O que causa as ondas de calor da menopausa? O cérebro pode ter a resposta

Por Vanessa Loiola 31 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O que causa as ondas de calor da menopausa? O cérebro pode ter a resposta

As ondas de calor são um dos sintomas mais conhecidos da menopausa, mas pesquisadores ainda tentam entender por que algumas mulheres sofrem intensamente com o problema enquanto outras praticamente não sentem nada.

Os chamados fogachos costumam surgir de forma repentina, com sensação intensa de calor, suor e vermelhidão na pele. Em muitos casos, os episódios duram entre um e cinco minutos.

O que provoca as ondas de calor?

Em entrevista à Popular Science, a ginecologista Monica Christmas, do University of Chicago Medicine, explicou que a menopausa altera o funcionamento do hipotálamo, região do cérebro responsável por regular a temperatura corporal.

Com a queda dos níveis de estrogênio, o organismo passa a reagir de forma exagerada até mesmo a pequenas mudanças de temperatura.

O corpo interpreta a situação como se estivesse superaquecendo e ativa mecanismos para tentar se resfriar. Os vasos sanguíneos se dilatam e o suor aumenta rapidamente, provocando a sensação intensa de calor.

A experiência é descrita por muitas mulheres como uma onda que sobe do peito até o rosto, acompanhada de suor repentino. Segundo American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), cerca de quatro em cada cinco mulheres enfrentam ondas de calor durante a transição para a menopausa.

Segundo Christmas, os sintomas podem surgir ainda na perimenopausa — fase de transição hormonal que antecede a menopausa — e continuar por anos após a última menstruação.

Os episódios também variam bastante em intensidade e frequência. Algumas mulheres têm sintomas leves, enquanto outras convivem com crises frequentes durante anos.

O papel de neurotransmissores

Durante décadas, os cientistas acreditavam que os sintomas estavam ligados apenas à redução do estrogênio. Pesquisas mais recentes, publicado na revista científica National Library of Medicine, porém, apontam que neurotransmissores cerebrais também têm papel importante no processo.

Segundo os especialistas, células nervosas chamadas neurônios KNDy tornam-se hiperativas durante a menopausa e passam a liberar neurotransmissores ligados ao controle da temperatura corporal. Essas substâncias químicas alteram o funcionamento do “termostato” do cérebro, fazendo o organismo interpretar pequenas variações de temperatura como sinais de superaquecimento.

Como resposta, o corpo ativa mecanismos para tentar se resfriar rapidamente, como dilatação dos vasos sanguíneos e aumento da transpiração — o que provoca as ondas repentinas de calor.

A descoberta ajudou no desenvolvimento de novos medicamentos voltados especificamente para os fogachos da menopausa.

Tratamentos vão além da terapia hormonal

A terapia hormonal com estrogênio ainda é uma das principais formas de tratamento, mas nem todas as mulheres podem utilizá-la.

Nos últimos anos, novos remédios passaram a agir diretamente nos receptores cerebrais ligados à regulação térmica. Especialistas também apontam que fatores como estresse, álcool, cafeína e alimentos ultraprocessados podem aumentar os sintomas.

Segundo a ginecologista, além dos medicamentos, terapias comportamentais, hipnose e técnicas de redução do estresse também demonstraram potencial para aliviar os episódios.

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