Perguntamos ao ChatGPT quem ganha a Copa do Mundo — e resposta vai te surpreender
A EXAME pediu ao ChatGPT, da OpenAI, que construísse um modelo matemático para prever o campeão da Copa do Mundo de 2026.
A instrução foi a mesma dada a outras três IAs: criar um Índice de Força da Seleção, simular o torneio 10 mil vezes e responder com um número.
O ChatGPT calibrou o modelo priorizando ranking Fifa, com peso de 22%, e valor de mercado do elenco, com 19%. A lógica é que, em torneios de sete ou oito jogos, profundidade de elenco é o fator que mais distingue campeões de semifinalistas.
Uma seleção que perde um titular para lesão e tem um substituto de mesmo nível tem vantagem estrutural sobre uma que depende de onze titulares específicos.
Com esses pesos, o modelo apontou a França como campeã, com 16,78% de probabilidade de título nas 10 mil simulações.
A Espanha ficou em segundo, com 16%, separada da França por menos de um ponto percentual. A Argentina, campeã em 2022 e terceira no ranking Fifa de abril de 2026, fechou o pódio com 8,58%.
O Brasil apareceu em sexto, com 8% de probabilidade de título — abaixo de França, Espanha, Inglaterra, Portugal e Argentina. O modelo do ChatGPT reconhece o elenco brasileiro como de elite, mas penaliza a regularidade recente: França, Espanha e Argentina chegam ao torneio mais estáveis, com sistemas táticos consolidados e campanhas de classificação sem turbulência.
No Grupo C, o ChatGPT estima vitória brasileira contra Haiti com probabilidade entre 80% e 86%, contra Escócia entre 68% e 74%, e contra Marrocos entre 52% e 58%.
O jogo contra os marroquinos — semifinalistas em 2022 e oitavos no ranking Fifa — é o único da fase de grupos classificado como risco real.
O percurso brasileiro
No Grupo C, com Marrocos, Escócia e Haiti, os modelos estimam entre 88% e 92% de probabilidade de o Brasil avançar. Marrocos — semifinalista em 2022 e oitavo no ranking Fifa de abril de 2026 — é o único adversário da fase de grupos classificado como risco real, com probabilidade de vitória brasileira entre 52% e 58%.
O problema começa depois. Se o Brasil terminar em primeiro no Grupo C, enfrenta o segundo colocado do Grupo F nas oitavas — onde estão Holanda, Japão, Suécia e Tunísia.
Nas quartas, o adversário projetado pertence ao bloco de França, Espanha, Inglaterra ou Portugal. É ali que o percurso modal brasileiro termina nos quatro modelos.
A probabilidade de título oscila entre 7,30% e 12% dependendo da plataforma.
Como funcionam os modelos?
Todas as IAs partiram de uma estrutura comum: um índice ponderado que combina variáveis mensuráveis, como ranking Fifa, desempenho recente, força ofensiva, força defensiva, valor de mercado do elenco e histórico em Copas do Mundo.
Com esse índice calculado para cada seleção, a probabilidade de vitória em qualquer jogo é determinada pela razão entre os índices dos dois times.
Depois, o torneio inteiro é simulado 10 mil vezes, e a frequência com que cada seleção levanta a taça vira a probabilidade de título.
A divergência entre as IAs está nos pesos de cada variável, e essa diferença de calibração explica por que os números finais variam, mesmo partindo dos mesmos dados de base.
O ChatGPT e o Gemini deram peso maior ao ranking Fifa (0,22) e ao elenco (0,19), tratando a profundidade do time como fator dominante.
O Perplexity inverteu a hierarquia e colocou desempenho recente como variável central (0,25), com histórico reduzido a 10% — a lógica de que o que aconteceu em 2002 importa menos do que o que aconteceu em 2024.
O Claude priorizou histórico (0,22) e desempenho recente (0,20) em conjunto, apostando que Copas são torneios de pressão acumulada e que só seleções com tradição de mata-mata sabem administrar esse ambiente.
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