Petróleo afunda mais de 5% após anúncio de acordo entre EUA e Irã

Por Ana Luiza Serrão 15 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Petróleo afunda mais de 5% após anúncio de acordo entre EUA e Irã

Os preços do petróleo registram forte queda nesta segunda-feira, 15, depois que Estados Unidos e Irã anunciaram um acordo preliminar para encerrar a guerra no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz, responsável pelo escoamento de 20% do fluxo global da commodity.

O barril do Brent para agosto cai 5,27%, para US$ 82,73, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) recua 5,60%, para US$ 80,13. O petróleo chegou a se aproximar de US$ 125 por barril em meio ao agravamento das tensões geopolíticas.

O anúncio do acordo foi feito inicialmente pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, país que atuou como mediador das negociações ao lado do Catar. Pouco depois, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o entendimento por meio de sua rede social.

"O acordo com a República Islâmica do Irã está agora completo", escreveu Trump. Em outra publicação, o republicano comemorou a perspectiva de reabertura de Ormuz. "Navios do Mundo, liguem seus motores. Deixe o óleo fluir!"

Para Trump, o acordo também tem relevância política. O conflito vinha pressionando os preços da gasolina nos EUA e gerando desgaste para o governo às vésperas das eleições legislativas de novembro. O presidente americano classificou o acordo como "um grande avanço que trará paz e segurança para toda a região".

O que está por trás da queda do petróleo

O principal fator por trás da desvalorização da commodity é a perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz, passagem marítima localizada entre o Irã e Omã que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico.

A região é considerada um dos pontos mais sensíveis do sistema energético mundial. Desde o início da guerra, desencadeada após ataques conjuntos de EUA e Israel contra instalações iranianas, o tráfego marítimo foi severamente afetado.

A escalada militar provocou uma disparada dos preços da energia, alimentando preocupações com inflação e desaceleração econômica em diversos países.

Quase 600 embarcações permanecem represadas na região aguardando autorização para cruzar a passagem, enquanto centenas de outras aguardam do lado de fora do Golfo Pérsico, segundo fontes consultadas pela Bloomberg.

Mercado já vinha apostando na paz

Embora a queda de hoje seja expressiva, parte do movimento já vinha sendo antecipado pelo mercado. O Brent chegou a cerca de US$ 125 por barril no fim de abril, mas vinha recuando nas últimas semanas à medida que o acordo de paz parecia mais próximo.

O acordo anunciado prevê inicialmente uma extensão de dois meses do cessar-fogo firmado em abril. Durante esse período, os dois países deverão negociar temas mais complexos.

Autoridades envolvidas nas negociações indicaram que os EUA poderiam liberar parte dos recursos iranianos bloqueados em bancos estrangeiros, enquanto o Irã aceitaria discutir limitações ao enriquecimento de urânio.

Possível aumento da oferta contribui

Outro fator que contribui para a queda do petróleo é a perspectiva de retorno gradual do petróleo iraniano ao mercado internacional. Caso as negociações avancem e sanções sejam flexibilizadas, o país poderá ampliar suas exportações nos próximos meses.

O Irã possui algumas das maiores reservas de petróleo do mundo e sua volta mais ampla ao comércio global aumentaria a oferta disponível justamente em um momento de desaceleração do crescimento econômico em diversas regiões, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters.

Além disso, a reabertura do Estreito de Ormuz reduz os riscos logísticos para produtores do Golfo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar.

Diversos pontos, porém, seguem abertos

Apesar do entusiasmo inicial dos mercados, analistas alertam que diversos pontos continuam em aberto. Israel ainda não demonstrou apoio ao acordo e segue resistente a compromissos que possam limitar suas operações militares contra o Hezbollah no Líbano.

Também permanecem sem definição questões centrais, conforme repercutido pela imprensa internacional, como o destino do estoque iraniano de urânio enriquecido, o alcance das futuras sanções econômicas e os mecanismos de fiscalização de um eventual acordo nuclear.

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