O sistema financeiro está sendo reconstruído

Por Da Redação 9 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O sistema financeiro está sendo reconstruído

Por Rachel Conlan*

O sistema financeiro global está passando por uma de suas transformações mais significativas em décadas. A tecnologia blockchain e os ativos digitais estão mudando a forma como o valor circula entre países, como os mercados operam e quem tem acesso às ferramentas financeiras. As decisões que estão sendo tomadas agora sobre governança, regulação e participação irão moldar a arquitetura da próxima era das finanças globais.

Todo Dia Internacional da Mulher traz um novo foco para a representação feminina no setor financeiro: a diferença salarial, a diferença na liderança e a diferença no acesso a investimentos. Essas conversas continuam importantes, mas muitas vezes deixam de lado uma mudança muito maior que está em curso.

Pela primeira vez em gerações, o próprio sistema financeiro está sendo reconstruído.

O que começou como um experimento de nicho em tecnologia descentralizada está rapidamente se tornando uma infraestrutura utilizada por centenas de milhões de pessoas em todo o mundo. Os ativos digitais estão se integrando gradualmente à economia global mais ampla, remodelando a forma como o capital circula e como as pessoas interagem com os sistemas financeiros.

O que torna este momento diferente de outras transformações financeiras do passado é a origem dessa mudança. Historicamente, novos sistemas financeiros eram concebidos nos principais centros financeiros do mundo e depois exportados para outros países. A ascensão da tecnologia blockchain seguiu um caminho diferente: ela surgiu de um movimento global e descentralizado, impulsionado por desenvolvedores, empreendedores e comunidades que colaboram além das fronteiras.

Como essa infraestrutura ainda está em formação, as pessoas que a estão construindo hoje não estão apenas participando de um novo setor. Elas estão ajudando a definir como funcionará a próxima era das finanças.

Em um sistema que ainda está sendo construído, o acesso à influência é muito diferente.

Uma das características marcantes do setor de ativos digitais é o seu ritmo acelerado. No sistema financeiro tradicional, as carreiras costumam evoluir ao longo de décadas dentro de hierarquias institucionais. Já em indústrias emergentes, o avanço costuma depender menos do tempo de casa e mais da expertise, da capacidade de adaptação e da habilidade de navegar por territórios totalmente novos.

Categorias inteiras de cargos de liderança ainda estão se formando em tempo real. À medida que as mulheres ganham mais espaço e representatividade, não é surpresa que estejam assumindo papéis de destaque no desenvolvimento da tecnologia blockchain. Também somos um grupo que pode se beneficiar muito da natureza mais democrática da Web3.

Em toda a indústria de ativos digitais, essa mudança já é visível.

Nossa General Counsel, Eleanor Hughes, está ativamente envolvida na construção dos marcos regulatórios que irão orientar os mercados de ativos digitais. Governos ao redor do mundo estão desenvolvendo políticas para tecnologias que mal existiam há uma década, e Eleanor participa dessas discussões em diferentes jurisdições. O trabalho realizado nessas mesas de debate influenciará a forma como bilhões de pessoas irão interagir com ativos digitais nos próximos anos.

Catherine Chen lidera nossa estratégia institucional, trabalhando com instituições financeiras globais à medida que os ativos digitais passam a se conectar cada vez mais com os mercados tradicionais de capitais. Quando Catherine se reúne com fundos soberanos ou empresas como a Franklin Templeton, a discussão deixa de ser se os ativos digitais pertencem ao sistema financeiro e passa a ser como esses dois universos financeiros irão se integrar — e onde essas fronteiras irão se estabelecer no futuro.

Esses cargos não existiam há dez anos. As mulheres que hoje os ocupam não estão simplesmente assumindo posições já estabelecidas; elas estão ajudando a definir o que esses papéis se tornarão.

Um dos exemplos mais claros disso é Yi He, cofundadora e co-CEO da Binance.

Yi não entrou em uma instituição consolidada com uma cultura já definida — ela ajudou a construí-la desde o início. Desde os primeiros dias da empresa, teve um papel central em moldar a forma como a Binance opera e quem tem voz dentro da organização. Essa influência contribuiu para criar uma empresa que encara liderança e oportunidades de maneira diferente.

Quando mulheres ajudam a construir empresas desde o começo, elas também influenciam a forma como essas organizações evoluem.

Vimos essa dinâmica acontecer em partes da Ásia e do Oriente Médio, onde a inovação em fintech avançou rapidamente em mercados como Singapura, Emirados Árabes Unidos e Hong Kong. Nessas regiões, mulheres ingressaram cedo no setor de ativos digitais e passaram a ocupar posições de influência antes que as estruturas da indústria estivessem totalmente definidas.

Há uma lição nisso.

Em mercados onde as criptomoedas ainda são vistas principalmente sob a ótica da especulação — em vez de infraestrutura — especialmente em partes do Ocidente, essa janela começa a se estreitar. A indústria está amadurecendo, instituições estão entrando nesse mercado e as estruturas de liderança estão se tornando mais definidas.

A oportunidade de moldar as bases desse sistema não permanecerá aberta indefinidamente.

O ecossistema atual de ativos digitais é muito mais amplo do que plataformas de negociação. Ele inclui engenheiros e engenheiras que desenvolvem protocolos, economistas que projetam sistemas de tokens, advogados e advogadas e especialistas em políticas públicas que trabalham ao lado de reguladores, além de operadores e operadoras que constroem os serviços que irão sustentar uma economia digital global.

A infraestrutura financeira da era da internet está sendo construída em tempo real. As decisões tomadas hoje sobre governança, regulação e acessibilidade irão moldar os mercados globais por décadas.

Este momento cria uma oportunidade rara de influenciar a evolução desse sistema antes que suas estruturas se tornem permanentes.

Se o sistema financeiro do século XXI simplesmente reproduzir as estruturas de poder do século XX, teremos perdido uma das oportunidades mais importantes criadas pela mudança tecnológica.

Mas, se este momento for encarado de forma intencional, a tecnologia blockchain tem o potencial de ampliar quem pode ajudar a moldar o futuro das finanças.

*Rachel Conlan é  Chief Marketing Officer da Binance.

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