O rio que 'desapareceu' por 5 milhões de anos e agora revela seu segredo

Por Mateus Omena 21 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O rio que 'desapareceu' por 5 milhões de anos e agora revela seu segredo

O Rio Colorado é um dos cursos d'água mais importantes dos Estados Unidos, não só por atravessar a região mais árida do país, mas também por ser o responsável pela formação do Grand Canyon, resultado de um processo de erosão ao longo de milhões de anos.

Outro aspecto fascinante do Rio Colorado é o fato de ele ter “desaparecido” por cerca de 5 milhões de anos. Isso significa que, durante esse período, não há registros geológicos de sua presença, nem no Grand Canyon nem em qualquer outra região. No entanto, cientistas americanos podem ter encontrado a explicação para esse mistério.

De acordo com um estudo publicado em 16 de abril na revista científica Science, o Rio Colorado teria desaguado em um lago a montante — ou seja, em uma região mais alta — por milhões de anos, antes de começar a fluir pelo Grand Canyon. A transição do rio para o cânion provavelmente marcou a evolução do Colorado de um pequeno curso d'água para um rio de escala continental.

"Existem rios por toda parte, mas um rio que transporta água e sedimentos através do continente conecta a vida em toda a região, e todo o ecossistema provavelmente mudou como resultado da chegada do Rio Colorado à bacia", afirmou John He, um dos autores do estudo, em comunicado.

Mudanças no Percurso do Rio

Entender a trajetória de um rio com mais de 11 milhões de anos não é uma tarefa fácil, e o estudo do atual curso do Rio Colorado é cercado de hipóteses. Utilizando amostras de arenito e fósseis de peixes, os pesquisadores puderam investigar tanto onde o rio esteve "escondido" quanto como ele se deslocou ao longo do tempo.

As evidências sugerem que, por um tempo, o rio percorreu uma área a leste do que hoje é o Grand Canyon — região que atualmente pertence à Nação Navajo. Para chegar à sua atual trajetória, o Rio Colorado enfrentou vários obstáculos geográficos.

Uma das grandes questões foi a travessia do Planalto de Kaibab, localizado no norte do Arizona, e ao sul do Utah. Sendo a área mais alta do Planalto do Colorado, Kaibab deveria, teoricamente, bloquear o fluxo do rio.

A explicação para esse mistério seria o transbordamento de um lago profundo, na região da Bacia de Bidahochi. O estudo sugere que o Rio Colorado pode ter se desaguado intensamente nesse lago, fazendo com que a água subisse o suficiente para transbordar e seguir para oeste, atravessando o Planalto de Kaibab e dando início a um novo processo de erosão, que persiste até hoje, com 6,6 milhões de anos de duração.

O avanço dessa teoria só foi possível após uma nova análise da costa da Formação de Bidahochi, onde os pesquisadores examinaram até onde as marcas deixadas pelo antigo lago chegavam. A partir dos dados anteriores, acreditava-se que essas marcas não chegavam a mais de 2 mil metros de altitude, cerca de 300 metros abaixo do necessário para alcançar o topo de Kaibab. No entanto, a nova análise revelou uma marca de 2.250 metros de altitude, o que indicaria que o lago poderia realmente ter transbordado e ultrapassado o planalto.

Táticas fluviais do Colorado

Para comprovar que o Rio Colorado realmente preencheu a bacia de Bidahochi, os geólogos estudaram amostras de arenito em 19 locais diferentes. A datação dos cristais de zircão encontrados nas rochas forneceu uma espécie de "impressão digital" do rio, revelando a época em que o rio iniciou o processo de erosão e seu percurso.

Os dados indicam que, cerca de 6,6 milhões de anos atrás, a "impressão digital" da bacia de Bidahochi começou a coincidir com as propriedades do Rio Colorado. Além disso, a quantidade de areia depositada na bacia aumentou drasticamente nesse período, fornecendo uma forte evidência de que o rio tinha atingido a região.

Embora os dados sejam convincentes, ainda são necessários mais estudos para confirmar se o transbordamento realmente ocorreu. "O estudo apresenta argumentos convincentes de que o Rio Colorado preencheu a bacia de Bidahochi, mas não comprova o cenário de transbordamento", explicou Rebecca Flowers, que não participou da pesquisa. Ela sugeriu outras possíveis explicações, como o preenchimento da bacia por um lago mais raso que formou um túnel sob o planalto ou a travessia gradual de um rio a oeste do planalto.

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