Passagens de ônibus caem 1,5% em maio, enquanto aéreas sobem 3,2%, diz estudo

Por Clara Assunção 15 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Passagens de ônibus caem 1,5% em maio, enquanto aéreas sobem 3,2%, diz estudo

As passagens de ônibus ficaram mais baratas em maio, enquanto as aéreas seguiram em trajetória oposta. De acordo com o Índice do Rodoviário ClickBus (IRCB), divulgado nesta segunda-feira, 15, e desenvolvido pela ClickBus em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), os preços das passagens rodoviárias recuaram 1,5% em maio na comparação com abril.

No mesmo período, as passagens aéreas avançaram 3,2%, conforme mostrou a semana passada o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo os responsáveis pelo estudo, o movimento reforça a diferença de comportamento entre os modais de transporte em um momento em que os consumidores seguem atentos aos custos de deslocamento.

"As passagens rodoviárias seguiram trajetória oposta [às passagens aéreas], reafirmando o ônibus como a opção mais acessível, previsível e estável para o transporte de passageiros no Brasil", afirmou o Clickbus.

Apesar da queda mensal, o estudo aponta que parte desse movimento está relacionada a fatores sazonais. Quando descontados efeitos de calendário, como feriados e padrões recorrentes de demanda, a variação do índice foi de apenas -0,1%.

Segundo a empresa, isso indica que a redução observada em maio foi, em grande medida, uma normalização após a alta de 3,3% registrada em abril, e não necessariamente uma mudança estrutural na tendência dos preços.

"O ônibus é o modal que oferece a maior estabilidade de preços para o passageiro brasileiro, especialmente em um momento em que outros meios de transporte seguem pressionados", afirmou Phillip Klien, CEO da ClickBus.

Os dados mostram que o maior alívio para os passageiros ocorreu nas viagens interestaduais. Os preços desse segmento caíram 4,9% em maio ante abril, enquanto as passagens intermunicipais registraram recuo mais moderado, de 0,5%.

Entre as categorias de serviço, as maiores quedas foram observadas nas modalidades premium. As passagens semileito ficaram 5% mais baratas no mês, seguidas pelas categorias leito (-2,9%) e cama (-2,5%). Já a classe convencional, a mais utilizada pelos passageiros, permaneceu praticamente estável, com leve recuo de 0,2%.

O estudo também mostra que as viagens de longa distância foram as mais beneficiadas pela redução de preços. Os trajetos acima de 400 quilômetros tiveram queda de 3,3% em maio. Nas rotas de média-longa distância, entre 300 e 400 quilômetros, o recuo foi de 1,2%, enquanto os percursos entre 100 e 200 quilômetros registraram baixa de 1,1%.

Regionalmente, o Nordeste apresentou o maior recuo do país, com queda de 2,6% nos preços das passagens. O Sudeste registrou redução de 1,8%, seguido pelo Norte (-1,1%) e Centro-Oeste (-0,7%). O Sul foi a única região a apresentar aumento de preços no período, com alta de 0,7%.

Entre os estados, Pernambuco liderou as quedas, com retração de 7,2%, seguido por Paraíba (-6,0%) e Distrito Federal (-3,3%). No sentido oposto, Mato Grosso do Sul registrou a maior alta do mês, de 3%, à frente do Rio Grande do Sul (+2,7%) e Maranhão (+1,2%).

O IRCB é calculado mensalmente com base em aproximadamente 100 milhões de passagens comercializadas pela plataforma da ClickBus e utiliza metodologia hedônica para isolar variações de preço relacionadas a características das viagens, como antecedência de compra, tipo de serviço e promoções.

Passagens seguem acima dos preços de 2025

O estudo também mostra que, embora o resultado mensal tenha sido favorável aos passageiros, os indicadores de prazo mais longo indicam que os preços seguem acima dos níveis observados no ano passado.

Na comparação entre maio de 2026 e maio de 2025, as passagens rodoviárias acumulam alta de 6,7%. No acumulado de 12 meses, a elevação é de 5,8%, enquanto a média dos cinco primeiros meses do ano ficou 6,1% acima da registrada no mesmo período de 2025.

Ainda assim, o avanço das tarifas rodoviárias permanece muito abaixo do observado nas passagens aéreas. Segundo o IPCA, os bilhetes de avião acumulam alta de 43,4% nos últimos 12 meses.

O levantamento também chama atenção para o comportamento dos custos do setor. O diesel, principal insumo do transporte rodoviário, registrou queda de 2,3% em maio, mas ainda acumula alta de 14,5% em 12 meses.

Para a ClickBus, o fato de as tarifas rodoviárias terem avançado em ritmo inferior ao dos custos do combustível reforça a resiliência do setor e sua capacidade de manter preços relativamente estáveis para os passageiros.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: