'Petrobras terá que importar diesel em julho', diz Magda Chambriard
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, declarou nesta quinta-feira, 25, que a companhia vai precisar importar diesel em julho, após três meses sem recorrer a cargas do combustível de outros países.
Magda fez a declaração durante o anúncio de retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. A executiva citou que o período recente não exigiu importações, mas que a operação voltará a depender de compra externa no próximo mês.
O cenário de abastecimento ocorre em meio a ajustes operacionais da companhia. A Petrobras adiou paradas de manutenção em refinarias para sustentar a oferta interna de derivados. Atualmente, cerca de 30% da demanda nacional de diesel depende de importações, enquanto a produção doméstica responde por aproximadamente 70%.
Nos três primeiros meses do ano, a estatal registrou alta de 6,7% na produção de derivados. Diesel e querosene de aviação (QAV) responderam por 68% do volume total refinado. O fator de utilização do parque de refino alcançou 95% no período, e chegou a 97,4% em março, o maior nível desde dezembro de 2014.
No recorte de produção, o diesel manteve protagonismo. O tipo S10 atingiu recorde de 512 mil barris por dia. Somando todas as categorias, o volume chegou a 715 mil barris por dia no primeiro trimestre de 2025, contra 664 mil no mesmo período anterior, o que representa alta de 7,7%. As vendas de diesel somaram 739 mil barris por dia entre janeiro e março, avanço de 0,7%.
Retomada da UFN-III e investimentos em fertilizantes
A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), em Três Lagoas, contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O projeto recebeu anúncio de investimento de R$ 5 bilhões para conclusão.
A unidade está com 81% das obras finalizadas. A construção havia sido interrompida em 2015. O projeto integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
Durante o evento, Magda Chambriard afirmou que a Petrobras estuda ampliar a capacidade de produção de fertilizantes no país. Segundo a executiva, a companhia avalia a possibilidade de elevar a participação no atendimento da demanda interna de 35% para 70%, conforme estudos em andamento.
O presidente Lula criticou a paralisação de unidades de fertilizantes no país e questionou o impacto sobre custos do setor agrícola.
"Por que uma empresa dessa magnitude, que queria produzir fertilizante para ajudar no barateamento dos alimentos nesse país, ficou parada doze anos? E o Brasil pagando preços absurdos de fertilizantes, que poderiam ser produzidos no Brasil. Que aumenta a cada guerra lá fora. E o pobre brasileiro, que vai comprar uma fruta, paga o preço dessa guerra por irresponsabilidade de muita gente", disse ele, afirmando que “muita gente do agronegócio” não se preocupou com a produção local de fertilizantes.
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