

Ao mesmo tempo, a JBJ segue avaliando aquisições. O grupo chegou a fazer uma oferta pela Fazenda Conforto e aguarda análise do Cade sobre a operação.

Com cerca de 4.500 funcionários somando todas as operações, incluindo agropecuária, frigorífico, varejo e empreendimentos imobiliários, a companhia aposta em gestão e controle para continuar crescendo e sair dos R$ 6 bilhões para R$ 10 bilhões em 2027.

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