Para diretor da Nvidia no Brasil, não há bolha: 'Estamos só começando a era da IA'

Por Tamires Vitorio 21 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Para diretor da Nvidia no Brasil, não há bolha: 'Estamos só começando a era da IA'

A Nvidia (NVDA) já ocupa o posto de empresa mais valiosa do mundo, com valor de mercado próximo de US$ 4,5 trilhões. Ainda assim, para Marcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da companhia na América Latina, o ciclo atual da inteligência artificial está longe do pico. “Estamos apenas começando a nova era da inteligência artificial”, afirma o executivo, em entrevista à EXAME.

No centro dessa expansão estão as GPUs, unidades de processamento gráfico que se tornaram a base para treinar e rodar grandes modelos de IA. Segundo Aguiar, a demanda por poder computacional já supera a capacidade de entrega da empresa. Para ele, esse descompasso enfraquece a tese de bolha e reforça a leitura de que o movimento é estrutural.

“O mercado saiu da fase de experimentação. As empresas deixaram de discutir se a IA traria benefícios e passaram a acelerar a implementação”, diz.

Confira a entrevista completa:

Qual é o panorama da Nvidia no Brasil e o que vocês têm feito nos últimos anos?

A Nvidia está presente no Brasil desde 2010. São 15 anos do grupo corporativo desenvolvendo os principais mercados, como energia, educação e pesquisa, manufatura e finanças. Agora também vemos avanço em varejo e saúde. Sendo uma empresa de tecnologia, desenvolvemos softwares e otimizamos plataformas open source que estão no mercado para que performem melhor sobre nossas arquiteturas de hardware. Temos tido êxito vendendo por meio dos nossos parceiros — não atuamos diretamente — para grandes empresas, muitas listadas na B3 e multinacionais.

Marcio Aguiar: diretor da divisão Enterprise da companhia na América Latina (Nvidia/Divulgação)

Nossa arquitetura está disponível por meio dos provedores de cloud, como Amazon, Google, Microsoft e Oracle. Estamos envolvidos em grande parte do desenvolvimento tecnológico do país, principalmente nas discussões sobre o plano brasileiro de IA, anunciado em setembro de 2024. Ainda não saiu oficialmente do papel, pois envolve vários órgãos e secretarias.

Qual é o maior desafio da Nvidia no Brasil?

Eu não gosto de falar apenas do Brasil, porque é um desafio global. Como somos pioneiros e oferecemos tecnologia de ponta, o maior desafio é ter pessoas capacitadas para aproveitar essa tecnologia e aplicá-la aos negócios. No Brasil, existe também a questão orçamentária. Muitas empresas públicas dependem de verba para investir em inovação e pesquisa. Nem sempre há orçamento bem definido para tecnologia, o que dificulta projeções, especialmente com universidades federais, que são clientes importantes para nós. Temos uma base forte em educação e pesquisa. Quando esses profissionais chegam ao mercado, já conhecem nossas plataformas e tendem a adotar nossas soluções.

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Qual é a vantagem estratégica de estar no Brasil?

O Brasil possui uma população grande, mais de 125 mil pesquisadores capacitados em nossas tecnologias e mais de 1.000 startups de inteligência artificial vinculadas ao nosso programa de aceleração.

Vivemos um modelo de coopetição, que combina cooperação e competição. Algumas desenvolvem chips próprios, mas com finalidades específicas. Nossas GPUs são multipropósito e voltadas ao treinamento de grandes modelos.

Na América Latina, do México ao Uruguai, o Brasil é visto como país-modelo para alavancar a inteligência artificial. É estratégico para nós.

O que falta para o Brasil avançar mais em inteligência artificial?

Tudo é muito novo. Essa aceleração começou em novembro de 2022. O Brasil reagiu dentro do tempo ao começar a definir políticas públicas. Não é simples regulamentar inteligência artificial, porque não é um produto isolado, mas um conjunto de tecnologias. Cada país tem um perfil. O Brasil tenta manter uma posição equilibrada, sem copiar outros modelos, o que se relaciona ao conceito de IA soberana. Investimentos em inteligência artificial precisam ser contínuos e de longo prazo. Não são investimentos de um ou dois anos. Se você para de investir, perde competitividade. Nosso foco é desenvolver tecnologia. Temos programas de capacitação e trabalhamos com parceiros que fazem a interlocução com governos.

Como têm sido as vendas da Nvidia no Brasil?

Nosso principal produto são as GPUs. Também temos plataformas de software que extraem o máximo desempenho dessas unidades. Encerramos o ano fiscal em janeiro e iniciamos outro em fevereiro. As vendas no Brasil acompanham o crescimento global e temos ótimas projeções. As empresas já estão acelerando a adoção de inteligência artificial. Não estamos mais na fase de dúvidas sobre os benefícios.

O Brasil é um mercado secundário para a Nvidia?

Nunca foi. Houve uma lei imposta pelo governo Biden restringindo o acesso de GPUs a alguns países, mas isso não partiu da Nvidia. Nós não priorizamos países. Atendemos conforme os pedidos recebidos e não direcionamos produção por geografia.

Empresas como Microsoft, Amazon, Google e Oracle são concorrentes ou parceiras?

Fazem parte do nosso ecossistema. Elas compram nossas GPUs para treinar modelos e também oferecem GPU as a service aos clientes. Vivemos um modelo de coopetição, que combina cooperação e competição. Algumas desenvolvem chips próprios, mas com finalidades específicas. Nossas GPUs são multipropósito e voltadas ao treinamento de grandes modelos.

Não é simples regulamentar inteligência artificial, porque não é um produto isolado, mas um conjunto de tecnologias. Cada país tem um perfil.

Temos quatro grandes cloud service providers, 26 Nvidia Cloud Partners e mais de 500 empresas que desenvolvem software em nossas plataformas. São mais de 6 milhões de desenvolvedores no mundo. Também trabalhamos com OEMs como Dell, Lenovo, HP e Cisco, que vendem equipamentos com nossas GPUs.

Existe uma bolha de inteligência artificial?

Para a Nvidia, não existe bolha. Nossa demanda computacional está acima da nossa capacidade de processamento. Temos clientes com pedidos já realizados e existe alta demanda por memória e infraestrutura.

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Qualquer discussão sobre inteligência artificial envolve, direta ou indiretamente, a Nvidia. Trabalhamos com inteligência artificial desde 2012 e continuamos em crescimento. Estamos apenas começando a nova era da inteligência artificial.

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