Oracle demite 10 mil funcionários na Índia
A Oracle iniciou uma ampla reestruturação global que já impactou cerca de 10 mil funcionários na Índia, com previsão de atingir até 30 mil trabalhadores. As demissões representam uma redução de até 20% da força de trabalho da empresa no país, segundo dados reportados pela imprensa local. As áreas mais afetadas incluem equipes de receita e operações virtuais, que sofreram cortes de aproximadamente 30%.
Embora a companhia não tenha confirmado oficialmente o volume total de desligamentos, estimativas do banco TD Cowen indicam que os cortes podem alcançar 18% dos 162 mil funcionários globais. A medida pode liberar entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões para investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. Nas redes sociais, funcionários desligados relataram surpresa com o processo, indicando uma condução considerada abrupta por parte da empresa.
Para especialistas do setor, o movimento reforça uma tendência mais ampla no mercado de tecnologia. Os cortes na Oracle podem configurar um dos maiores layoffs — termo em inglês para demissões em massa — já registrados em centros de capacidade global, conhecidos como GCCs. A avaliação é do consultor Pareekh Jain, da Pareekh Consulting, em entrevista ao Business Standard.
A mudança de estratégia ocorre em meio à crescente priorização de investimentos em inteligência artificial e infraestrutura de nuvem. Um relatório da própria empresa projeta que os custos de reestruturação podem chegar a US$ 2,1 bilhões até 2026, incluindo indenizações e despesas operacionais associadas.
O fundador da companhia, Larry Ellison, indicou a dimensão da transformação interna ao afirmar que sistemas baseados em IA passaram a executar tarefas antes atribuídas a engenheiros. Segundo ele, a empresa tem ampliado o uso de modelos automatizados para desenvolvimento de código, reduzindo a dependência de processos tradicionais.
Estratégia prioriza nuvem e agrada investidores
Os cortes ocorrem poucos meses após uma rodada anterior de demissões que afetou cerca de 3 mil funcionários em países como Estados Unidos, Canadá, Filipinas e Índia. Desta vez, além dos desligamentos, a empresa também desacelerou novas contratações, especialmente em áreas ligadas à nuvem, apesar de manter vagas abertas de forma seletiva.
O reposicionamento estratégico coincide com um momento positivo no mercado financeiro. As ações da Oracle subiram 5,3% no dia em que os cortes foram confirmados, superando o índice Nasdaq Composite. O desempenho segue uma alta anterior de 6%, impulsionada por resultados trimestrais que indicaram crescimento de 22% na receita anual, totalizando US$ 17,19 bilhões.
O movimento evidencia uma contradição recorrente no setor: enquanto empresas ampliam investimentos em tecnologias emergentes, como IA e computação em nuvem, reduzem estruturas consideradas menos estratégicas. A resposta positiva do mercado sugere que investidores seguem priorizando ganhos de eficiência e expansão tecnológica, mesmo diante de impactos significativos na força de trabalho.
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