Otimismo com ações dos EUA atingem pico histórico; Argentina lidera na América Latina

Por Clara Assunção 3 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Otimismo com ações dos EUA atingem pico histórico; Argentina lidera na América Latina

O otimismo com as ações dos Estados Unidos atingiu um novo pico histórico entre investidores institucionais, segundo a 9ª edição da Investment Manager Survey – Brazil Equities, do Itaú BBA, referente ao segundo trimestre de 2026.

O movimento ocorre em um momento de forte recuperação de Wall Street, que encerrou abril em níveis recordes, no melhor desempenho mensal desde 2020, impulsionada, sobretudo, pelas apostas no crescimento ligado à inteligência artificial.

De acordo com a pesquisa, o sentimento em relação ao mercado acionário americano apresentou uma melhora relevante frente à edição anterior. Em uma escala de 0 (pessimista) a 10 (otimista), a nota atribuída às ações dos EUA subiu de 5,76 para 6,39 — o nível mais alto já registrado na série histórica do levantamento.

A visão dos investidores também se tornou majoritariamente positiva, 58% dos entrevistados demonstram otimismo com as ações americanas para os próximos seis meses, enquanto 35% adotam uma postura neutra e apenas uma pequena parcela, de 7%, mantém viés negativo.

O recorte por perfil mostra que o entusiasmo é ainda mais forte entre gestores de hedge funds, com 76% de avaliações positivas. Já na divisão geográfica, investidores baseados em São Paulo lideram o otimismo, com 68% de visão favorável, seguidos por Rio de Janeiro (45%) e estrangeiros, que aparecem mais cautelosos, com 39% de avaliações positivas e maior concentração de respostas neutras.

A pesquisa do Itaú BBA consultou, ao todo, 107 investidores institucionais entre os dias 23 e 29 de abril. A maior parte dos participantes é composta por gestores de portfólio (75%), além de analistas de ações e diretores de investimento (CIOs), sendo que mais de 78% estão baseados no Brasil e o restante no exterior.

O pano de fundo desse movimento de otimismo sobre o mercado acionário dos EUA inclui o desempenho recente das bolsas americanas.

Em abril, o S&P 500 avançou cerca de 10%, enquanto o Nasdaq subiu 15%, refletindo a retomada do apetite por risco após turbulências ligadas ao cenário geopolítico. A expectativa de lucros elevados com investimentos em infraestrutura de inteligência artificial tem sustentado revisões para cima nas projeções das grandes empresas de tecnologia, ajudando a impulsionar o mercado.

Sem o Brasil, Argentina lidera na América Latina

Na América Latina, excluindo o Brasil, a Argentina segue como o principal destino de preferência dos investidores, ainda que com sinais de maior diversificação regional.

Segundo a pesquisa, 54% dos entrevistados apontam o país como o mercado com visão mais positiva na região, mantendo uma liderança isolada. Apesar disso, o número representa uma redução em relação às edições anteriores, quando a preferência era de 63% em dezembro de 2025 e 68% em agosto do mesmo ano.

A análise por localização revela diferenças relevantes. Investidores do Rio de Janeiro são os mais otimistas em relação à Argentina, com 64% de preferência, enquanto São Paulo apresenta um nível também elevado, de 56%. Já os estrangeiros mostram maior cautela, com 45%, além de diversificarem mais suas apostas entre outros mercados.

Esse movimento de diversificação tem favorecido especialmente países andinos. O Chile, por exemplo, consolidou-se como a segunda principal escolha, com 24% da preferência, uma alta expressiva frente aos 2% registrados em agosto de 2025. Colômbia e Peru também ganharam espaço, indicando uma concorrência crescente pela alocação de capital na região.

Entre investidores estrangeiros, essa diversificação é ainda mais evidente. Além dos 45% alocados na Argentina, 35% mencionam o Chile, enquanto México e Peru aparecem com 15% cada.

Brasil: otimismo elevado, mas com mais cautela

Apesar do destaque para Estados Unidos e Argentina, a visão sobre o Brasil permanece predominantemente positiva, ainda que com um tom mais cauteloso em relação à edição anterior da pesquisa.

O sentimento em relação às ações brasileiras atingiu 7,09 pontos, o segundo maior nível da série histórica, embora levemente abaixo dos 7,18 registrados anteriormente. A maioria dos investidores, um total de 77,6%, mantém uma visão positiva para os próximos seis meses, enquanto 19,6% são neutros e apenas 2,8% negativos.

Os investidores estrangeiros lideram o otimismo, com 81% de avaliações positivas, superando os percentuais observados entre gestores do Rio de Janeiro (73%) e de São Paulo (77%).

Ainda assim, o cenário doméstico impõe cautela. A expectativa de juros mais altos, com a taxa básica de juros, a Selic, projetada pelo banco em 13,13% ao fim de 2026, e as incertezas fiscais seguem como principais pontos de atenção.

Metade dos gestores acredita em deterioração do quadro fiscal, enquanto fatores como a curva de juros (69%) e a política local (62%) aparecem como os principais direcionadores do mercado.

No posicionamento setorial, há uma preferência por utilities, grandes bancos e construção civil, além de um interesse crescente por small caps, com 58% dos investidores apontando ser um bom momento para compras seletivas.

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