O triunfo da educação: Ari de Sá é destaque em prêmio internacional

Por Lucas Amorim 28 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O triunfo da educação: Ari de Sá é destaque em prêmio internacional

Transformar um país a partir das escolas, com educação de qualidade acessível a milhões de alunos. A missão a que se propôs o empresário cearense Ari de Sá Neto, fundador da Arco Educação, não poderia ser mais nobre. Nesta quinta-feira, sua investida de 20 anos foi reconhecida: ele foi finalista do Empreendedor do Ano, na 40ª edição do EY World Entrepreneur of The Year, em Mônaco.

Criado em 1986, o prêmio nasceu para identificar e reconhecer líderes empresariais que se destacam pelo espírito empreendedor, criatividade e impacto de seus negócios. No Brasil, o Empreendedor do Ano é realizado desde 1998 e já reconheceu mais de 430 empresários.

Rubens Menin, fundador da construtora MRV, conquistou o prêmio internacional em 2018. Nesta quinta-feira, o prêmio principal foi para os fundadores da Astera Labs, fabricante de semicondutores que vale 60 bilhões de dólares na bolsa.

Ari de Sá nasceu dentro da sala de aula. Seu pai, Oto de Sá Cavalcante é filho de professores e começou a dar aula de matemática aos 19 anos, nos anos 60. Em 2001, fundou o Colégio Ari de Sá, que rapidamente se consolidou como uma referência em aprovações para vestibulares como ITA e IME, e em prêmios em competições internacionais.

Da aula ao negócio

A Arco Educação foi fundada em 2006, com o objetivo de organizar e ampliar o alcance do método de ensino vencedor da escola. Hoje, é líder em soluções que integram conteúdo, tecnologia e serviços para escolas.

"O fato de eu ter vindo de dentro da escola foi determinante para que acertássemos o modelo de negócios, e entendêssemos o tipo de dor que queríamos resolver", diz o empreendedor. A dor, no caso, era não ter uma metodologia de ensino que trouxesse resultados acadêmicos fortes. "A oportunidade era transformar esse 'secret sauce' num produto escalável, que outras escolas pudessem usar", diz.

"Fui aluno da escola do meu pai. Depois, trabalhei na escola com ele dos 20 aos 25 anos. Saí para fazer um MBA nos Estados Unidos e, na volta, comecei a Arco", relembra. "Fui obrigado a fazer um negócio de alta qualidade, porque a barra de meu pai, o primeiro cliente, era muito alta".

A relação íntima do empresário com o setor fez com que a Arco Educação tomasse, em 2023, uma decisão pouco usual. Saiu da bolsa de valores, cinco anos após ter aberto seu capital a investidores – em 2018 levantou US$ 220 milhões em oferta na Nasdaq. A mudança de rota, relembra Ari, foi pensada em conseguir focar nas decisões de longo prazo, num setor de ciclos longos, como o de educação, sem a pressão trimestral natural para empresas listadas.

"Nossos quatro maiores sócios decidiram ficar, acreditando em nossa visão e nas oportunidades do negócio", diz o empresário.

A visão, no caso, era se tornar o sistema operacional que resolve as dores das escolas, incluindo soluções acadêmicas, financeira, de gestão. A compra da startup de software Isaac, especialista em gestão financeira, em 2022, foi essencial neste caminho.

Fora da bolsa, a Arco acelerou. Hoje, tem 12 mil escolas e 4 milhões de alunos. Cerca de 25% já usam duas ou mais soluções da Arco. O mercado endereçável é 44 mil escolas.

"Esta premiação tem um sentimento adicional de mostrar como um grupo cearense e nordestino pode fazer um negócio respeitado internacionalmente", diz Ari. "Minha história é a história de como uma vida pode ser transformada com a educação. Poder trabalhar, junto com meu time, para dar a mesma oportunidade a milhões de jovens é nosso maior estímulo".

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