Os planos da Toyota no Brasil após os danos à fábrica de Porto Feliz

Por Ivan Padilla 6 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Os planos da Toyota no Brasil após os danos à fábrica de Porto Feliz

A Toyota fechou 2025 com motivos de sobra para comemorar no cenário global. O grupo japonês vendeu cerca de 11,3 milhões de veículos no mundo, ampliou a liderança pelo quinto ano consecutivo e abriu uma distância ainda maior para a Volkswagen, que terminou o ano com pouco menos de 9 milhões de unidades.

E no Brasil? Por aqui, o tom é de cautela. “Tivemos nossos desafios”, resumiu Evandro Maggio, presidente da Toyota do Brasil, ao comentar os efeitos da destruição da fábrica de motores de Porto Feliz, no interior de São Paulo.

A declaração foi feita durante um almoço reservado com um pequeno grupo de jornalistas no Gero Fasano do Itaim, em São Paulo. O encontro marcou a primeira conversa mais detalhada sobre os planos da empresa para 2026, depois do episódio que paralisou uma das unidades mais estratégicas da Toyota fora do Japão.

Galpão alugado

A fábrica de Porto Feliz foi atingida em 21 de setembro de 2025, às 13h30, por uma microexplosão atmosférica que comprometeu seriamente sua estrutura. Nenhum dos cerca de 400 funcionários presentes ficou ferido — um desfecho que a empresa atribui, em parte, a um treinamento de evacuação realizado apenas dez dias antes do acidente. A retomada plena da operação está prevista apenas para 2028.

Enquanto isso, a Toyota precisou reorganizar rapidamente sua cadeia produtiva. Parte dos motores passou a ser fabricada em um galpão alugado na própria cidade, originalmente usado como depósito, enquanto outra parte passou a ser importada do Japão, da Turquia e da Indonésia.

A resposta da matriz japonesa foi imediata. Técnicos enviados ao Brasil, acostumados a lidar com terremotos e eventos climáticos extremos, trabalharam lado a lado com as equipes locais. Um detalhe simbólico ficou marcado: os capacetes usados pelos colaboradores no Japão que trabalharam para suprir a produção interrompida traziam pequenas bandeiras do Brasil, em demonstração de solidariedade.

Previsão de produzir 52.000 unidades do Yaris

Hoje, a Toyota mantém três unidades industriais no Brasil, todas em São Paulo. Sorocaba é o principal polo de montagem, responsável por Corolla Cross, Yaris (exportação) e pelo recém-lançado Yaris Cross. Indaiatuba segue dedicada à produção do Corolla sedã, incluindo as versões híbridas.

Essas duas fábricas continuam operando após a retomada gradual da produção, ainda que parte dos motores venha do exterior. Já a unidade de Porto Feliz, inaugurada em 2016 e estratégica por concentrar fundição, usinagem e montagem de motores no mesmo prédio, está fora de operação desde setembro de 2025, após a microexplosão atmosférica.

Mesmo em meio à crise, a Toyota manteve seus planos de investimento. O lançamento mais importante é o Yaris Cross, que começou a chegar às concessionárias na semana passada. Antes mesmo de os carros estarem expostos, 4 mil unidades foram vendidas em pré-venda, com sinal de R$ 20 mil, um indicativo claro da força da marca. O modelo faz parte de um plano de investimentos de R$ 11,5 bilhões no Brasil.

A produção prevista do Yaris Cross é de 52 mil unidades, sendo 30 mil flex para o mercado interno e 22 mil a gasolina para exportação. O SUV compacto chega em três versões — X, XRE e XRX — com opção híbrida nas duas mais equipadas. Os preços do novo modelo variam entre R$ 161 mil e R$ 190 mil, dependendo da configuração e da motorização.

Laboratório de biocombustíveis

Enquanto o Yaris Cross ganha tração, o Corolla Cross segue como o modelo mais vendido da marca no país, sustentando o caixa em um momento de transição industrial. Em paralelo, a Toyota prepara o próximo passo tecnológico, anunciado por Maggio durante o encontro: a criação de um laboratório de biocombustíveis na unidade de Sorocaba, já com 40 engenheiros contratados.

O projeto, também incluído no pacote de investimentos, abre espaço para o desenvolvimento de novas soluções híbridas, inclusive a possibilidade futura de sistemas plug-in, hoje já presentes na Lexus, marca do mesmo grupo.

Questionado sobre o avanço das montadoras chinesas no Brasil, Maggio foi direto: “Vamos precisar nos adaptar. É uma realidade”. Para ele, o cenário lembra a chegada das marcas coreanas décadas atrás. O executivo reforçou ainda a importância estratégica do país, que figura entre os maiores mercados automotivos do mundo, tanto em vendas quanto em produção.

A fábrica de Porto Feliz ainda levará tempo para ser reconstruída, mas a mensagem da companhia é clara: o plano segue em frente.

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