OpenAI aposta em descontos para competir com crescimento do Claude
A OpenAI está considerando reduzir drasticamente os preços que cobra por tokens — a unidade de medida que empresas de IA usam para faturar por seus produtos — em uma resposta antecipada a cortes semelhantes que a empresa espera da Anthropic, segundo o Wall Street Journal.
A decisão ainda não foi tomada, mas o movimento sinalizaria uma mudança significativa numa indústria que já perde bilhões de dólares em função dos custos de infraestrutura computacional.
O CEO da OpenAI, Sam Altman, já havia sinalizado a pressão em evento recente.
"Os custos se tornaram um problema enorme", disse ele. "Acho que teremos muitas formas de ajudar as pessoas a obter mais valor por menos gasto."
Por que a Anthropic é o alvo
A OpenAI está tentando recuperar terreno perdido para a rival na corrida por clientes corporativos.
A receita da Anthropic disparou depois que o Claude Code (ferramenta de programação da empresa) se tornou viral entre engenheiros de software.
A startup de cinco anos ultrapassou a avaliação da OpenAI pela primeira vez, chegando a US$ 965 bilhões, enquanto a OpenAI estava avaliada em US$ 852 bilhões.
Em resposta, a OpenAI transformou o Codex, sua própria ferramenta de programação, no centro da estratégia da empresa.
A pressão vem de dois lados. De um lado, clientes corporativos que antes despejavam dinheiro nos produtos da Anthropic estão agora tentando conter os gastos.
Um executivo da Uber disse no início do ano que a empresa havia esgotado seu orçamento de 2026 para uso de IA agêntica.
De outro lado, o debate sobre tokenmaxxing (a prática de usar o máximo possível de tokens para aumentar produtividade, mesmo quando não há retorno mensurável) está pressionando as empresas a justificar o custo dos produtos de IA.
O risco de uma guerra de preços
Cortes drásticos de preços poderiam resolver o problema de adoção no curto prazo, mas criariam um problema estrutural mais sério: erosão das margens de empresas que já perdem bilhões por ano.
Tanto a OpenAI quanto a Anthropic operam com prejuízo em função dos custos enormes de processamento computacional necessários para responder a consultas e executar tarefas.
Uma guerra de preços seria também um teste precoce da solidez dos modelos de negócio de ambas as empresas antes de suas aberturas de capital.
A OpenAI protocolou confidencialmente seu pedido de IPO nesta semana, seguindo os passos da Anthropic, que já havia feito o mesmo.
Em mensagem recente no Slack a funcionários, Altman disse que a empresa planeja abrir capital "dentro do próximo ano", segundo o The Information.
O WSJ aponta um risco que investidores identificam há tempo: a intercambiabilidade dos produtos das duas empresas.
Clientes podem abandonar uma plataforma pela outra com relativa facilidade, o que significa que a lealdade conquistada agora pode ser desfeita rapidamente se os preços se equipararem.
Uma guerra de preços poderia acelerar exatamente esse ciclo de atrair clientes a curto prazo enquanto corrói a diferenciação que cada empresa construiu.
O debate sobre tokenmaxxing — amplamente discutido no Vale do Silício desde a declaração do CEO da Palantir, Alex Karp, que comparou o uso excessivo de tokens a um vício — chegou ao centro da estratégia das duas maiores empresas de IA do mundo.
A pergunta que o mercado ainda não respondeu é se preços mais baixos vão resolver o problema ou simplesmente tornar o prejuízo mais barato por unidade.
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