Parente de aranha de 500 milhões de anos intriga com garras 'fora do lugar'

Por Vanessa Loiola 2 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Parente de aranha de 500 milhões de anos intriga com garras 'fora do lugar'

Um fóssil de cerca de 500 milhões de anos revelou uma característica incomum em um dos ancestrais das aranhas modernas. O animal, identificado como Megachelicerax Cousteaui, apresenta um par de garras na parte frontal da cabeça — uma estrutura que não era esperada nesse grupo de artrópodes primitivos.

A descoberta foi descrita em estudo publicado na Nature e ajuda a esclarecer etapas iniciais da evolução dos quelicerados, grupo que inclui aranhas, escorpiões e caranguejos-ferradura.

Garras onde não deveriam existir

O fóssil foi analisado pelo paleontólogo Rudy Lerosey-Aubril, da Universidade de Harvard. Inicialmente, o espécime parecia comum, mas revelou detalhes inesperados durante a preparação.

Segundo o pesquisador, o animal apresentava um par de garras frontais projetando-se da cabeça — uma posição normalmente ocupada por antenas em artrópodes do período Cambriano.

Essa configuração indica que as estruturas observadas não deveriam estar presentes naquele ponto da anatomia, o que torna o fóssil incomum para a época.

Predador antigo e anatomia complexa

O Megachelicerax cousteaui era um predador marinho com pouco mais de 7,6 centímetros de comprimento. Seu corpo tinha uma placa cefálica e nove segmentos distintos.

De acordo com Lerosey-Aubril, os apêndices próximos à cabeça eram usados para alimentação e funções sensoriais, enquanto os do tronco estavam ligados à respiração e à locomoção na água.

O nível de especialização anatômica observado é considerado avançado para um organismo dessa idade.

Evolução recua milhões de anos

Antes dessa descoberta, os quelicerados mais antigos conhecidos tinham cerca de 480 milhões de anos. O novo fóssil antecipa essa origem em aproximadamente 20 milhões de anos. Além disso, o animal representa uma forma de transição entre artrópodes mais antigos, que não possuíam garras nessa região, e espécies posteriores que desenvolveram essas estruturas.

Segundo os autores do estudo, isso ajuda a entender em que momento características como garras frontais e a divisão do corpo em regiões especializadas surgiram na evolução. A espécie recebeu o nome Megachelicerax cousteaui em homenagem ao explorador francês Jacques Cousteau, conhecido por seus documentários e contribuições à exploração marinha.

O espécime foi encontrado há mais de 40 anos em uma região desértica no oeste do estado de Utah, nos Estados Unidos, e permaneceu preservado em um museu até ser analisado em detalhe. Para os pesquisadores, o caso mostra que fósseis já coletados ainda podem revelar novas informações quando estudados com mais profundidade.

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