'O Testamento de Ann Lee': conheça a história real que inspirou o filme
Aplaudido de pé por 15 minutos após sua exibição no Festival de Veneza, "O Testamento de Ann Lee" chega aos cinemas brasileiros na quinta-feira, 12.
O drama histórico estrelado por Amanda Seyfried, conhecida por "Mamma Mia!", narra a vida de Ann Lee, fundadora do Movimento Shaker, proclamada por seus seguidores como a "personificação feminina de Cristo".
A direção é de Mona Fastvold, que também assina o roteiro ao lado de Brady Corbet. Essa é a mesma dupla por trás de "O Brutalista" (2024), vencedor de três estatuetas do Oscar.
O elenco reúne ainda Lewis Pullman, Thomasin McKenzie, Stacy Martin, Tim Blake Nelson, Christopher Abbott e Matthew Beard.
Sobre o que é "O Testamento de Ann Lee"?
A diretora Mona Fastvold descreve o filme como uma "recriação especulativa" da vida de Ann Lee, de acordo com a Time. A produção acompanha a trajetória da personagem desde o nascimento até a morte, estruturada em capítulos, mostrando sua coragem e sua crença absoluta no movimento que liderou.
O filme é um musical, escolha que a diretora justifica pelo fato de os próprios Shakers usarem música e dança como forma de oração. As composições foram inspiradas em hinos Shakers reais do século XVIII, adaptados pelo compositor Daniel Blumberg.
Quem foi Ann Lee?
Ann Lee nasceu em 29 de fevereiro de 1736 em Manchester, Inglaterra, segunda filha mais velha de uma família de oito. Cresceu próxima à Igreja Anglicana, mas nunca se identificou com a religião predominante.
Em 1758, conheceu James e Jane Wardley, que pregavam ideias radicais em casa. Entre elas, a de que cantar e dançar poderiam limpar o corpo do pecado e que, na segunda vinda de Cristo, Deus seria uma mulher.
Ann se casou com Abraham Standarin em 1761, mas o casamento foi marcado por tensões. Ela tinha aversão à intimidade física e todos os seus quatro filhos morreram na infância.
Após a morte do último, teve uma visão que se tornaria o princípio central dos Shakers: para alcançar a pureza verdadeira, era preciso adotar o celibato pelo resto da vida.
Mais tarde, ela defenderia a abolição de todos os casamentos dentro do movimento, incluindo o próprio.
Lee também rejeitava papéis de gênero e pregava igualdade social independentemente de gênero ou raça, de acordo com a Time. Isso a tornou inimiga da Igreja Anglicana, que a internou em um hospício. Ao ser julgada, segundo diferentes relatos, ela teria falado entre 12 e 72 línguas diferentes.
Em 19 de maio de 1774, Lee e um pequeno grupo de seguidores partiram de Liverpool rumo aos Estados Unidos. Após longa busca, fundaram sua comunidade em Albany, Nova York, batizada de Niskayuna.
Lá, pregavam celibato, busca pela perfeição e pacifismo absoluto, o que gerou conflitos durante a Guerra de Independência americana, quando Lee se recusou a permitir que seus seguidores participassem dos combates.
Em 1783, os Shakers sofreram um ataque violento. Lee morreu em 1784, aos 48 anos, em decorrência dos ferimentos acumulados pelas agressões que sofreu ao longo da vida.
Quem eram os "Shakers"?
Os Shakers eram uma seita religiosa nascida na Inglaterra do século XVIII, conhecida oficialmente como "Sociedade Unida dos Crentes na Segunda Aparição de Cristo" (em inglês, "United Society of Believers in Christ's Second Appearing").
O nome popular vem de seus rituais de oração, que envolviam movimentos corporais intensos e falar em línguas, herdados da influência dos "Shaking Quakers". Ann Lee conheceu o grupo em 1758, de acordo com a Slate
Entre seus princípios centrais estavam o celibato vitalício, o pacifismo, a igualdade entre homens e mulheres na governança das comunidades e a crença de que, na segunda vinda de Cristo, Deus se manifestaria como mulher.
Sem filhos próprios, os Shakers atraíam membros por meio de missões de pregação e também acolhiam órfãos e abandonados, que, ao completar 21 anos, tinham a opção de deixar a comunidade.
Para se sustentar financeiramente, fabricavam e vendiam móveis, sem cobrar de seus membros para participar do movimento.
O legado mais conhecido dos Shakers hoje é justamente o design de seus móveis, marcado pela simplicidade, funcionalidade e qualidade artesanal, de acordo com a Time. O próprio movimento almejava construir uma rede de comunidades utópicas igualitárias pelos Estados Unidos.
Em seu auge, o movimento chegou a 6.000 praticantes, em 1840. Hoje, resta apenas uma comunidade ativa no mundo: o Sabbathday Lake Shaker Village, no estado do Maine, nos Estados Unidos. Por décadas, contou com apenas dois praticantes, mas, recentemente, uma terceira pessoa se juntou à comunidade, aumentando em 50% o número de Shakers ativos no mundo, segundo a Slate.
Quando "O Testamento de Ann Lee" estreia no Brasil?
"O Testamento de Ann Lee" chega aos cinemas brasileiros no dia 12 de março de 2026, conforme comunicado divulgado pela The Walt Disney Company.
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