+Pet une plano de saúde e hospital próprio após fusão e mira R$ 155 milhões

Por Isabela Rovaroto 23 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
+Pet une plano de saúde e hospital próprio após fusão e mira R$ 155 milhões

O mercado de saúde veterinária no Brasil ganhou um novo protagonista. A +Pet, operadora de planos de saúde para animais de estimação, anunciou a fusão com a VFP, rede especializada em hospitais veterinários de alta complexidade, em uma operação que gerou um valuation conjunto de R$ 415 milhões.

O movimento, concluído em menos de 60 dias, marca a criação do que as empresas descrevem como o primeiro ecossistema veterinário verdadeiramente integrado do país — unindo planos de saúde, clínicas, exames e hospitais em uma única estrutura.

Antes da fusão, a +Pet operava com cerca de 26 mil planos ativos, realizando aproximadamente 84 mil atendimentos por ano, além de 65 mil exames e 2.700 cirurgias anuais.

As projeções para 2026 são ambiciosas: 50 mil planos ativos, 139 mil atendimentos, 100 mil exames e 7.700 cirurgias anuais. O faturamento combinado deve saltar de R$ 44 milhões para R$ 155 milhões, crescimento de 252%.

O desempenho no período imediatamente pós-fusão superou as expectativas internas.

“O crescimento de no primeiro semestre pós-fusão foi de quase 55%. Isso deu um fôlego enorme para a gente antecipar investimentos em tecnologia”, revelou João Marcos Rios, diretor de expansão da +Pet.

A lógica da fusão

A aproximação entre as duas empresas começou em meados de outubro de 2025 e partiu de necessidades complementares.

De um lado, a +Pet, já com uma base de planos de saúde estruturada, buscava acelerar sua expansão com infraestrutura hospitalar própria.

De outro, a VFP, que havia captado rodadas de seed money em 2022 e um pré-série A entre 2023 e 2024,  precisava de capital para sustentar a construção de novas unidades e avançar para uma terceira rodada de investimento.

“A + Pet, com o plano de saúde já bem estruturado, precisava expandir cada vez mais rápido. E o VFP buscava fazer a terceira rodada de investimento”, contou Rios.

A conexão entre os dois fundadores foi feita por um contato em Palmas, cidade onde a empresa prevê abrir uma das próximas unidades. “Em menos de 60 dias fizemos essa fusão, de começo ao fim. E depois dela já fizemos mais quatro aquisições de hospitais”, diz.

A VFP foi fundada com foco em hospitais de alta complexidade voltados ao interior do país.

Nascida em Ribeirão Preto, onde sua matriz registra entre 30 e 40 atendimentos diários, a rede se diferenciou ao levar para cidades médias uma estrutura até então restrita aos grandes centros: UTIs de alta complexidade, tomografia computadorizada, ambulância própria, ultrassom de alta definição e centros cirúrgicos funcionando 24 horas.

Com quase 200 colaboradores antes da operação, a VFP operava quatro unidades em funcionamento e quatro em construção no momento da fusão.

Um modelo ainda inexistente no Brasil

O que distingue a +Pet pós-fusão de outros players do setor é a verticalização completa da cadeia de atendimento.

Enquanto os planos de saúde veterinários tradicionais operam sem rede hospitalar própria, o novo modelo concentra toda a jornada dentro de uma única estrutura.

“A saúde veterinária no Brasil ainda é altamente pulverizada. O tutor transita por múltiplos pontos de atendimento, sem continuidade no cuidado”, afirma Pablo Teixeira, CEO da +Pet.”O que estamos construindo é um novo ecossistema integrado, que conecta todas as etapas dentro da mesma rede”.

O modelo B2B2C herdado da VFP também é preservado e ampliado: veterinários parceiros atuam em clínicas próprias, mas utilizam os hospitais da rede para exames de imagem, internações e cirurgias.

O tutor mantém o vínculo com o profissional de sua confiança e conta, ao mesmo tempo, com a infraestrutura hospitalar da rede para situações de maior complexidade.

“Quando ele entra em uma unidade VFP através do plano da Mais Pet, ele tem que sentir que está no melhor lugar possível”, diz Rios.

Com a incorporação da VFP, a +Pet passa a integrar dados clínicos e histórico do paciente em um único ambiente digital, com prontuários eletrônicos compartilhados entre as unidades.

A empresa também opera sistemas de monitoramento remoto de pacientes e suporte a cirurgias assistidas por tecnologia. “A tecnologia é o coração do negócio. Não dá para gerenciar dez hospitais e milhares de vidas no plano de saúde sem dados em tempo real”, destacou Rios.

O plano de expansão após a fusão

Atualmente, o grupo opera mais de dez unidades — oito hospitais e duas clínicas avançadas —, com presença em São Paulo, Campinas, Brasília, Goiânia, Ribeirão Preto, Araraquara, São José dos Campos e Uberlândia.

A meta é chegar a 20 unidades até o fim de 2026, com novas aberturas previstas em Palmas (TO) e Campo Grande (MS) a partir de maio.

A estratégia de expansão combina crescimento orgânico com a incorporação de clínicas e hospitais já operacionais.

Desde a conclusão da fusão, a empresa realizou mais quatro aquisições.

As unidades incorporadas passam por um processo gradual de transição de marca: inicialmente operam com a identidade original acompanhada da identificação +Pet, com consolidação completa sob a marca ao longo do tempo.

Com a ampliação da operação, o grupo já conta com aproximadamente 700 colaboradores diretos, com perspectiva de expansão conforme novas unidades entrem em operação.

Consolidação do mercado pet

A operação ocorre em um mercado de dimensões expressivas. O setor pet brasileiro movimenta cerca de R$ 78 bilhões, segundo projeções da Abempet, com mais de 160 milhões de animais de estimação nos lares do país.

Apesar do volume, a penetração de planos de saúde ainda é baixa: apenas cerca de 1% dos pets possuem cobertura — uma lacuna que a +Pet enxerga como sua principal avenida de crescimento.

Para Teixeira, a fusão é um passo em um movimento mais amplo de consolidação que o setor veterinário brasileiro ainda está por atravessar.

“O setor já atingiu um estágio de maturidade que exige escala, eficiência e padronização. A consolidação é um caminho natural, e estamos estruturando uma plataforma capaz de liderar esse movimento no Brasil”, diz.

O modelo tem paralelos com o de grandes grupos da saúde, que ao longo das últimas décadas consolidaram redes integradas com controle sobre toda a cadeia assistencial. Na saúde pet, esse processo está apenas começando — e a +Pet aposta ser a plataforma que vai liderá-lo.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: