O plano da chinesa GAC no Brasil envolve US$ 1,3 bilhão e fábrica de 50 mil carros por ano
A montadora chinesa GAC anunciou nesta quarta-feira, 18, um acordo com a brasileira HPE Automotores para iniciar a produção de veículos no Brasil a partir de 2027, em Catalão, Goiás. A capacidade prevista é de até 50 mil unidades por ano e faz parte do plano de investimento de US$ 1,3 bilhão até 2030.
“A produção local no Brasil representa um passo importante na nossa estratégia global e reforça nossa confiança no potencial do setor industrial brasileiro”, afirmou Lu Guojie, vice-presidente da GAC International.
O movimento marca uma virada na estratégia da empresa no Brasil. Depois de chegar com carros importados e abrir 50 concessionárias, a GAC passa a combinar tecnologia própria com uma operação local já estabelecida.
“A parceria com a GAC abre um novo capítulo da nossa história e traz benefícios para a indústria brasileira, em especial para a região de Catalão”, afirmou Mauro Correia, CEO da HPE Automotores.
A produção deve acontecer na fábrica da HPE em Catalão, Goiás, hoje com capacidade ociosa, o que encurta prazos e reduz investimentos. A empresa atua no Brasil há mais de duas décadas e consolidou sua operação com Mitsubishi e Suzuki.
A proposta da GAC é produzir no Brasil veículos a combustão, híbridos e elétricos, com uma linha completa.
Da China para o Brasil
O plano já estava sendo desenhado há alguns meses. N quente e úmida Guangzhou, no sul da China, o presidente da GAC International, Wei Haigang, disse à EXAME em outubro do ano passado que o Brasil era prioridade na expansão global da companhia.
A empresa divide sua operação internacional em cinco regiões e trata a América Latina como uma das principais. Dentro desse mapa, o Brasil ocupa o centro.
“Nossa expansão segue três etapas. Primeiro o produto, depois a produção local e, por fim, a construção da marca", diz Haigang.
O tamanho da operação ajuda a explicar a escolha. A GAC é hoje a sexta maior montadora da China, com presença em mais de 100 países.
O grupo reúne marcas próprias como GAC, Aion e Hyptec e mantém joint ventures com Toyota e Honda na China. No Brasil, a estratégia é consolidar todo o portfólio sob a marca GAC.
Emprega mais de 100 mil pessoas e, em 2024, produziu 1,9 milhão de veículos, com vendas próximas de 2 milhões de unidades, incluindo 455 mil modelos de novas energias. No consolidado, a operação já supera 2,5 milhões de veículos por ano.
A companhia já investiu cerca de 50 bilhões de yuans em pesquisa e desenvolvimento, cerca de R$ 35 bilhões, e acumula cerca de 19 mil patentes.
A estratégia global combina exportação com produção em mercados-chave, modelo já aplicado em países como Malásia e Tailândia.
