Pernambuco: Lyra tem mais de 60% de aprovação, mas fica atrás de Campos em pesquisas
A corrida pelo governo de Pernambuco coloca frente a frente a governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito do Recife João Campos, que lideram as intenções de voto apesar de cenários distintos de aprovação e desempenho eleitoral.
A disputa deve testar a máxima de que eleição se define na comparação entre candidatos.
Mesmo com aprovação superior a 60%, Lyra enfrenta dificuldades para converter esse respaldo em intenção de voto. Levantamento CBN/Datafolha de fevereiro aponta a governadora com 35%, enquanto João aparece com 47%.
Filho do ex-governador Eduardo Campos e bisneto de Miguel Arraes, João Campos deixou a Prefeitura do Recife no início de abril com alta aprovação. O objetivo é transferir esse capital político para a disputa estadual, mantendo a influência da família no comando de Pernambuco.
Além da força eleitoral na Região Metropolitana do Recife, o candidato também se apoia na presença digital. No Instagram, soma cerca de 3 milhões de seguidores, número superior à população da capital pernambucana.
A estratégia de campanha inclui a defesa de um projeto baseado em desenvolvimento com inovação e inclusão social. O discurso busca projetar o futuro como elemento central da disputa eleitoral.
Raquel Lyra aposta no interior e em entregas de governo
Ex-prefeita de Caruaru, Raquel Lyra concentra sua base eleitoral no interior do estado. A estratégia da governadora passa por reforçar entregas nas áreas de segurança, infraestrutura, saúde e educação, com inaugurações e anúncios recentes de obras e investimentos.
Aliados afirmam que a campanha deve evitar a nacionalização da disputa, apesar dos movimentos de aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao longo do último ano. Lyra trocou o PSDB pelo PSD e buscou diálogo com o governo federal e setores do PT local.
Mesmo sem apoio formal, a governadora tem destacado parcerias com Lula como forma de sinalizar alinhamento político.
PT apoia João e define cenário político no estado
O PT formalizou apoio à candidatura de João Campos. A aliança inclui o senador Humberto Costa, que tenta a reeleição, e a ex-deputada Marília Arraes, que disputará a outra vaga ao Senado na chapa.
A decisão encerrou a possibilidade de palanque duplo para Lula em Pernambuco e consolidou o alinhamento do partido com o PSB no estado.
Enquanto João Campos busca expandir sua influência para além da Região Metropolitana, com discurso de integração estadual, Raquel Lyra tenta consolidar vantagem no interior.
A bandeira de Pernambuco tem sido explorada por ambos como símbolo de identidade regional, reforçando o apelo local das campanhas.
Outras candidaturas têm baixa competitividade
Os demais nomes na disputa aparecem com desempenho limitado nas pesquisas. A fragmentação do campo da direita, especialmente após a desarticulação do PL no estado, contribui para o cenário.
O ex-ministro Gilson Machado deixou o partido após conflitos internos, enfraquecendo a sigla localmente. Também pontuam, de forma tímida, Eduardo Moura (Novo) e Ivan Moraes (PSOL).
A governadora ainda não definiu o candidato a vice. Já João Campos firmou aliança com o Republicanos e anunciou Carlos Costa como vice na chapa.
*Com O Globo
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