Operação contra líder de Lula dá oxigênio a Flávio e abre espaço para Renan, diz analista

Por André Martins 19 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Operação contra líder de Lula dá oxigênio a Flávio e abre espaço para Renan, diz analista

A operação da Polícia Federal (PF) contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), altera, por ora, a narrativa eleitoral e pode dar um novo fôlego para o senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo Fábio Zambeli, diretor de Public Affairs do Grupo In Press e analista político, em entrevista à EXAME.

"O episódio altera a narrativa do momento e oferece oxigênio político à oposição, mas ainda parece insuficiente para modificar os fundamentos centrais da disputa presidencial", diz Zambeli à EXAME.

Após o áudio entre Flávio e Daniel Vorcaro, ex-controlador do extinto Banco Master, com pedido de financiamento para o filme Dark Horse, a maioria das pesquisas de opinião mostrou que o eleitor passou a vincular o escândalo do banco a aliados de Bolsonaro.

Com a operação contra Jaques, a visão do diretor do Grupo In Press é que a narrativa pode se inverter.

Zambeli explica que o ganho para a oposição não está necessariamente na conversão de votos, mas na neutralização de ataques. O analista explica que, em eleições de rejeição, o objetivo é convencer o eleitor de que o seu lado é melhor e impedir a monopolização de temas pelo adversário, como corrupção.

"Ao atingir um dos principais articuladores de Lula, o episódio dificulta que o governo ocupe sozinho o discurso da ética e da responsabilidade pública", afirma.

O analista diz ainda que o efeito mais amplo da nova operação é evidenciar que o caso Master é suprapartidário, o que pode alimentar a descrença em relação ao sistema político como um todo e abrir espaço para candidaturas que tentam se apresentar como alternativas aos dois polos, como o presidente do Missão, Renan Santos.

"Nomes como Renan Santos podem encontrar nesse ambiente uma oportunidade para ampliar visibilidade e audiência. O desafio dessas candidaturas continua sendo transformar atenção em competitividade eleitoral", afirma.

. O episódio altera a narrativa do momento e oferece oxigênio político à oposição, mas ainda parece insuficiente para modificar os fundamentos centrais da disputa presidencial.

Prejuízo para Lula não é desprezível

O analista afirma que há prejuízo político para Lula, e "não é desprezível". Para ele, o problema vai além do desgaste de um aliado próximo do presidente.

"Num ambiente já difícil para o governo e em pleno ano eleitoral, isso produz custos concretos para a governabilidade", diz.

Jaques é investigado pela PF por supostas vantagens econômicas indevidas em meio ao suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro ligados ao caso do Banco Master.

As investigações mostram uma relação próxima entre o senador e Augusto Lima, dono do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro.

O principal ponto citado pela PF é a suspeita de que Wagner tenha sido beneficiário de um apartamento de R$ 2,45 milhões no empreendimento Poème Horto, em Salvador. O senador negou irregularidades e diz que seu patrimônio é limpo.

Apesar da possível mudança de narrativa, a visão de Zambeli é que a comparação com o caso de Flávio exige cuidado. Para ele, o eleitor médio não hierarquiza escândalos de forma linear.

"Os fatos conhecidos até aqui sugerem graus distintos de envolvimento, mas essa diferença tem relevância maior para a análise jurídica e jornalística do que para o comportamento eleitoral", diz.

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