O plano dessa empresa mineira para criar um negócio de R$ 100 milhões vendendo chocolates
Por décadas, o chocolate foi tratado como commodity. Preço baixo, produção em massa e pouco espaço para diferenciação no mercado. Nos últimos anos, no entanto, esse modelo massivo de produção começou a ser questionado por consumidores mais atentos a ingredientes, origem e impacto ambiental.
Foi dessa janela de oportunidade que nasceu a Haoma, marca de chocolates brasileira criada em 2017, em Minas Gerais, com o propósito, pouco comum na indústria, de não terceirizar nenhuma etapa do processo produtivo.
Pelo contrário. A Haoma optou por controlar toda a cadeia, da semente cultivada à barra consumida, apostando em um modelo de negócio conhecido, no jargão do setor, como bean to bar. Na prática, isso significa que, em vez de terceirizar operações para baratear custos e ganhar tração, a Haoma trouxe o processo para dentro de casa.
O modelo permite trabalhar com cacau de origem identificada, ter um controle criterioso de cada etapa, garantir rastreabilidade e desenvolver produtos fora do padrão predominante na indústria – atributos que, para um novo perfil de consumidor, são extremamente valiosos.
Marca mineira controla da semente à barra e projeta 100 lojas até 2028 (Juliano Arantes)
Uma produção desse tipo, contudo, tem suas peculiaridades. A estrutura pode aumentar o prazo de retorno, reduzir a velocidade de expansão e tornar o crescimento mais gradual. A Haoma não vê problemas nisso. “Mais do que crescer rápido, nosso foco é crescer bem”, afirma Sérgio Bruno, empresário e sócio da Haoma.
Segundo Sérgio, mesmo com um modelo quase artesanal, a empresa tem potencial para alcançar patamares financeiros não muito distantes aos da produção industrial.
Para 2026, a Haoma projeta faturamento de R$ 100 milhões. Além disso, a empresa, que encerrou 2025 com 16 lojas próprias e três cafés, planeja novas aberturas em Brasília, Goiânia e São Paulo. A meta é chegar a 100 lojas próprias até 2028.
“A escolha pelo bean to bar nunca foi só sobre chocolate. Foi sobre controle, propósito e visão de longo prazo”, defende o executivo. “Não dependemos de intermediários para ditar padrões. Nós criamos os nossos. E isso é um diferencial.”
Um mercado que amadurece
Sérgio reconhece que o avanço do modelo bean to bar não significa o enfraquecimento do chocolate industrializado. Mas, assim como ocorreu com cafés e vinhos especiais, produtos de maior qualidade tendem a consolidar um espaço próprio, impulsionados por consumidores mais atentos à composição, à origem e ao impacto do que consomem.
Esse movimento revela um público com paladar mais apurado e maior disposição para pagar por diferenciação. “O consumidor compra uma expectativa de chocolate, mas se frustra quando recebe algo construído sem o cacau como protagonista”, afirma o empresário.
“Nosso foco é crescer bem”, diz Sérgio Bruno sobre a expansão da Haoma (Reprodução/Haoma)
Nesse contexto, o Brasil desponta como um dos países com maior potencial para avançar no mercado global de chocolates premium sustentáveis.
O empresário acredita que o desafio não está na produção da matéria-prima, mas na capacidade de transformar origem em valor agregado, deslocando o país da posição de exportador de insumos para a de exportador de marcas.
Para Sérgio, o futuro do chocolate passa pela consolidação de marcas premium, com identidade clara, controle de origem e proposta consistente, capazes de vender menos volume, cobrar mais por produto e preservar rentabilidade.
Em um mercado que começa a valorizar qualidade acima de preço, a diferenciação se torna a principal alavanca do crescimento. “É aí que mora a margem, a recorrência e o crescimento sustentável”, afirma.
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