Peixe e suco à mesa: quando a simples escolha no cardápio é também uma ação climática

Por Amazônia Vox 13 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Peixe e suco à mesa: quando a simples escolha no cardápio é também uma ação climática

*Por Sérgio de Andrade, com edição de Daniel Nardin e Luciene Kaxinawa

Com a úmida brisa batendo levemente e a vista do rio Amazonas no horizonte, a escolha no cardápio parece tão natural quanto o cenário do ambiente. O tambaqui assado é um dos pratos que mais tem saída no restaurante Mirante do Porto, seguido de perto pelo pirarucu, além de outras tantas espécies de peixes amazônicos.

Foi essa a opção para o almoço dos amigos Raysa Affonso e Ianke Sena. Para acompanhar, nada de refrigerantes ou suco de caixinha. Eles preferem sucos naturais, com frutas regionais, tão diversas na Amazônia.

Aos domingos, a opção é por um que não tem tanto apelo local como o cupuaçu e taperebá, mas pelo de maracujá, conhecido pelas propriedades que ajudam a desacelerar e com sabor marcante.

O que chega à mesa de Ianke e Raysa  e tantos milhares de moradores e turistas todos os dias em Manaus não atravessa milhares de quilômetros, com processos industriais de grandes empresas do Sudeste do país.

Pelo contrário: o consumo na capital do Amazonas de produtos como peixes e frutas é, cada vez mais, vinda de produtores locais que abastecem as feiras e mercados da região.

Além da tradição da pesca, que reflete uma cultura alimentar ancestral e que posiciona os estados da Amazônia entre os maiores consumidores do país de pescado, o peixe que chega às mesas não vem apenas dos rios. A piscicultura, que produz peixes em tanques, vem crescendo na região metropolitana de Manaus.

Um estudo publicado no ano passado pela revista científica Nature aponta que a aquicultura utiliza até 100 vezes menos área de terra por tonelada de proteína animal do que a pecuária, e emite 10 vezes menos Gases de Efeito Estufa (GEE).

De acordo com um dos autores do artigo, o pesquisador Nathan Oliveira Barros, o potencial para aumento da aquicultura na Amazônia ainda não tem sido visto com a atenção que merece, especialmente por cumprir um duplo papel: produz mais alimento numa área menor, também reduzindo a emissão de gases de efeito estufa em relação à pecuária e, ainda, sequestra carbono da atmosfera, conforme apontam os estudos.

Durante palestra na Agrizone, espaço dedicado para debater a descarbonização do setor da agropecuária no período da COP30, em novembro de 2025 em Belém, Nathan destacou esses pontos. Segundo os dados da pesquisa que apresentou no evento, a pegada de carbono do peixe é muito menor que outras proteínas de origem animal.

“Isso considerando toda a emissão de gases associada, incluindo as emissões do grão que vai ser usado para a ração, a indústria de ração… ou seja, não apenas a emissão direta da produção. Mesmo assim, é uma emissão menor do que outras proteínas”, afirma. Em termos técnicos da pauta climática, ações desse tipo que reduzem ou evitam novas emissões de gases são chamadas de mitigação.

Ele afirma ainda que a piscicultura na Amazônia pode gerar trabalho e renda local, além de evitar novas emissões com desmatamento, ou usar de áreas para a pecuária. A produção de pescado em cativeiro pode ainda ajudar a sequestrar carbono da atmosfera. “Um tanque de aquicultura altera o ciclo biogeoquímico no ambiente, aprisionando carbono e reduzindo a emissão”, resume.

Do tanque para a mesa: a produção de pescado além dos rios

Distante 140 quilômetros da capital, na estrada para o município de Novo Airão, Ismael Freitas da Silva cria peixes em cativeiro e revela o orgulho de quem aprendeu fazendo e conversando com outros empreendedores.

Ele mora no mesmo terreno em que tira o sustento da família, com sua esposa e três filhos. “Sou piscicultor. Não é só jogar peixe ali numa água. Tem que ter um bom peixe, com uma boa ração e uma boa condição de água, além da rotina de acompanhar tudo, monitorar e vender o que produzimos”, conta. Hoje, ele possui oito tanques e a licença do IPAAM (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas), que permite uma futura expansão, para chegar a 14 tanques.

Em 2025, Ismael produziu 6 toneladas de pescado, todas de espécies nativas: tambaqui, matrinxã e pirarucu. Para expandir a produção, ele calcula os futuros custos para escavar novos tanques, equipamentos como bomba e aeradores que adicionam oxigênio na água e promover a circulação, e ração, além de melhor suporte para transportar a produção.

Mas, para alcançar seus objetivos, é preciso investimento. Para isso, o crédito e acompanhamento financeiro são fundamentais.

Foi o que fez a diferença no início para Ismael, que já se prepara para um novo passo antes mesmo de ampliar a capacidade de produção com novos tanques. Ele pretende instalar um sistema de energia solar, para reduzir os custos com energia.

“Um amigo me falou do que poderia ter com uma instituição financeira, a gente fez um projeto e aí deu certo. Tem esse acompanhamento e agora estamos nos preparando para expandir e colocar energia solar”, afirma.

