Para criador do Web Summit, mercado saturado exige eventos com visão de futuro
Houve um tempo em que participar de conferências de inovação e tecnologia não era tão fácil. Até o início dos anos 2010, os grandes encontros do setor estavam concentrados em alguns polos globais, como Estados Unidos e Europa, exigindo muito planejamento de quem não mora por perto. Democratizar o acesso a essas conversas foi uma das motivações de Paddy Cosgrave para criar um plano de expansão para o Web Summit, evento que ele criou em 2009, em Dublin.
Hoje, o festival tem edições em Lisboa, Vancouver, Doha e Rio de Janeiro. No entanto, o Web Summit tem também uma série de outros concorrentes pelo mundo, inspirados direta ou indiretamente nele mesmo. De Dubai a São Paulo, centenas de eventos surgiram na última década tentando reproduzir a fórmula que transformou o Web Summit em uma das maiores plataformas globais de negócios e tendências.
Para Cosgrave, o boom de conferências semelhantes à dele não é exatamente um problema, uma vez que o setor de eventos é naturalmente frágil.
"Conferências são extremamente vulneráveis porque as pessoas podem simplesmente parar de frequentá-las. Ninguém é obrigado a voltar no ano seguinte se sentir que o evento não entregou valor", afirma o executivo, em conversa com a EXAME.
Celebridades no palco x visão do futuro
Cosgrave acredita que a saturação do mercado tende a levar o setor a uma espécie de seleção natural. Ainda que a fórmula "painéis + ativações + experiências" não seja difícil de replicar, o conteúdo apresentado sempre fará diferença.
"Não queremos colocar no palco apenas pessoas que todos já conhecem. Nosso interesse está em apresentar temas, tendências e pessoas que talvez o público ainda não tenha descoberto".
Nesse contexto, o fundador do Web Summit aposta na sobrevivência de eventos que mostram tendências e pinceladas do futuro.
"O que tentamos fazer no Web Summit é oferecer uma janela para o futuro. Acredito que os eventos que continuarão relevantes serão justamente aqueles capazes de oferecer essa visão antecipada do que está por vir. Não apenas uma plataforma para as estrelas do momento, mas um espaço para descobrir o que será importante amanhã", finaliza.
De olho na Ásia
Longe de pensar na saturação do mercado, o Web Summit continua avaliando oportunidades de expansão internacional. Segundo Cosgrave, a organização mantém conversas com diferentes cidades ao redor do mundo e considera que a Ásia representa um território particularmente promissor.
Entre os destinos que despertam interesse estão Hong Kong, Shenzhen e Hangzhou, cidades que se consolidaram como importantes polos de tecnologia e inovação na China.
"Se encontrarmos a combinação certa entre ecossistema, infraestrutura e ambição, certamente é algo que podemos considerar", finaliza.
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