O plano da marca de azeite mais premiada do Brasil para dobrar de tamanho e faturar R$ 12 milhões

Por Daniel Giussani 21 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O plano da marca de azeite mais premiada do Brasil para dobrar de tamanho e faturar R$ 12 milhões

PORTO ALEGRE (RS) - Em 2013, quando extraiu o primeiro lote de azeite, a gaúcha Prosperato, de Caçapava do Sul, uma cidade no centro do Estado com 33 mil habitantes, dividia o mercado brasileiro com uma única outra marca, de um município vizinho.

À época, o negócio da família Marchetti era vender mudas de plantas. Entre elas, a oliveira. No início, porém, era tão complicado achar comprador que Rafael e seu pai, Eudes, decidiram produzir azeite para mostrar o valor do produto.

Treze anos e 330 prêmios depois, a empresa se tornou a marca de azeite de oliva mais premiada do Brasil — e quer dobrar de tamanho com um plano que passa, em boa parte, por azeite que ela não produz.

A Prosperato acaba de lançar a linha global, com quatro blends, misturas de azeites de diferentes origens, assinados por Marchetti e produzidos com azeitonas do Chile e da Espanha.

Eles irão complementar a oferta nacional. A empresa colheu cerca de 400 toneladas de azeitona na safra deste ano, o que rendeu próximo de 54 mil litros de azeite — mais que o dobro dos 25 mil litros do ano anterior.

Em paralelo, importou 78 mil litros em 2025 e projeta chegar a 100 mil neste ano, com a linha global.

A meta é encerrar 2026 com faturamento de 12 milhões de reais, o dobro do ano passado.

O movimento responde a uma equação que a empresa vinha tentando resolver havia anos. A produção própria, limitada pela escala da olivicultura brasileira e por safras irregulares nos últimos dois anos, não dava conforto para crescer no varejo sem o risco de faltar produto.

A linha importada resolve o gargalo sem deslocar a operação gaúcha, e chega ao mercado num momento em que o acordo entre Mercosul e União Europeia, em fase final de tramitação, deve reduzir custos de importação e atrair novos players.

"A gente sempre andou com muita cautela. Nosso foco em alguns anos foi não deixar faltar azeite", diz Marchetti. "Com essa última safra que foi muito boa, mais a entrada dos global, a gente já consegue ir para o mercado com menos medo de oferecer e a garantia que vamos entregar."

Para os próximos anos, a expectativa é manter crescimento entre 15% e 20% ao ano. O plano envolve abertura de lojas próprias, reforço no e-commerce e ampliação no varejo físico.

A empresa também investe cerca de 2 milhões de reais em uma nova área de envase em Caçapava do Sul, município vizinho, com 650 metros quadrados e novos equipamentos.

Qual é a história da Prosperato

A Prosperato nasceu como um negócio de mudas. O pai de Marchetti produzia plantas de impacto florestal havia décadas quando, por volta de 2011, decidiu diversificar.

A oliveira era uma aposta — naquele momento, o cultivo comercial de azeite no Brasil ainda engatinhava, concentrado em praticamente uma ou duas cidades gaúchas onde o frio do inverno se aproximava do clima mediterrâneo.

"A gente estava querendo oferecer as mudas, mas as pessoas sequer sabiam para que produzia", afirma Marchetti, que entrou no negócio justamente naquele ano. A solução foi plantar as próprias oliveiras, mostrar que era viável e, em 2013, extrair o primeiro azeite da casa.

De lá para cá, a olivicultura brasileira cresceu. Hoje, há mais de 100 marcas produzindo azeite no país, a maior parte no Rio Grande do Sul.

A Prosperato seguiu vendendo mudas — mantém um viveiro próprio e atende produtores em qualquer escala —, mas o foco migrou para o campo e para a marca.

Qual é a estratégia de vendas hoje

A principal porta de saída do azeite da Prosperato é uma loja física de 50 metros quadrados, instalada ao lado do lagar, equipamento onde a azeitona é prensada para extração do azeite, em Caçapava do Sul.

"As pessoas gostam de ir lá, provar, dizer que compraram no metro zero, no lado da indústria", diz Marchetti.

O e-commerce, lançado em 2014, atende todo o Brasil. No varejo físico fora do Rio Grande do Sul, a marca está em lojas especializadas como a Casa Santa Luzia, em São Paulo, e a Zona Sul, no Rio de Janeiro.

O ritmo de expansão, segundo Marchetti, sempre foi calibrado pelo receio de prometer mais do que a safra seguinte daria conta de entregar.

A nova aposta

A escolha por trazer azeite do Chile e da Espanha veio de uma constatação prática. A escala da produção gaúcha não permite preços competitivos com olivais europeus e sul-americanos maiores — e a Prosperato queria atender consumidores que buscavam um preço de entrada mais acessível.

A garrafa de 250 mililitros do azeite produzido pela empresa custa 55 reais no e-commerce. A versão equivalente da linha Global chega por 45 reais.

"Se queremos atingir mais pessoas, não teríamos como imaginar que seria mais caro do que o nosso", diz Marchetti. "Precisamos equalizar, ter qualidade e preço competitivo."

A linha foi dividida em duas frentes: a Mediterrânea, que começa com a Espanha mas pode incorporar produtores de Itália e Portugal, e a Sudamericana, que estreia com Chile e tem Uruguai e Argentina no radar.

Marchetti viajou pessoalmente aos países para selecionar lotes, montar os blends e fechar as parcerias.

A importação é feita a granel, em contêineres refrigerados — um custo extra que, segundo o empresário, preserva a qualidade do produto até o envase no Brasil.

O azeite chega em tanques de mil litros e é engarrafado em embalagens que vão de miniaturas a latas de cinco litros.

O movimento da Prosperato acontece num momento de virada no mercado global. Há dois anos, a Espanha — responsável por cerca de metade da produção mundial de azeite — atravessou duas safras ruins consecutivas. O estoque global despencou, os preços dispararam, e o Brasil, que vinha de uma safra boa, recebeu pedidos de compradores do mundo inteiro.

"A Espanha agora voltou a produzir bem, recuperaram mesmo. Tiveram excelente safra, voltaram a ter volume", afirma Marchetti.

A normalização da oferta europeia, somada ao avanço do acordo Mercosul-União Europeia, deve baixar o custo do azeite importado no Brasil nos próximos anos.

Para a Prosperato, é uma janela. O Brasil consome perto de 100 milhões de litros de azeite por ano, e a empresa enxerga espaço para crescer mesmo num mercado que tende a ficar mais competitivo.

"No dia que tivermos um milhão de litros, só temos 1% de mercado, é uma coisa muito gigante", diz Marchetti.

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