Os bastidores do leilão em Goiás que vendeu cavalo avaliado por R$ 88 milhões

Por Layane Serrano 19 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Os bastidores do leilão em Goiás que vendeu cavalo avaliado por R$ 88 milhões

É no Brasil que acontece um dos maiores leilões de cavalos de raça do mundo. O evento, chamado JBJ Runch, é promovido pela JBJ Agropecuária, empresa goiana bilionária do agronegócio.

Entre os dias 15 e 17 deste mês, a quinta edição do JBJ Ranch bateu novos recordes. Um martelo bateu em Goiás e transformou um cavalo em um ativo avaliado em R$ 88 milhões. O animal, chamado Inferno Sixty Six, teve 50% de sua propriedade negociada por R$ 44 milhões durante o leilão que foi realizado em Nazário, interior goiano, em uma das fazendas do JBJ.

“É um garanhão americano da raça Quarto de Milha, conhecido no mercado internacional pela genética de alta performance. Os filhos deste cavalo já acumularam mais de US$ 5 milhões em premiações em competições nos Estados Unidos. É um super cavalo, super produtor”, diz Fabrício Batista, CEO da JBJ Agropecuária, em entrevista ao podcast “De frente com CEO”, da EXAME.

O valor impressiona até um mercado acostumado a cifras milionárias. A negociação do cavalo já representa quase 70% de todo o faturamento da edição anterior do evento, realizada em 2025, quando o leilão movimentou R$ 130 milhões em apenas três dias.

Neste ano, em três dias o evento faturou R$ 257 milhões, batendo recorde mundial e se tornando o maior leilão de cavalos ‘Quarto de Milha’ do mundo.

“Temos animais com média vendida acima de R$ 1 milhão”, afirma Batista, destacando que o mercado de cavalos de alta performance não funciona como commodity e depende de fatores como genética, linhagem e biotipo.

Veja imagens do cavalo vendido por R$ 44 milhões neste fim de semana:

https://www.instagram.com/reels/DYaeoy9CLYS/

JBJ Agropecuária: a empresa de bilhões por trás deste leilão

Por trás da operação está a família de José Batista Júnior, conhecido como Júnior Friboi, um dos filhos do fundador da JBS. Desde 2020, o empresário Fabrício Batista decidiu transformar a paixão por cavalos em uma nova frente de negócios dentro da JBJ Agropecuária. O resultado foi a criação da JBJ Ranch, operação que mistura genética animal, luxo, esporte e networking de alto padrão.

“Ele veio com essa ideia de fazer algo com cavalo. Falei: depende, se for só por amor, basta um, agora se quiser fazer disso um negócio, podemos pensar nesse investimento”, afirma Júnior Batista, fundador da JBJ Agropecuária e pai de Fabrício Batista.

O cavalo que virou “ativo milionário”

No universo do Quarto de Milha, cavalos não são apenas animais de competição. Funcionam quase como participações societárias.

No caso do Inferno Sixty Six, adquirido pela própria JBJ Ranch e pelo Haras Frange, o negócio foi fechado em 55 parcelas de R$ 800 mil.

A lógica do setor é semelhante à de uma empresa: investidores compram cotas do animal, dividem lucros com reprodução genética, venda de sêmen, premiações esportivas e valorização futura. Durante o evento deste ano, outro cavalo teve metade da propriedade comercializada por mais de R$ 22 milhões.

No ano passado, a empresa já havia chamado atenção ao vender 50% de uma égua chamada Stop Little Sister por R$ 12 milhões. Na ocasião, o animal foi avaliado em R$ 24 milhões e entrou para a lista dos mais valorizados do setor.

O “Texas brasileiro” no interior de Goiás

O evento realizado pela JBJ Ranch virou uma espécie de “Davos do agronegócio sertanejo”. A quinta edição do leilão reuniu mais de 6 mil pessoas em três dias, entre empresários, celebridades e artistas sertanejos em uma estrutura inspirada no estilo western americano.

Entre os convidados estavam Gusttavo Lima, Roberto Justus, Amado Batista, Naiara Azevedo e o piloto Alexandre Negrão.

Gusttavo Lima abriu o evento leiloando uma égua por R$ 1,1 milhão. O valor será destinado ao Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora).

Neste ano, o JBJ Ranch também atraiu cerca de 40 patrocinadores, incluindo bancos e montadoras.

Gusttavo Lima abriu o evento leiloando uma égua por R$ 1,1 milhão. O valor será destinado ao Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) (JBJ Ranch e Família Quartista /Divulgação)

Um mercado bilionário

O cavalo Quarto de Milha, raça originária dos Estados Unidos e conhecida pela velocidade em curtas distâncias, movimenta bilhões de reais todos os anos.

A cadeia vai muito além da venda dos animais. O setor envolve clínicas veterinárias, transporte aéreo, exames genéticos, nutrição animal, treinamento e reprodução.

A conexão internacional é um dos diferenciais da operação da JBJ Ranch. A companhia mantém estrutura própria no Texas e exporta cerca de 30 cavalos por ano para o Brasil.

Fabrício Batista, CEO da JBJ Agropecuária: "Os filhos do cavalo Inferno Sixty Six já acumularam mais de US$ 5 milhões em premiações em competições nos Estados Unidos. É um super cavalo, super produtor” (JBJ Ranch e Família Quartista /Divulgação)

O plano bilionário da JBJ Agropecuária

O leilão de cavalos representa apenas uma parte do ecossistema da JBJ Agropecuária. Criada em 2012, após Júnior Batista deixar a presidência da JBS, a companhia se transformou em uma gigante do Centro-Oeste brasileiro.

Hoje, o grupo possui 14 fazendas e faturou R$ 6 bilhões no último ano com operações de pecuária, genética, exportação, frigoríficos e leilões.

A meta agora é ainda mais ambiciosa: alcançar R$ 10 bilhões em faturamento até 2027.

O grupo projeta terminar 2026 com quase 500 mil cabeças de gado em confinamento e expandir a operação industrial da Prima Foods, braço frigorífico da companhia.

“Apesar de todas as dificuldades, o Brasil consegue produzir e se manter bem no cenário mundial na produção de commodities”, afirma Rodrigo Terra, diretor financeiro da companhia.

O empresário também investiu no ano passado em um rancho no Pilot Point, no Texas (EUA), considerado o principal polo global da raça Quarto de Milha. A ideia é fazer do Brasil um dos maiores mercados de cavalo de raça para o mundo, junto com os Estados Unidos. E para isso, estão investindo em genética animal.

Desde 2021, entre um dos seus negócios, a JBJ investe em um laboratório que desenvolve cavalos com a mesma genética dos garanhões que se destacaram em corridas.  A ideia é aproximar a operação das principais centrais genéticas do mundo e fortalecer a presença da marca no mercado americano.

“Você está no berço do quarto de milha. Ali estão os melhores animais e as melhores genéticas”, afirma Fabrício.

O CEO da JBJ também afirma que pretende levar o formato brasileiro do leilão para os Estados Unidos. Segundo ele, os eventos americanos ainda são muito focados apenas na venda dos animais, enquanto o modelo da JBJ Ranch aposta em experiência, hospitalidade e entretenimento. “A gente quer levar esse modelo de leilão que deu muito certo no Brasil para lá também”, afirma Batista. “Afinal, o cavalo Quarto de Milha não tem fronteiras. É um negócio mundial.”

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