1/11 Montadora da GAC Group na China. Fabrica de carros eletricos da Aion na cidade de Guangzhou - China Foto: Leandro Fonseca Data: outubro 2025 (_MG_8339)
2/11 Montadora da GAC Group na China. Fabrica de carros eletricos da Aion na cidade de Guangzhou - China Foto: Leandro Fonseca Data: outubro 2025 (_MG_8328)
3/11 Montadora da GAC Group na China. Fabrica de carros eletricos da Aion na cidade de Guangzhou - China Foto: Leandro Fonseca Data: outubro 2025 (_MG_8325)
4/11 Montadora da GAC Group na China. Fabrica de carros eletricos da Aion na cidade de Guangzhou - China Foto: Leandro Fonseca Data: outubro 2025 (_MG_8323)
5/11 Montadora da GAC Group na China. Fabrica de carros eletricos da Aion na cidade de Guangzhou, na China (_MG_8307)
6/11 Isabela Rovaroto, reporter exame em entrevista na china na fabrica da GAC Motors (Foto: Leandro FonsecaData: outubro 2025)
7/11 HAIGANG WEI = GAC MOTOR Foto: Leandro Fonseca Data: outubro 2025 (HAIGANG WEI = GAC MOTORFoto: Leandro FonsecaData: outubro 2025)
8/11 Montadora da GAC Group na China. Fabrica de carros eletricos na cidade de Guangzhou - China Foto: Leandro Fonseca Data: outubro 2025 (IMG_8348)
9/11 Montadora da GAC Group na China. Fabrica de carros eletricos na cidade de Guangzhou - China Foto: Leandro Fonseca Data: outubro 2025 (IMG_8367)
10/11 Sede da Montadora da GAC Group na China. Fabrica de carros eletricos na cidade de Guangzhou - China Foto: Leandro Fonseca Data: outubro 2025 (IMG_8366)
11/11 Carro voador na Sede da Montadora da GAC Group na China. Fabrica de carros eletricos na cidade de Guangzhou - China Foto: Leandro Fonseca Data: outubro 2025 (IMG_8368)
O tamanho da aposta
A operação brasileira começou em 2025, com a introdução dos primeiros modelos e a estruturação da rede comercial.
Desde então, a GAC já investiu mais de US$ 20 milhões na estrutura comercial, homologação de veículos e rede de pós-venda.
No plano completo, a empresa prevê investir US$ 1,3 bilhão no Brasil ao longo dos próximos anos. O pacote inclui produção, centro de pesquisa e engenharia, desenvolvimento de produtos e expansão da rede de concessionárias.
Parte desse investimento deve ser direcionada ao desenvolvimento da cadeia local de fornecedores, com avanço gradual da nacionalização da produção.
A operação local já começou a ganhar corpo antes mesmo da fábrica. A empresa montou uma equipe de P&D no Brasil para adaptar os veículos ao mercado e estruturou a logística de peças com um centro em Cajamar, em São Paulo.
“O Brasil reúne condições para se tornar um dos principais polos de mobilidade do mundo”, diz Alex Zhou, CEO da GAC Brasil.
A GAC também lançou cinco modelos no país, iniciou a expansão da rede de concessionárias e firmou parcerias com o Inmetro para homologação e certificação.
No campo tecnológico, a empresa fechou acordos com universidades como UFSC, UFSM e Unicamp para desenvolvimento de soluções automotivas.
Oportunidades e desafios no mercado brasileiro
A GAC não chega sozinha. Outras montadoras chinesas avançaram antes e já operam com mais escala no Brasil.
A BYD assumiu a antiga fábrica da Ford na Bahia e acelera a produção local, enquanto a GWA prepara a operação em São Paulo.
A GAC aposta que consegue espaço combinando produção, portfólio diversificado e adaptação tecnológica ao mercado brasileiro.
Se a estratégia parece bem definida, a execução passa por um ambiente conhecido por travar projetos industriais.
“O Brasil não é um mercado fácil de entrar. O sistema tributário é complexo e exige adaptação constante”, diz Haigang.
Ao mesmo tempo, o executivo vê potencial de longo prazo. “O Brasil é um país com influência sobre os mercados ao redor. Ele tem capacidade de irradiar inovação e energia para outros continentes.”
Ao fechar o acordo, a GAC sinaliza que pretende operar no país no longo prazo, e não apenas como base de importação. Produzir localmente muda o posicionamento da empresa, reduz custos, melhora a competitividade e abre espaço para exportação na América Latina.
Para o setor, o movimento reforça uma mudança mais ampla. As montadoras chinesas não querem apenas vender no país. Querem produzir, desenvolver tecnologia e disputar mercado de forma estrutural.
Assista ao novo episódio do Choque de Gestão
Se você é empreendedor e gostaria de receber uma mentoria gratuita de um grande empresário brasileiro, inscreva-se no Choque de Gestão.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: