O que se sabe sobre o vírus mortal que pode ter causado surto em cruzeiro
Um surto de hantavírus a bordo do navio MV Hondius colocou autoridades internacionais em alerta após a confirmação de mortes e casos suspeitos entre passageiros durante a travessia no Atlântico.
A embarcação, operada pela Oceanwide Expeditions, fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde, mas permanece sem autorização para atracar enquanto busca um porto seguro.
A Organização Mundial da Saúde informou que trabalha com autoridades da Espanha para que o navio siga até as Ilhas Canárias, onde poderia passar por investigação epidemiológica completa e desinfecção.
O governo espanhol, no entanto, afirma que ainda não tomou uma decisão e aguarda dados sanitários coletados durante a passagem por Cabo Verde.
Casos, mortes e cronologia do surto
O navio transporta 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades, que foram confinados em cabines como medida para conter a propagação do vírus.
Até o momento, três mortes foram registradas: um casal holandês e um cidadão alemão.
O primeiro caso confirmado envolveu um passageiro britânico que desembarcou em 27 de abril na Ilha de Ascensão e foi transferido para Joanesburgo, na África do Sul.
Posteriormente, a OMS confirmou o caso de uma mulher holandesa de 69 anos, que morreu em 26 de abril após apresentar sintomas gastrointestinais.
Ela havia deixado o navio na ilha de Santa Helena com o corpo do marido, de 70 anos, que morreu dias antes após apresentar febre, dor de cabeça e diarreia leve.
As autoridades agora tentam localizar passageiros de um voo entre Santa Helena e Joanesburgo no qual ela viajou.
Até agora, há dois casos confirmados e ao menos cinco suspeitos sob investigação.
O que é o hantavírus
O hantavírus é um grupo de vírus transmitidos principalmente por roedores selvagens infectados, como ratos e camundongos, que eliminam o vírus por meio de saliva, urina e fezes.
A infecção humana pode ocorrer ao inalar partículas contaminadas, ao entrar em contato com esses animais ou, em casos raros, por mordidas.
O vírus recebeu esse nome a partir do rio Hantan, na Coreia do Sul, onde foi identificado durante a Guerra da Coreia.
Segundo autoridades de saúde, a transmissão entre pessoas é extremamente incomum e foi registrada apenas em um tipo específico do vírus.
Ainda assim, o contexto do cruzeiro levanta preocupações por envolver um ambiente fechado e circulação internacional de passageiros.
A OMS afirma que infecções por hantavírus são raras e, em geral, não se espalham facilmente entre humanos.
Sintomas e evolução da doença
Os primeiros sintomas costumam se assemelhar aos de uma gripe, com febre, dor de cabeça e dores musculares. Em alguns casos, há relatos de sintomas gastrointestinais, como os observados nos passageiros do navio.
Com a progressão, a doença pode evoluir para quadros mais graves, incluindo dificuldade respiratória, comprometimento cardíaco ou disfunção renal, dependendo da variante do vírus.
Existem duas formas principais associadas à infecção: a febre hemorrágica com síndrome renal, mais comum na Europa e na Ásia, e a síndrome pulmonar por hantavírus, predominante nas Américas.
O diagnóstico é feito por exames laboratoriais que identificam anticorpos específicos. Não há vacina nem tratamento antiviral específico para o hantavírus, e o atendimento é baseado no suporte clínico.
A taxa de mortalidade pode variar conforme a variante do vírus, chegando a cerca de 15% dos casos, segundo autoridades de saúde.
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