O que está movendo o ouro após a decisão do Fed e a trégua no Irã
O ouro voltou a oscilar nesta quinta-feira, 18, à medida que investidores recalibram os riscos geopolíticos e a trajetória dos juros americanos. Por volta das 8h30 (horário de Brasília), o preço do metal à vista caía 0,24%, a US$ 4.247,78 por onça, e o futuro para agosto recuava 2,61%, a US$ 4.266,97.
O metal chegou a ensaiar uma recuperação após a queda de 1,7% registrada na sessão anterior, mas encontrou dificuldades para avançar de forma consistente, segundo informações da Reuters.
Depois de atingir níveis recordes durante a escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã, o ativo passou a enfrentar um ambiente menos favorável com o avanço das negociações de paz e a sinalização de que o Federal Reserve (Fed) ainda não encerrou seu ciclo de aperto monetário.
A mudança de humor dos investidores começou após Washington e Teerã firmarem um acordo provisório para encerrar o conflito que vinha ameaçando uma das principais rotas energéticas do mundo, o Estreito de Ormuz. Mas o alívio geopolítico não é o único fator no radar do mercado.
Fed mantém os juros nos EUA
Se a guerra ajudou a sustentar o ouro ao longo dos últimos meses, a política monetária americana voltou a ser o principal obstáculo para novas altas. A probabilidade de um aumento de juros em dezembro já supera 80%, conforme dados da ferramenta CME FedWatch.
Na quarta-feira, 17, o Fed manteve os juros inalterados, mas reforçou a mensagem de que ainda vê riscos inflacionários relevantes na economia dos EUA. A avaliação foi suficiente para aumentar as apostas de uma nova elevação das taxas até o fim do ano.
Como o metal não gera rendimento, ele tende a perder competitividade quando os retornos oferecidos por títulos públicos e outros ativos de renda fixa ficam mais elevados, na avaliação de fontes consultadas pela Reuters.
Além disso, o dólar ganhou força frente às principais moedas globais e, como o ouro é cotado na moeda americana, comprar o metal se tornou mais caro para investidores que operam fora dos EUA.
Compras de BCs sustentam preços
Apesar da pressão vinda dos juros, o mercado não vê espaço para uma correção abrupta do ouro no curto prazo. O ANZ ressaltou, em nota divulgada pela imprensa internacional, que "a demanda por investimentos (em ouro) está fraca, com saídas de fundos negociados em bolsa e menor exposição ao ouro."
Por outro lado, vê que as compras realizadas por bancos centrais e a demanda física chinesa continuam funcionando como uma espécie de piso para as cotações. Esse suporte ajuda a explicar por que o ouro continua negociado em patamares historicamente elevados mesmo após a redução dos conflitos no Oriente Médio.
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