PCE: Inflação dos EUA sobe a 3,8% em abril, maior nível desde maio de 2023

Por Carolina Ingizza 28 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
PCE: Inflação dos EUA sobe a 3,8% em abril, maior nível desde maio de 2023

A inflação dos Estados Unidos acelerou para 3,8% em abril, no maior nível desde maio de 2023, reforçando a percepção do mercado de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve manter os juros elevados por mais tempo.

Os dados do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês) foram divulgados nesta quinta-feira, 28, pelo Bureau of Economic Analysis (BEA), órgão ligado ao Departamento de Comércio dos EUA.

O resultado ficou em linha com a expectativa de economistas consultados pela Reuters. Em março, a inflação medida pelo PCE havia avançado 3,5% em 12 meses.

Na comparação mensal, o índice cheio subiu 0,4% em abril, após alta de 0,7% em março.

Preços de energia

A aceleração foi impulsionada principalmente pela disparada dos preços de energia em meio à guerra envolvendo o Irã, que afetou o transporte marítimo no Estreito de Hormuz e pressionou cadeias globais de suprimentos.

Segundo dados da agência de energia dos EUA, o preço médio da gasolina no varejo subiu 12,3% em abril. Desde o início da guerra, no fim de fevereiro, os preços da gasolina nos EUA subiram mais de 50%.

Além da energia, consumidores americanos também seguem enfrentando preços mais altos em diversos bens e serviços. Economistas apontam que a inflação já vinha elevada antes mesmo do conflito no Oriente Médio, em grande parte por causa das tarifas de importação implementadas pelo presidente Donald Trump.

Núcleo do PCE

O núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, avançou 3,3% em 12 meses em abril, ante 3,2% em março. Na comparação mensal, a alta foi de 0,2%.

O consumo das famílias, principal motor da economia americana, avançou 0,5% em abril, desacelerando após alta de 1% em março. Já a renda pessoal ficou estável no mês.

Os dados também mostraram queda de 0,5% na renda disponível ajustada pela inflação e redução da taxa de poupança para 2,6%, o menor nível desde 2022.

Diferença entre CPI e PCE chama atenção

Os números desta quinta-feira também ampliaram a distância entre os dois principais indicadores de inflação dos Estados Unidos: o CPI, índice de preços ao consumidor, e o PCE, indicador preferido do Fed.

Enquanto o núcleo do PCE avançou 3,3% em abril, o núcleo do CPI ficou em 2,8%.

Em geral, o PCE é considerado um indicador mais amplo porque inclui gastos feitos em nome dos consumidores, como planos de saúde pagos por empregadores, além de abranger áreas urbanas e rurais.

Já o CPI mede apenas o consumo das famílias urbanas.

Economistas destacam que essa diferença tem chamado atenção do Fed porque o banco central usa o PCE como principal referência para sua meta de inflação de 2%.

Nos últimos meses, categorias ligadas ao avanço da inteligência artificial, como softwares e acessórios de informática, passaram a pressionar mais o índice. Segundo economistas citados pela Reuters, os preços desses itens subiram cerca de 14% em ritmo anual, impulsionados pelo aumento dos investimentos em IA e data centers.

Outro fator apontado é a diferença metodológica na forma como alimentação é contabilizada nos dois índices.

Com o PCE acima do CPI, aumenta a percepção no mercado de que o Fed terá de manter juros elevados por mais tempo, e até considerar novas altas caso a inflação continue resistente.

As atas da reunião de abril do Fed já mostraram um número maior de dirigentes abertos à possibilidade de elevar juros novamente. Atualmente, o mercado financeiro espera que a taxa básica americana permaneça na faixa entre 3,50% e 3,75% até 2027.

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