O outono de Milei: líder argentino tem meses difíceis mas perspectiva de melhora
A inflação sobe, a popularidade cai. Essa regra, quase global na política, é ainda mais forte na Argentina. Em um país marcado por hiperinflações, ver o indicador voltar a subir gera temores. Em março, a taxa mensal ficou em 3,4%, o dobro do mesmo período do ano anterior. Coincidência ou não, a aprovação de Milei caiu para 38%.
“A queda é mais acentuada na Grande Buenos Aires, onde se concentra a indústria e o consumo, pois é onde vive a maior parte da população. Há melhor situação em outras províncias”, diz o cientista político Juan Carranza, da consultoria Aurora Macro Strategies.
A economia argentina vive uma transição, que beneficia alguns setores e desafia outros. O governo mantém o peso valorizado em relação ao dólar, o que barateia importações, mas complica a indústria e o varejo local. Assim, a atividade econômica caiu 2,1% em fevereiro, na comparação anual, em meio a um aumento do desemprego, que fechou 2025 em 7,5%. No último verão, Milei aprovou uma reforma trabalhista que reduziu direitos, depois de ter uma vitória ampla nas eleições de meio de mandato, em outubro.
Ao passo que a pressão pública sobre mudanças se acalmou, outra crise ganhou força. Manuel Adorni, chefe de gabinete de Milei, é investigado por enriquecimento ilícito e por ter feito negócios pouco usuais, como a compra de um apartamento por um preço muito baixo. O presidente ficou ao lado dele e passou a atacar ainda mais a imprensa, embora tenha feito campanha prometendo combater a corrupção.
Apesar da temporada difícil, Milei poderá ter boas notícias nos próximos meses. “As forças do céu parecem estar apoiando Milei. O clima está ajudando a agricultura e o setor energético. Devemos ter um inverno menos rigoroso, e a Argentina precisará importar menos gás”, aponta Carranza.
Ao mesmo tempo, a alta global do petróleo deve aumentar a arrecadação com royalties, especialmente das províncias, e ajudar a atrair divisas. O Fundo Monetário Internacional segue elogiando a Argentina e liberou mais 1 bilhão de dólares em abril. Assim, há boas chances de que o inverno seja agradável na Casa Rosada.
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