O único estádio a sediar a abertura de três Copas do Mundo: a história do Azteca
Localizado na capital mexicana, a Cidade do México, o estádio Azteca foi palco não só de duas aberturas de Copa do Mundo até então - com a terceira em breve, no dia 11 de junho - mas também de alguns dos mais ilustres jogos e atletas de todas as edições da Copa. Além disso, é o estádio que sediou mais jogos, com 9 em 1970 e 8 em 1976, e agora se prepara para mais uma leva de 5 jogos.
Inaugurado em 1966, o Azteca, casa oficial da Seleção Mexicana e da equipe local, o Club América, tem capacidade para mais de 80 mil pessoas e carrega importante simbolismo: em 2014, o local foi escolhido para o velório de Roberto Gómez Bolaños, o eterno intérprete do Chaves e do Chapolin Colorado, evento que reuniu milhares de fãs.
O estádio foi reformado e está pronto para um novo torneio; Foi nesse mesmo gramado que Pelé ergueu nossa terceira taça em 1970 e Diego Maradona a segunda da Argentina em 1986, na mesma copa que marcou o famoso gol com a "mão de Deus" - ambos os astros ganharam o Ballon d'Or por suas performances nos respectivos campeonatos, apesar de terem sido laureados retrospectivamente, já que o prêmio não existia em 1970 e era exclusivo para jogadores europeus em 86.
Todavia, o Azteca também foi palco de uma série de jogos históricos ao longo das Copas. Relembra a história do Azteca, e por que a arena é um importante templo do futebol. Relembre aqui os maiores duelos sediados no Azteca nas duas Copas que sediou, quando palco de alguns dos maiores triunfos do esporte, relembrados por fãs até hoje:
1970: URSS, Brasil e uma campanha histórica
Pelé: jogador brasileiro segue como o mais novo a vencer uma Copa do Mundo (Alessandro Sabattini/Getty Images)
Abrindo a Copa de 1970, que se tornou o tricampeonato brasileiro, com uma performance histórica de Pelé, houve o empate sem gols entre o México e a então União Soviética (URSS). Foi a primeira Copa a ser sediada fora da América do Sul ou da Europa e a primeira em solo norte-americano.
O que se destaca nesse evento, além de uma seleção que não existe mais, é a grande festa de abertura, que contou com desfiles de centenas de estudantes mexicanos representando os 16 países que disputaram essa edição do torneio. Em comparação, esse ano contará com a participação de 48 nações, o maior número até então.
Além disso, a edição de 1970 é considerada uma das melhores Copas de todos os tempos, com o time do Brasil, inclusive, sendo considerado por muitos fãs pelo mundo como o melhor da história, com nomes como Gérson, Jairzinho, Rivellino, Tostão e, claro, Pelé, liderados pelo capitão Carlos Alberto. Na final, também no Azteca, derrotamos a Itália por 4-1, na época bicampeã, na primeira final de Copa a ser transmitida em cores, para mais de 107 mil fãs no Azteca. Um sucesso que veio no auge da ditadura militar, nossa vitória serviu inclusive como propaganda política para o fim do autoritarismo.
O prêmio segue uma campanha de sucesso no mata-mata contra o também bicampeão Uruguai, eliminado pela Seleção por 3-1, e a Inglaterra, que defendia o título, por 1-0.
No geral, a performance brasileira foi histórica: levantamos a taça sem perder um único jogo, marcando 19 gols e concedendo apenas 7, ao longo de 6 partidas. O tricampeonato conquistado nos gramados do Azteca nos deu a posse definitiva da famosa Taça Jules Rimet, o tradicional troféu da Copa.
1986: Maradona e a "Mão de Deus"
Diego Maradona, da Argentina, fez parte de seu legado no gramado do Azteca, assim como Pelé (Peter Robinson/EMPICS/Getty Images)
No dia 31 de maio de 1986, o Azteca sediava novamente uma abertura de Copa, 16 anos após o desempenho histórico do Brasil. Dessa vez, o torneio foi aberto por um duelo entre Bulgária e Itália, outro empate, mas com gols, que terminou em um emocionante 1-1, com a Itália abrindo o marcador aos 43 minutos do primeiro tempo e um empate búlgaro aos 40 do segundo, perto do fim do jogo, para um público de 95 mil pessoas.
Os anfitriões mexicanos viveram o que se tornou sua melhor campanha nas Copas, sendo eliminados somente nas quartas de final pela Alemanha, nos pênaltis.
Mas a melhor campanha foi, sem dúvida, da Argentina de Maradona, que, antes da final, também fez uma campanha histórica no mata-mata, com um dos jogos mais memoráveis da história do esporte contra a Inglaterra, no Azteca, em 22 de junho de 1986. A derrota por 2-1 pelos ingleses é apenas uma pequena cicatriz em comparação ao lendário gol da "Mão de Deus" feito por Diego Maradona, o jogador de maior destaque do torneio. Aos 6 minutos, o meia-atacante argentino entrou na área, perto do gol, em um duelo com o goleiro inglês Peter Shilton.
A Inglaterra diminuiu a diferença aos 36 do primeiro tempo, com um gol de Gary Lineker, o sexto do jogador no campeonato, que se tornaria o artilheiro da Copa. Mesmo assim, não foi suficiente, e o duelo terminou com placar de 2-1 para a Argentina.
Na final, o time da Argentina enfrentou a Alemanha em 29 de junho de 1986, no Azteca, diante de 114.600 espectadores, moderada pelo árbitro brasileiro Romualdo Arppi Filho.
Por sua vez, o Brasil, apesar de uma boa performance — derrotando o Paraguai e a Bolívia por 2-0 nas qualificatórias e, logo em seguida, empatando com eles por 1-1 —, seguiu para a próxima etapa, onde derrotamos a Espanha e a Argélia por 1-0 e a Irlanda do Norte por 3-0, sempre com gols de Antônio de Oliveira Filho, conhecido como Careca.
Por sua vez, a França foi eliminada pela então Alemanha Ocidental por 2-0.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: