O salão de relojoaria de Basel vai voltar? O que se sabe até agora
A última edição da Baselworld, na Basileia, aconteceu em março de 2019. Depois disso, a pandemia cancelou as edições de 2020 e 2021, as principais marcas de relojoaria migraram para o salão Watches & Wonders de Genebra e o organizador MCH Group enterrou o projeto definitivamente. Sete anos depois, a mesma empresa que encerrou o evento anuncia que vai tentar trazer de volta uma feira de relógios e joias para Basel.
O anúncio foi feito nesta quarta-feira, 18. A nova feira vai se chamar Basilia, adotando o nome romano da cidade suíça, e é uma parceria inédita entre o MCH Group e a Informa Markets, empresa britânica que opera a Jewellery & Gem WORLD Hong Kong, uma das maiores feiras de joias da Ásia. A estreia está marcada para abril de 2027, no Hall 2 da Messe Basel, com expectativa de reunir mais de 400 expositores.
Um novo formato
Basilia Jewellery & Watch Fair, parceria entre Informa Markets e MCH Group (Divulgação)
Os organizadores foram cuidadosos para não apresentar o projeto como uma continuação do Baselworld, chamado informalmente de Basel. Roman Imgrüth, CEO de exposições e eventos do MCH Group, disse na coletiva de imprensa que "grandes feiras não se constroem em uma única edição" e que 2027 será apenas "o plantio de uma semente". O predecessor não foi citado ao longo da apresentação, mas surgiu na primeira pergunta da sessão de perguntas: por que a Basilia teria mais sucesso do que o Baselworld? Imgrüth respondeu que o Baselworld "não existe mais" e reiterou que o conceito de "cidade" seria o diferencial da nova feira, além de garantir que os custos de participação serão "acessíveis".
A proposta é estruturar o evento como uma cidade com bairros temáticos, cada um representando um polo global do setor. A ideia prevê distritos de diamantes e gemas, vales de relojoaria, áreas europeias e suíças, um hub de tecnologia e espaços inspirados em Hong Kong, Bangkok, Jaipur, Istambul, Antuérpia, Paris e Milão. O acento geográfico é deliberado, ao contrário do Baselworld, que se concentrava no segmento de relojoaria, de marcas de luxo às mais acessíveis, a Basilia quer atrair fabricantes, distribuidores, atacadistas e especialistas em sourcing de diferentes regiões.
O que mudou desde 2019
O colapso do Baselworld não foi só consequência da pandemia. A saída do Swatch Group em 2018 foi o primeiro sinal de que algo havia se rompido. Em 2020, com o evento já cancelado pela covid, Rolex, Patek Philippe, Tudor, Chopard e Chanel anunciaram que não voltariam e passaram a participar do Watches & Wonders em Genebra. O MCH Group ainda tentou lançar uma feira substituta, a HourUniverse, em 2021, mas uma segunda onda da pandemia inviabilizou o projeto.
O setor de joias ficou sem um ponto de encontro europeu de peso. O Watches & Wonders tem foco em relojoaria de luxo e não cobre o ecossistema comercial mais amplo de joias, gemas e sourcing que Baselworld reunia, lacuna em que a Basilia quer apostar. Celine Lau, diretora de feiras de joias da Informa Markets, afirmou que o objetivo é conectar compradores com fornecedores especializados em um mercado de sourcing cada vez mais complexo, atendendo desde varejistas independentes até mercados emergentes na Europa.
O que ainda não se sabe
Os organizadores não divulgaram lista de expositores confirmados, estrutura de preços ou se alguma grande marca de relojoaria retornaria a Basel. Imgrüth afirmou que houve "conversas positivas" com marcas de relógios, mas não confirmou nenhuma. A questão do Swatch Group permanece em aberto: o CEO Nick Hayek tem recusado o Watches & Wonders desde o seu início e nunca descartou publicamente um evento em Basel, cidade a cerca de uma hora e meia de trem de Biel, sede do grupo. Nenhum comprometimento foi anunciado.
A edição inaugural da Basilia terá 50% do espaço ocupado por joias, 25% por gemas e 25% por relógios. Seminários, painéis e conferências completarão os quatro dias de programação.
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