Papa Leão 14 aborda inteligência artificial e recebe representantes do Vale do Silício

Por Ramana Rech 25 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Papa Leão 14 aborda inteligência artificial e recebe representantes do Vale do Silício

A formulação da primeira encíclica do papa Leão XIV, dedicada aos impactos da inteligência artificial, foi precedida por reuniões entre autoridades do Vaticano e representantes de empresas do setor.

Nos últimos meses, representantes de companhias de IA se reuniram com autoridades da Igreja Católica para discutir os efeitos da tecnologia sobre a humanidade. Um dos focos foi a proteção de crianças, tema que ganhou espaço em meio ao avanço de ferramentas capazes de produzir textos, imagens, vídeos e vozes sintéticas.

O encontro mais recente ocorreu em 29 de abril e reuniu uma delegação com representantes da Meta, do Google e da Amazon com o papa. Depois da conversa breve com Leão XIV, o grupo participou de uma reunião mais longa com Paolo Ruffini, responsável pela comunicação do Vaticano.

Embora a pauta inicial fosse a proteção de crianças na era da IA, a discussão avançou para os efeitos da tecnologia sobre a sociabilidade humana. O tom, segundo pessoas familiarizadas com as conversas, foi mais humanista do que teológico.

A primeira encíclica

Na semana passada, o Vaticano anunciou a criação de uma comissão formada por altos funcionários católicos para discutir os desafios trazidos pela IA. A iniciativa reforça o interesse da Santa Sé em participar do debate global sobre regulação tecnológica, hoje concentrado em governos, empresas e organizações da sociedade civil.

Apresentada nesta segunda-feira (25), a encíclica pede que líderes políticos e empresariais protejam a humanidade dos efeitos mais disruptivos da tecnologia. Ao mesmo tempo, o texto afirma que a IA não deve ser tratada como “uma força antagônica à humanidade” nem como “intrinsecamente má”.

No documento, Leão XIV argumenta que a tecnologia reflete as características de quem a constrói, regula e utiliza. “Uma IA mais moral não é suficiente se essa moralidade é determinada por poucos”, afirma o pontífice.

As reuniões entre big techs, grandes empresas de tecnologia, e o Vaticano ocorrem em um momento no qual o setor tenta convencer governos e a opinião pública de que a IA pode ser controlada por regras e padrões de segurança. A estratégia inclui eventos em embaixadas, reuniões com autoridades religiosas e conversas com intermediários católicos ligados ao mundo da tecnologia.

Desde seu segundo dia como pontífice, Leão XIV já havia indicado interesse no tema. Segundo relato do New York Times, o papa disse ao Colégio de Cardeais que a Igreja enfrentaria os riscos que a IA apresenta à humanidade.

Entre os pedidos feitos na encíclica estão a regulamentação governamental da IA, a proteção e requalificação de trabalhadores cujos empregos estejam ameaçados pela automação e medidas para proteger crianças de conteúdos falsos, hipersexualizados ou violentos produzidos por sistemas automatizados.

Anthropic defende supervisão fora das empresas

O cofundador da Anthropic, Chris Olah, participou da apresentação da encíclica e afirmou que o desenvolvimento da inteligência artificial não pode ficar restrito às empresas de tecnologia. Ele também defendeu que líderes religiosos tenham papel na supervisão dos impactos da IA.

A Anthropic, desenvolvedora de modelos de IA, tem buscado se posicionar como uma companhia voltada à segurança tecnológica. Recentemente, a empresa entrou em confronto com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos ao exigir cláusulas que impedissem o uso de seus modelos para vigilância doméstica em larga escala e para armas autônomas letais, limites definidos pela empresa como éticos.

A presença de executivos do setor no debate reforça a disputa por legitimidade em torno da IA, tecnologia que avança rapidamente enquanto governos ainda tentam definir regras de uso, responsabilidade e fiscalização.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: