O sinal de que o Fed pode voltar a subir juros nos Estados Unidos

Por Ana Luiza Serrão 24 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O sinal de que o Fed pode voltar a subir juros nos Estados Unidos

Quando e quanto o Federal Reserve (Fed) começará a cortar juros? Questões como essas, que já pareciam englobar um debate encaminhado no mercado, ganharam um nova atenção dos investidores, pois o próximo movimento do banco central dos Estados Unidos (EUA) pode não ser de corte, mas sim de alta nas taxas de juros.

O presidente do Fed em Atlanta e uma das principais autoridades monetárias da instituição, Raphael Bostic, utilizou seus últimos momentos antes de se aposentar para emitir um alerta que deixa em atenção as expectativas em torno das flexibilizações monetárias, caso as pressões inflacionárias voltem a ganhar força.

Ele afirma à Reuters que, embora o cenário-base ainda não contemple esse desfecho, não se pode descartar uma elevação adicional dos juros se a economia continuar surpreendendo para cima, inclusive com o fôlego extra de investimentos em inteligência artificial (IA), o que justificaria a visão "pé no freio".

A economia americana tem, ainda, se mostrado "notavelmente resiliente" na sua opinião, apoiada pelo consumo firme, pelo mercado de trabalho sólido e por esses novos vetores de investimentos que impulsionam as atividades. Algo que levanta dúvidas sobre a velocidade que a inflação retornará à meta de 2%.

"Fantasma" da inflação não quer ir embora

A inflação que o Fed realmente acompanha, denominada núcleo do Índice de Preços para Despesas com Consumo Pessoal (PCE) — que exclui alimentos e energia — voltou a subir 0,4% em dezembro. O indicador bateu os 3% nos 12 meses, ficando fora da meta imposta pelo Fed.

Para Bostic, o cenário é "super preocupante", já que a política monetária está, atualmente, em território "moderadamente restritivo", e isso pode não ser suficiente se as pressões sobre os preços voltarem a se intensificar. Assim, se a economia não desacelerar, os juros podem subir em vez de baixar.

Essa preocupação ganha peso porque, de acordo com fontes consultadas pela agência, existe o medo de que o público e as empresas comecem a acreditar que o Fed está tolerando uma inflação mais alta. Se as pessoas passarem a esperar que os preços continuem subindo, essa expectativa acaba se tornando realidade, indicam.

O impacto das tarifas de importação impostas no ano passado, também, está sendo repassado para os preços dos produtos com atraso, o que mantém a pressão sobre o custo de vida, reforçam as fontes ouvidas pela Reuters. A alta dos juros, no entanto, não integra a previsão principal, mas é um risco.

Juros estimulando ou segurando a economia?

Outro ponto que gera debate no banco central dos EUA é se a taxa de juros atual, que está em 3,62%, é realmente capaz de segurar a economia. Enquanto Bostic defende que ela ainda ajuda a frear o consumo, outros nomes como Neel Kashkari, do Fed de Minneapolis, acreditam que ela já está em um nível neutro.

De acordo com as falas dos especialistas e dos modelos econômicos coletados pela Reuters, as taxas reais podem estar até abaixo do que seria considerado neutro, o que significaria que o Fed poderia estar, sem querer, estimulando a economia em vez de contê-la, e alguns modelos econômicos reforçam a dúvida.

O modelo do Fed de Nova York sugere, por exemplo, que as taxas reais podem estar entre 50 e 100 pontos-base abaixo das estimativas de neutralidade.

Além disso, analistas contestam que a chegada, em maio, do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, pode não ser um catalisador para os cortes de juros como o esperado diante do exposto. A substituição do cargo ocorreu em meio a pressões do presidente Donald Trump, o qual defende um corte nas taxas.

Bostic reforça, assim, que a luta contra a inflação não está encerrada ao sinalizar que "o próximo movimento pode ser uma alta", ainda que como hipótese. Isso deve ficar no radar do mercado, especialmente em um momento de transição e de incerteza nos mercados globais e no próprio EUA.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: