O sítio pré-histórico escondido no 'coração' de Los Angeles
No meio de Los Angeles, cercado por avenidas movimentadas, museus famosos e prédios modernos, existe um dos sítios fossilíferos mais importantes do mundo. Esses sítios são áreas geológicas (geralmente rochas sedimentares) com condições propícias para a preservação de restos ou vestígios de organismos antigos
Os Poços de Piche de La Brea preservam há milhares de anos restos de mamutes, tigres-dentes-de-sabre, lobos-terríveis e dezenas de outras espécies da Era do Gelo.
O local, considerado o único sítio arqueológico urbano e ativo da Era Glacial no mundo, abriga mais de 2 milhões de fósseis encontrados ao longo de mais de um século de escavações. Agora, quase 50 anos após a inauguração do museu atual, o espaço passará por uma ampla reforma nos Estados Unidos.
Segundo reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian, o projeto de modernização custará cerca de US$ 240 milhões e deve transformar tanto o museu quanto o parque ao redor.
Como os fósseis ficaram preservados em Los Angeles
A história dos Poços de Piche de La Brea começou por causa de uma formação geológica incomum. Falhas subterrâneas fizeram o petróleo subir até a superfície, formando poças naturais de piche e asfalto.
Ao longo de milhares de anos, animais acabavam presos nessas áreas pegajosas, muitas vezes escondidas sob água e vegetação. Predadores atraídos pelas presas também ficavam presos, criando uma espécie de armadilha natural pré-histórica. De acordo com pesquisadores do museu, isso ajuda a explicar por que cerca de 90% dos fósseis encontrados pertencem a carnívoros e necrófagos - animais consomem organismos mortos.
Entre as espécies identificadas estão leões-americanos gigantes, ursos-de-cara-curta, mastodontes, lobos-terríveis e aves extintas.
O piche acabou funcionando como um conservante natural, impedindo a decomposição e preservando estruturas orgânicas por mais de 13 mil anos.
Museu de La Brea passará por reforma histórica
O Museu e Poços de Piche de La Brea foi inaugurado em 1977 e se tornou uma das atrações científicas mais conhecidas de Los Angeles. O espaço reúne laboratório de fósseis, centro de pesquisa, áreas de escavação abertas ao público e um grande lago com esculturas de mamutes, um dos cartões-postais do local.
Segundo o jornal, a reforma pretende integrar melhor áreas internas e externas, criando novas passarelas, espaços educativos e ambientes interativos. A estrutura brutalista original do museu será mantida, mas exposições, laboratórios e áreas de aprendizado passarão por modernização completa.
Os organizadores também pretendem substituir plantas tropicais do pátio por vegetação semelhante à existente na região durante a Era do Gelo.
Pesquisa ajuda a entender extinções e mudanças climáticas
Uma das propostas da renovação é mostrar de forma mais clara como funciona o trabalho científico realizado no local. Hoje, visitantes conseguem observar pesquisadores restaurando fósseis em tempo real através das janelas do laboratório.
Segundo Emily Lindsey, curadora associada do museu e diretora das escavações, poucos lugares no mundo permitem acompanhar todo o processo científico, desde a descoberta até a análise dos fósseis. Ela comparou o sítio fossilífero a “uma Pompeia no meio de uma cidade gigantesca”.
Além da paleontologia, o novo projeto também pretende abordar temas ligados às mudanças climáticas, extinção de espécies e preservação ambiental.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: