Petróleo Brent fecha no maior valor em quase dois anos, a US$ 85
O petróleo tipo Brent, principal referência para o mercado internacional, fechou hoje na maior cotação em quase dois anos. O barril terminou a sessão regular cotado a US$ 85,41, com alta de 4,93%. O WTI, petróleo produzido nos Estados Unidos e referência para a inflação americana, fechou em alta ainda mais expressiva, de 8,51%, a US$ 81,01. Desde julho de 2024, a commodity não era negociada acima de US$ 80. Apenas nesta semana, o petróleo americano acumula valorização de mais de 20%, refletindo a preocupação do mercado com possíveis interrupções prolongadas na oferta global.
A escalada do conflito envolvendo o Irã tem provocado fortes movimentos no mercado internacional de energia. A alta já começa a aparecer também no preço dos combustíveis da economia americana. Nos Estados Unidos, o valor médio da gasolina subiu quase 27 centavos de dólar por galão em relação à semana passada, chegando a US$ 3,25, segundo dados da associação de motoristas AAA. O salto é comparável ao observado em março de 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia provocou uma disparada nos preços globais de energia.
O aumento da tensão ganhou novos capítulos após relatos de ataques a embarcações na região. A imprensa estatal iraniana afirmou que um petroleiro foi atingido por um míssil, enquanto a Guarda Revolucionária do país ameaçou fechar o Estreito de Ormuz e advertiu que navios que tentarem atravessar a passagem poderão ser alvo de ataques.
Autoridades marítimas também registraram novos incidentes. A Marinha britânica informou ter recebido relatos de uma grande explosão em um petroleiro ancorado em águas territoriais do Iraque. Segundo o comandante da embarcação, uma pequena embarcação deixou o local logo após o incidente. A tripulação não ficou ferida e não houve registro de incêndio.
Com o aumento do risco, armadores e operadores logísticos têm evitado enviar navios para a região, o que reduziu drasticamente o fluxo de petroleiros pelo Estreito de Ormuz. A passagem é estratégica para o mercado global: cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo passa pela rota, que conecta o Golfo Pérsico aos principais mercados internacionais.
Diante da crise, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo americano poderá oferecer seguro contra risco político para navios que operarem na região. Segundo ele, a Marinha dos EUA também poderá escoltar embarcações no Golfo Pérsico, caso seja necessário garantir a segurança da navegação.
Apesar das medidas, autoridades americanas ainda não indicam quando o fluxo comercial poderá ser normalizado. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o governo acompanha o cenário em conjunto com os departamentos de Defesa e de Energia, mas evitou estabelecer um prazo para a retomada segura do transporte marítimo. Segundo ela, a avaliação sobre quando a rota voltará a operar normalmente segue em análise pelas autoridades.
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