O que a China está criando além dos carros elétricos
A liderança da China no mercado de veículos elétricos provou a capacidade do país de transformar indústrias inteiras em tempo recorde. Porém, a nova fase de inovação do país vai muito além do setor automotivo.
Universidades, startups e empresas avançam em áreas menos conhecidas, que vão da economia de baixa altitude às interfaces cérebro-computador.
Parte dessas tecnologias já começa a chegar ao mercado, enquanto outras ainda estão em fase de testes, mas já influenciam setores como mobilidade, saúde, indústria e comunicação da nova geração tecnológica.
A seguir, cinco tecnologias emergentes que vêm ganhando espaço na China.
1. Economia de baixa altitude
Enquanto boa parte do mundo ainda associa drones a entregas pontuais ou filmagens aéreas, a China tenta transformar o espaço aéreo de baixa altitude em uma nova frente de crescimento econômico. Segundo estimativas da Administração de Aviação Civil da China, a economia de baixa altitude movimentou cerca de 1,5 trilhão de yuans em 2025 e pode ultrapassar 3,5 trilhões de yuans até 2035
A estratégia reúne atividades realizadas geralmente abaixo de mil metros de altitude, incluindo drones de logística, monitoramento agrícola, inspeção de infraestrutura, resposta a emergências e futuras aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), frequentemente chamadas de táxis aéreos.
Em 2024, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) criou um departamento dedicado à economia de baixa altitude. Já em 2026, o segmento foi elevado à categoria de cluster industrial emergente estratégico no 15º Plano Quinquenal (2026-2030), ao lado de áreas como semicondutores, biomedicina e robôs inteligentes.
2. Interfaces cérebro-computador
A China tornou-se o primeiro país a autorizar a comercialização de uma interface cérebro-computador implantável para uso médico. O dispositivo, chamado Neural Electronic Opportunity (NEO), permite que pacientes com paralisia grave controlem equipamentos externos por meio da atividade cerebral e representa um novo passo para uma tecnologia que até então permanecia restrita a laboratórios e ensaios clínicos.
As interfaces cérebro-computador criam uma conexão direta entre o cérebro e dispositivos eletrônicos. Os sinais neurais captados pelo sistema são convertidos em comandos para computadores, próteses, cadeiras de rodas e outros equipamentos. Atualmente, as principais aplicações estão concentradas na reabilitação de pacientes que perderam movimentos em decorrência de lesões na medula, doenças neurodegenerativas ou acidentes vasculares cerebrais.
3. Chips em fibra e eletrônica vestível
Diferentemente dos chips convencionais, fabricados em superfícies rígidas, pesquisadores da Universidade Fudan desenvolveram um dispositivo em formato de fibra têxtil, fino como um fio de cabelo, que pode ser incorporado diretamente a tecidos sem perder capacidade de processamento.
O avanço se insere no campo da eletrônica vestível, área que busca integrar sensores e sistemas computacionais a roupas e outros materiais flexíveis.
Além do vestuário, os pesquisadores indicam aplicações em dispositivos médicos implantáveis e futuras interfaces cérebro-computador, onde a flexibilidade dos materiais é essencial para se adaptar ao corpo humano.
4. Sol artificial
Conhecida como uma das apostas para a próxima geração de energia limpa, a fusão nuclear busca reproduzir na Terra o mesmo processo que ocorre no Sol. Na China, o Experimental Advanced Superconducting Tokamak (EAST), apelidado de "sol artificial", tem sido um dos principais projetos dessa área.
Em janeiro de 2025, o reator chinês estabeleceu um recorde mundial ao manter plasma em estado de confinamento de alta eficiência por 1.066 segundos, superando a marca anterior de 403 segundos registrada pelo próprio equipamento. A descoberta representa mais um passo na corrida global para transformar a fusão em uma fonte de energia do futuro, com potencial de gerar grandes quantidades de energia com baixas emissões de carbono.
5. Trens de levitação magnética
Os trens de levitação magnética, conhecidos como maglev, utilizam campos magnéticos para eliminar o contato com os trilhos, reduzindo o atrito e permitindo velocidades muito superiores às dos sistemas ferroviários convencionais.
Em dezembro de 2025, pesquisadores chineses aceleraram um veículo experimental de uma tonelada a 700 km/h em apenas dois segundos em uma pista de testes de 400 metros, estabelecendo um novo recorde mundial para sistemas de levitação magnética supercondutora.
Segundo os pesquisadores, o experimento envolveu desafios como propulsão eletromagnética de alta velocidade, controle de levitação e armazenamento de energia de alta potência. O resultado contribui para pesquisas sobre sistemas de transporte ultrarrápido e conceitos de deslocamento em tubos de baixa pressão
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