Para Bezos, colocar Marte à frente da Lua pode custar caro; entenda

Por Luiz Gustavo Pacete 18 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Para Bezos, colocar Marte à frente da Lua pode custar caro; entenda

Quando chegou ao Paris Convention Center nesta quarta-feira, 17, para o VivaTech, um dos maiores eventos de tecnologia da Europa, Jeff Bezos já tinha os holofotes voltados para si em meio à intensa disputa de mercado com a rival SpaceX, de Elon Musk, que levantou US$ 75 bilhões em uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) na última semana.

A concorrente lidera o setor com os planos de elevar consideravelmente a quantidade de seus atuais satélites em órbita pela rede Starlink, o que pressiona a Blue Origin.

Porém, antes de falar diretamente sobre a concorrente, Bezos preferiu questionar indiretamente a estratégia. Para ele, a pressa em chegar a Marte é um equívoco estratégico e, “quando se saltam etapas, na verdade não se anda mais depressa”, disse, referindo-se diretamente à busca de Musk em colonizar o planeta vermelho e destacando que inverter essa ordem pode resultar em prejuízos bilionários.

Na visão do fundador da Blue Origin, a proximidade da Lua, situada a apenas três dias e meio de distância da Terra, torna-a acessível em qualquer momento do ano, em vez de criar uma janela restrita a cada dois anos, como ocorre com as viagens a Marte.

Recursos retirados diretamente do solo lunar exigem cerca de 28 vezes menos energia por quilograma do que aqueles que precisam ser enviados da Terra, o que define a viabilidade financeira e técnica de todo o projeto de infraestrutura espacial, defendeu Bezos ao lado de Dave Limp, atual CEO da Blue Origin, em uma conversa mediada pelo ex-astronauta da Nasa, Mike Massimino.

O avanço dessa concorrência reflete uma realidade comercial imediata e altamente disputada, já que o mercado global de lançamentos encontra-se limitado.

"O setor vive um cenário de capacidade saturada e longas listas de espera compartilhadas por todas as empresas aeroespaciais, um panorama impulsionado por missões de segurança nacional, necessidades crescentes de computação orbital e, principalmente, pela proliferação de constelações de satélites em órbita baixa", disse Bezos.

Segundo o executivo, a estratégia para mitigar esse gargalo passa pelo avanço no desenvolvimento de foguetes totalmente reutilizáveis, uma vez que o maior desafio da indústria continua sendo reduzir os custos operacionais por quilo transportado.

Para rivalizar com a Starlink, o grupo de Bezos aposta no avanço do Projeto Kuiper, recentemente batizado de Amazon Leo, iniciativa da Amazon que prevê o lançamento de milhares de satélites de banda larga nos próximos anos.

Atualmente, a Blue Origin conta com mais de 14 mil colaboradores e lida com as falhas em testes recentes, em maio, como "parte natural do processo de desenvolvimento de engenharia de ponta".

A transição de uma indústria focada em protótipos para uma linha de produção em massa é o principal foco estratégico da companhia, cujas fábricas de motores em Huntsville e a instalação de foguetes em Orlando operam sob forte integração para garantir a máxima eficiência.

Para acelerar o longo ciclo de desenvolvimento que historicamente restringe a inovação industrial, Bezos reforçou a importância da aplicação de novos modelos de inteligência artificial voltados à engenharia.

"Diferente dos modelos de linguagem tradicionais, treinados exclusivamente na manipulação de dados textuais da internet, os novos sistemas focam em compreender e projetar objetos físicos complexos, com o objetivo central de comprimir o ciclo tradicional de criação de maquinários pesados, como motores de nova geração, reduzindo o tempo de desenvolvimento da prancheta até a fábrica".

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: