PayPal estreia no Pix e mira PMEs no Brasil em meio a pressão global

Por Letícia Furlan 13 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
PayPal estreia no Pix e mira PMEs no Brasil em meio a pressão global

O PayPal anunciou nesta semana a inclusão do Pix como forma de pagamento para pequenas e médias empresas (PMEs) no Brasil, ampliando sua aposta em um dos mercados mais relevantes fora dos Estados Unidos.

Com a novidade, lojistas que utilizam o PayPal Complete Payments passam a aceitar Pix diretamente no checkout. A funcionalidade integra cartões e outros meios de pagamento em uma única plataforma, com foco em simplificar a jornada de compra.

O movimento ocorre no ano em que a empresa completa 15 anos no Brasil e reforça a estratégia de adaptação a mercados locais — especialmente em países onde sistemas instantâneos ganharam escala.

“O Pix já faz parte da rotina do brasileiro. Ao incorporá-lo à nossa plataforma, ampliamos as opções para os empreendedores e facilitamos a jornada de pagamento”, afirmou Brunno Saura, diretor-geral do PayPal no Brasil.

Criado pelo Banco Central em 2020, o Pix se consolidou como principal meio de pagamento do país. O sistema já acumulava cerca de 196 bilhões de transações até setembro de 2025. Só em janeiro de 2026, foram mais de 7 bilhões de operações, com volume superior a R$ 3 trilhões.

Hoje, o Pix responde por cerca de um terço das vendas online no Brasil e pode chegar a 40% dos pagamentos digitais até 2026, segundo estimativas do mercado.

Para o PayPal, a integração é também uma resposta às demandas dos próprios clientes. Segurança (49%) e facilidade de uso (39%) estão entre os principais critérios na escolha de um provedor de pagamentos, segundo levantamento da companhia.

Seis em cada dez PMEs consideram ferramentas digitais essenciais, e 77% já utilizam plataformas de pagamento online.

A aposta no Brasil ocorre em um momento de expansão do comércio eletrônico na América Latina, que deve se aproximar de US$ 944 bilhões até 2026, segundo a companhia.

Pressão global e perda de relevância

Enquanto reforça sua presença em mercados emergentes, o PayPal enfrenta desafios em sua operação global.

A empresa, pioneira nos pagamentos digitais desde o fim dos anos 1990, perdeu espaço nos últimos anos para concorrentes como Apple Pay e Google Pay, em um mercado cada vez mais competitivo.

As ações acumulam queda de quase 30% nos últimos 12 meses. A desvalorização colocou a companhia no radar de potenciais compradores, segundo informações da Bloomberg. O PayPal chegou a se reunir com bancos após receber manifestações não solicitadas de interesse, incluindo propostas por partes do negócio ou pela empresa como um todo.

As conversas, no entanto, ainda estão em estágio inicial e podem não avançar.

Mudança no comando

A turbulência também atingiu a liderança. Até então presidente do conselho, Enrique Lores assumiu como CEO no início de março, com a missão de reverter a perda de participação de mercado.

Ele substituiu Alex Chriss, que deixou o cargo após seu plano de reestruturação não entregar os resultados esperados.

No quarto trimestre, o PayPal reportou lucro e receita abaixo das estimativas, além de desaceleração no volume de pagamentos processados — um sinal adicional de pressão sobre o negócio.

Entre a expansão em mercados como o Brasil e os desafios globais, o PayPal tenta equilibrar crescimento e sobrevivência em um setor que ele próprio ajudou a criar.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: