Petrobras reajusta gasolina em R$ 0,48, mas consumidor sentirá alta de R$ 0,03

Por Paloma Lazzaro 28 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Petrobras reajusta gasolina em R$ 0,48, mas consumidor sentirá alta de R$ 0,03

A Petrobras anunciou nesta quinta-feira, 28, um reajuste de R$ 0,48 por litro no preço de venda da gasolina A para as distribuidoras, com vigência a partir de 29 de maio. É a primeira alteração desde outubro de 2025, quando a estatal havia cortado o preço em 4,9%.

O impacto nas bombas, no entanto, será parcialmente absorvido por uma subvenção federal de R$ 0,44 por litro.

O resultado prático é que o preço médio da gasolina A para as distribuidoras sobe apenas R$ 0,04 por litro, de R$ 2,57 para R$ 2,61.

Para o consumidor final, a parcela da Petrobras na composição do preço da gasolina C — a vendida nos postos, formada pela mistura obrigatória de 70% de gasolina A e 30% de etanol anidro — passará de R$ 1,80 para R$ 1,83 por litro, alta residual de no máximo R$ 0,03 por litro.

A Petrobras destacou que esse valor é 27,6% menor do que o praticado em 31 de dezembro de 2022.

A pressão da guerra no Irã

O reajuste era esperado havia semanas. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, havia sinalizado em duas ocasiões que o aumento era iminente. A estatal aguardava apenas a definição das medidas de mitigação pelo governo federal, segundo a Folha de São Paulo.

Na abertura do mercado desta quinta, 28, o preço praticado pelas refinarias estava R$ 1,37 por litro abaixo da paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustível).

O desequilíbrio tem origem na guerra no Irã, iniciada quando Estados Unidos e Israel bombardearam o país em fevereiro. O conflito levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transita 20% do petróleo mundial, empurrando o preço do barril acima dos US$ 100.

Desde o início do conflito, o preço de paridade de importação da gasolina nos portos brasileiros subiu quase 80%, segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis).

A subvenção como saída política e fiscal

Para viabilizar o reajuste sem um choque direto ao consumidor, o governo Lula apostou na subvenção.

A MP editada no dia 13 de maio cria um mecanismo que funciona como um cashback: o governo devolve às produtoras e importadoras o equivalente ao que elas pagam de PIS, Cofins e Cide, com teto de R$ 0,89 por litro. O valor efetivo da subvenção para a gasolina foi fixado em R$ 0,44 por litro pelo Ministério da Fazenda.

O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, havia sinalizado que a subvenção ficaria entre R$ 0,40 e R$ 0,45 por litro, com impacto fiscal estimado entre R$ 1 bilhão e R$ 1,2 bilhões por mês.

A medida valerá por dois meses e será então reavaliada. O governo sustenta que a subvenção não fere a Lei de Responsabilidade Fiscal porque não é permanente nem obrigatória, e é compensada pela alta na arrecadação gerada pela escalada do petróleo.

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