Os três fatores essenciais para a Pátria entrar em um leilão

Por institucional 11 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Os três fatores essenciais para a Pátria entrar em um leilão

Nem todo projeto que chega ao mercado avança para a fase final de análise do Pátria Investimentos. Embora a gestora acompanhe praticamente todos os leilões de infraestrutura que surgem no país, uma série de filtros elimina parte significativa das oportunidades antes mesmo que a empresa decida investir tempo e recursos em estudos aprofundados.

Em entrevista ao videocast EXAME Infra, Thiago Bronzi, sócio e líder de investimentos em rodovias e saneamento do Pátria, afirmou que a análise da companhia se concentra em três pilares principais: maturidade regulatória, capacidade de execução das obras previstas e qualidade da demanda associada ao ativo.

Segundo o executivo, o processo é conduzido por equipes dedicadas exclusivamente à avaliação de oportunidades, que acompanham desde a modelagem dos projetos até as discussões com governos e estruturadores.

"Quando decidimos, estamos confortáveis com o ativo. Fazemos todo o possível para sermos os mais eficientes na estrutura operacional, no capex, nas soluções técnicas", afirmou.

Regras claras antes de tudo

O primeiro filtro adotado pelo Pátria é a maturidade regulatória do projeto. De acordo com Bronzi, a existência de regras consolidadas e previsibilidade institucional é um elemento fundamental para atrair investimentos de longo prazo.

Na avaliação do executivo, o governo federal e o Estado de São Paulo possuem histórico relevante nesse aspecto, especialmente no setor rodoviário.

O tema tem peso relevante porque os contratos de infraestrutura normalmente envolvem compromissos bilionários e prazos que podem ultrapassar décadas. Nesse contexto, mudanças frequentes de regras ou insegurança regulatória aumentam significativamente os riscos para investidores.

A importância desse fator também explica a cautela adotada pelo grupo antes de ingressar no saneamento, setor que o Pátria acompanhou durante anos antes de realizar seu primeiro investimento.

“Eu costumo brincar que saneamento é o setor do futuro. Gostamos de entrar quando as regras do jogo estão claras e estão sendo cumpridas”, afirmou.

Obras precisam ser viáveis dentro do contrato

Depois da análise regulatória, a gestora passa a avaliar se os investimentos previstos podem ser executados dentro das condições estabelecidas pelo edital.

Segundo Bronzi, o grupo analisa a complexidade técnica das intervenções previstas, os desafios de engenharia e a viabilidade de concluir as obras dentro dos prazos contratuais.

O critério ganha importância em um momento em que os novos contratos de concessão acumulam volumes cada vez maiores de investimentos obrigatórios, exigindo planejamento de longo prazo e capacidade de execução.

Atualmente, o Pátria possui cerca de R$ 40 bilhões em compromissos contratuais de investimento em seus ativos de infraestrutura e prevê executar mais de R$ 10 bilhões em capex neste ano.

Tráfego diversificado reduz riscos

O terceiro elemento analisado pela gestora está relacionado à qualidade da demanda que sustenta o ativo. No caso das rodovias, Bronzi afirma que o Pátria evita projetos excessivamente dependentes de um único setor econômico.

A preferência é por regiões com atividade diversificada e presença de grandes centros urbanos regionais, capazes de gerar fluxo constante de veículos mesmo diante de mudanças econômicas. "Gostamos de estar expostos a regiões que têm um tráfego diversificado, porque isso diminui o risco."

Segundo o executivo, a lógica não significa evitar regiões fortemente ligadas ao agronegócio, por exemplo. Pelo contrário. Muitas das concessões da companhia estão localizadas em áreas de grande produção agrícola. A diferença é que o agronegócio aparece como um componente importante da economia local, e não como única fonte geradora de demanda.

Bronzi argumenta que regiões economicamente dinâmicas tendem a atrair investimentos, ampliar a oferta de serviços e estimular novos negócios, criando um fluxo de veículos mais resiliente ao longo do tempo.

Milhões de reais em risco antes do leilão

Após passar pelos filtros iniciais, os projetos selecionados entram em uma etapa aprofundada de análise.

Segundo Bronzi, é nesse momento que o Pátria passa a investir recursos significativos em estudos técnicos, financeiros e operacionais para preparar sua participação nos leilões. "A gente gasta literalmente milhões de reais em risco, porque um leilão é sempre um risco", disse.

O executivo afirma que a companhia não busca simplesmente vencer disputas, mas identificar ativos nos quais acredita ser capaz de operar de forma eficiente ao longo de toda a concessão.

Na visão de Bronzi, o papel do leilão é justamente selecionar o operador mais eficiente para entregar os investimentos previstos pelo contrato. Por isso, a decisão de participar de uma disputa acontece apenas quando a gestora considera que o projeto atende aos critérios considerados essenciais para o negócio.

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