Petrobras não vê espaço para dividendos extraordinários em 2026

Por Clara Assunção 12 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Petrobras não vê espaço para dividendos extraordinários em 2026

A Petrobras indicou nesta terça-feira, 12, que não vê espaço para o pagamento de dividendos extraordinários neste ano. Em teleconferência com analistas sobre os resultados da estatal no 1° trimestre, Fernando Melgarejo, diretor executivo da empresa, disse ver um cenário considerado "muito nublado" para o mercado de petróleo e que a prioridade da companhia está em ampliar investimentos e reduzir o endividamento.

"Não acreditamos que neste ano existe alguma possibilidade de existir [dividendo extraordinário]", afirmou o executivo ao detalhar a política de alocação de capital da companhia.

Segundo Melgarejo, a empresa continuará direcionando eventual excesso de caixa primeiro para projetos rentáveis e para a convergência da dívida bruta ao patamar de US$ 65 bilhões. Apenas em um cenário em que a companhia identifique excesso de caixa sem impacto sobre investimentos futuros seria considerada uma distribuição extraordinária aos acionistas.

"O caminho continua sendo o mesmo que a gente sempre veio discutindo aqui na companhia, que a gente não gostaria de trabalhar com excesso de caixa", disse.

Na resposta à última pergunta da conferência, feita pelo analista Bruno Amorim, do Goldman Sachs, o executivo voltou ao tema e reforçou que a possibilidade de dividendos extraordinários neste ano é "muito baixa" ou quase inexistente neste momento.

Melgarejo explicou que cerca de 45% de qualquer aumento de receita operacional já é automaticamente destinado aos dividendos ordinários da companhia, conforme a política vigente. Depois disso, os recursos adicionais seguem para investimentos e redução da dívida. "Hoje eu não vejo essa possibilidade ou, se ela existe, ela é muito baixa aqui na nossa visão", afirmou.

O diretor financeiro também justificou a cautela pela forte volatilidade recente do petróleo no mercado internacional. Segundo ele, oscilações bruscas no preço do Brent impedem que a empresa tenha segurança para antecipar qualquer distribuição extraordinária.

"Já acordou um dia com o Brent a 110 [dólares] e, quando foi dormir, o Brent veio a US$ 90. Vinte dólares de volatilidade num dia não nos dá segurança para tomar nenhuma decisão que vá distribuir dividendo até lá", disse.

Petrobras anunciou ontem o pagamento de R$ 9 bi em dividendos

A sinalização ocorre um dia após a Petrobras divulgar o balanço do primeiro trimestre de 2026. A companhia aprovou o pagamento de R$ 9 bilhões em dividendos referentes ao período, equivalente a cerca de 45% do fluxo de caixa livre gerado no trimestre, de R$ 20,1 bilhões.

O desembolso efetivo da empresa no período, porém, foi maior, de R$ 11,6 bilhões, devido ao pagamento de parcelas aprovadas em trimestres anteriores.

Os dividendos anunciados serão pagos em duas parcelas de R$ 0,35 por ação, ambas na forma de juros sobre capital próprio. A primeira será paga em 20 de agosto de 2026 e a segunda em 21 de setembro de 2026. Terão direito aos proventos os acionistas posicionados na base da companhia até 1º de junho.

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