Um relatório técnico do Instituto Escolhas, divulgado em 2024, detalhou o atual cenário e fez projeções para o aumento da piscicultura nos estados da Amazônia Legal. Entre os principais fatores que limitam a expansão desse setor está o acesso ao crédito para produtores.

Conforme aponta o levantamento, os 9 Estados da Amazônia Legal ficaram com 28,4% do total de crédito destinado à piscicultura em todo país, em 2022.

No Amazonas, esse percentual ficou em 1,8%. O investimento da região ficou na casa de 10,5% do que foi aportado nacionalmente. O Amazonas respondeu por  3%.

O relatório destaca justamente que o acesso ao crédito pode impactar na produtividade, com expansão da infraestrutura, como equipamentos para escavar novos tanques, bombas, aeradores, poços e ração, além do apoio para escoar a produção.

É nesse sentido que instituições financeiras podem, de forma direta, atuar junto a pequenos produtores como Ismael.

O gerente da agência do Sicredi em Manacapuru, Helio Soares Costa, comenta o quanto é importante conhecer a realidade de quem atua no interior para apoiar esse tipo de empreendimento. “O Sicredi é uma cooperativa que nasceu do agro, então ela entende muito bem quais são essas demandas do produtor”, diz.

Ele descreve que o crédito, sozinho, não resolve tudo, mas ajuda o produtor a planejar, escolher o melhor momento de investir e atravessar períodos difíceis sem desmontar o que levou anos para construir.

“A gente consegue ter alternativas diferentes de crédito para os pequenos e médios produtores. Tem uma consultoria para os investimentos e acompanhamento para a saúde financeira, que é bem importante para o negócio”, explica.

Planejando expansão sem gerar dívida

No quilômetro 62 da rodovia AM-070, que liga Manaus aos municípios de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão, Ataíde de Moura Silva e Valdelene Aparecida Mioto Silva voltam a sorrir ao colher os frutos que viram suco e doces na região.

Eles trabalham com maracujá há 16 anos e sustentam a família no sítio que já possui nove mil pés da espécie. Agora, planejam ampliar a produção em mais três mil pés plantados.

Projetar expansão era improvável nos últimos anos, por conta da seca que atingiu a região amazônica com mais força entre 2023 e 2024. Foi um longo período de estiagem, com rios baixos, pouca chuva, muito calor e semanas marcadas pela fumaça de queimadas em vários municípios.

Segundo a Defesa Civil, mais de 700 mil pessoas foram afetadas e todos os 62 municípios do Amazonas entraram em situação de emergência, em um cenário que incluía incêndios florestais e agravamento das mudanças climáticas.

“Até o igarapé nosso secou. Então a produção nossa caiu porque nós não tínhamos água para jogar no maracujá”, lembra Ataíde. Para superar essa fase de dificuldade e já preparar a expansão, o planejamento e a saúde financeira foram fundamentais no empreendimento do casal. A própria produção de maracujá no Estado também conseguiu crescer, mesmo diante do cenário.

Dados oficiais indicam crescimento da cadeia do maracujá no Amazonas. De acordo com o IBGE, a produção passou de 15,4 mil toneladas em 2023, com valor de R$ 73,8 milhões, para 19 mil toneladas em 2024, movimentando R$ 101,5 milhões.

A roça de Valdelene e Ataíde é um retrato desse cenário. Mais do que números, são histórias de vida de quem produz o que se consome à mesa e o cuidado e relação pessoal são fatores importantes para a confiança.

Afinal, investimento mal planejado pode virar dívida. “A gente chega lá (na agência) e eles sabem nosso nome. Eles vêm aqui também, tomam café com a gente. Isso ajuda a entender melhor”, comenta Valdelene.

Para ampliar a produção, o casal está se organizando para comprar um trator, o que vai ajudar no preparo do terreno e na colheita.

A expansão não vai avançar na floresta. Pelo contrário, vai usar áreas já abertas. “Era pasto aqui. Só plantamos onde já está aberto”, explica Ataíde, lembrando que a mata ajuda a manter o igarapé, que fornece água para a produção, algo que ficou ainda mais visível no período de seca.

Em 2025, com mais chuvas, Valdelene teve menos dificuldade com a irrigação. “Esse ano só foi inverno e a gente não teve aquele transtorno de ter que correr atrás de água”, comenta.

Uma das outras preocupações que Ataíde tem em relação às mudanças do clima é que, se por um lado a seca prejudica a irrigação, por outro a chuva excessiva dificulta o combate às pragas.

“Se tivesse mais água no período de seca, aumentava minha produção. Já com as chuvas intensas, fica mais difícil combater pragas e doenças nas plantas". Diante desse cenário, os produtores entenderam que para produzir não é necessário desmatar, mas trabalhar junto com a natureza.

E, assim, entregar produtos de qualidade aliados à sustentabilidade, auxiliando no combate aos impactos no clima e na preservação do meio ambiente, mantendo o sustento da família.

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