Parques nacionais já movimentam R$ 20 bilhões no PIB

Por Da Redação 10 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Parques nacionais já movimentam R$ 20 bilhões no PIB

Os parques nacionais brasileiros registraram recorde histórico de visitação em 2025, refletindo o avanço do turismo de natureza e o aumento do interesse por viagens ao ar livre no pós-pandemia.

Ao todo, as unidades de conservação federais receberam 28,5 milhões de visitas no ano passado e movimentaram R$ 20,3 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Dentro desse universo, os parques nacionais concentraram 13,6 milhões de visitantes no ano passado, praticamente o dobro do registrado há dez anos. Em 2016, esses espaços receberam cerca de 7 milhões de pessoas. Em 2006, eram apenas 1,8 milhão.

O movimento também se traduz em empregos. Segundo o estudo do ICMBio, o turismo em unidades de conservação sustentou mais de 332 mil postos de trabalho em 2025 e gerou R$ 40,7 bilhões em vendas no país. Para cada R$ 1 investido no órgão, foram gerados R$ 16 em valor agregado ao PIB e R$ 2,30 em arrecadação tributária.

O ranking de visitação continua concentrado em destinos já consolidados. O Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, lidera com 4,9 milhões de visitantes em 2025. O parque abriga atrações como o Cristo Redentor, a Pedra da Gávea e o Pico da Tijuca.

Em segundo lugar aparece o Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, com 2,2 milhões de visitas, seguido pelo Parque Nacional de Jericoacoara, no Ceará.

Para especialistas do setor, o crescimento vai além de um efeito passageiro do pós-pandemia. A avaliação é que o turismo de natureza entrou de vez no radar de consumidores urbanos em busca de experiências ao ar livre, bem-estar e “descompressão urbana”.

“Percebemos uma busca muito forte por refúgio e lugares abertos depois da pandemia, e isso não foi temporário”, afirmou Marina Figueiredo, presidente da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa).

Desigualdade de infraestrutura

Apesar dos números recordes, o avanço da visitação também expõe um problema histórico: a desigualdade de infraestrutura entre os parques mais famosos e as unidades mais remotas.

Enquanto o Parque Nacional da Tijuca recebe um novo ciclo de investimentos estimado em R$ 75 milhões — incluindo reformas no Corcovado, melhorias viárias e contratação de agentes ambientais —, dezenas de parques ainda enfrentam carência básica de estrutura para turistas.

Segundo Luiz Del Vigna, diretor-executivo da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), cerca de 60% das unidades analisadas apresentam deficiências em áreas como portaria, banheiros, alimentação e centros de visitantes.

“O potencial do mercado é muito grande, mas muitos parques ainda não conseguem transformar interesse em fluxo turístico por falta de estrutura mínima”, afirmou o executivo.

O desafio é ainda maior em áreas da Amazônia, Cerrado e Caatinga, regiões consideradas estratégicas para a expansão do ecoturismo brasileiro. Parques como Viruá (RR), Emas (GO) e Catimbau (PE) aparecem entre os exemplos de destinos com potencial elevado, mas ainda pouco explorados comercialmente.

O presidente do ICMBio, Mauro Pires, reconhece que o crescimento da visitação amplia a pressão sobre infraestrutura, conservação ambiental e monitoramento dos impactos turísticos. Segundo ele, o objetivo é ampliar gradualmente as condições de acesso e permanência em parques mais afastados.

Hoje, o Brasil possui 78 parques nacionais. Muitos deles, especialmente na Amazônia, ainda operam longe da lógica de turismo estruturado vista em destinos mais consolidados como Iguaçu e Tijuca.

Ao mesmo tempo, o governo federal tenta reforçar a dimensão econômica das áreas protegidas. Desde 2023, foram criadas ou ampliadas 20 unidades de conservação, totalizando mais de 1,7 milhão de hectares, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

(Com O Globo e Agência Brasil)

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