Os dissidentes do ChatGPT: ex-funcionários da OpenAI criaram a startup mais valiosa do mundo
Em dezembro de 2020, Dario Amodei chegou a uma conclusão que mudaria a história da inteligência artificial (IA). Vice-presidente de pesquisa da OpenAI — um dos cargos mais influentes do laboratório que estava prestes a lançar o ChatGPT —, ele decidiu que não adiantava ficar.
"É incrivelmente improdutivo tentar discutir com a visão de outra pessoa", disse em uma entrevista ao podcast Lex Fridman, em 2024. "Pegue pessoas em quem você confia e vá realizar sua própria visão."
E foi exatamente o que ele fez.
Ao deixar a OpenAI em 2021, Amodei levou consigo um grupo que dificilmente se reuniria novamente num mesmo lugar: sua irmã Daniela, vice-presidente de segurança e política da empresa; Jared Kaplan, o cientista por trás das chamadas "leis de escala", a descoberta de que modelos maiores treinados com mais dados tendem a ser sistematicamente mais capazes; Chris Olah, referência mundial em interpretabilidade de IA; e outros cinco pesquisadores sêniores, incluindo Tom Brown, co-autor do paper original do GPT-3.
Eram nove ao todo. Nenhum deles saiu para construir um produto, mas sim para construir uma visão alternativa de como a inteligência artificial deveria ser desenvolvida.
O motivo da saída foi distorcido pela imprensa à época, segundo Amodei. Circulou a versão de que o grupo havia se rebelado contra a parceria bilionária da OpenAI com a Microsoft. Amodei descartou a narrativa com uma palavra: "Falso."
A nova empresa se chamou Anthropic, do grego, "relacionado aos humanos", e foi registrada como Public Benefit Corporation, estrutura jurídica que obriga a considerar o impacto social além do retorno financeiro.
Nos primeiros anos, a aposta pareceu improvável.
A OpenAI tinha o ChatGPT, a Microsoft e o momentum cultural de ter inventado uma nova categoria de produto.
A Anthropic tinha pesquisadores excepcionais, uma missão que o mercado tratava com ceticismo e uma fatia pequena de um mercado que seu rival havia criado.
O que mudou o jogo foi um produto que nasceu dentro da própria empresa antes de chegar ao mercado.
O Claude Code, agente de programação lançado publicamente em maio de 2025, transformou o Claude de um chatbot sofisticado em ferramenta de trabalho indispensável para engenheiros de software.
A receita anualizada do produto sozinho superou US$ 1 bilhão até o fim de 2025. A receita total da Anthropic, que era de US$ 10 bilhões anuais naquele ano, chegou a uma taxa anualizada de US$ 47 bilhões em maio de 2026, crescimento ainda sem paralelo na história do software empresarial.
Na semana passada, a Anthropic anunciou uma captação de US$ 65 bilhões liderada pela Altimeter Capital, Greenoaks, Dragoneer e Sequoia Capital, atingindo avaliação de US$ 965 bilhões.
A empresa ultrapassou a OpenAI, avaliada em US$ 852 bilhões em sua última rodada de março, e tornou-se a startup mais valiosa do mundo.
O próximo capítulo da disputa será decidido em Wall Street. A OpenAI protocolará seu IPO em setembro. A Anthropic, com receita crescendo dez vezes ao ano, dificilmente ficará de fora por muito tempo.
Os dois laboratórios que partiram do mesmo ponto de origem em San Francisco agora convergem para o mesmo destino, com valuations, visões e apostas sobre o futuro da IA que não poderiam ser mais diferentes.
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