Petróleo cai mais de 5% após sinais de avanço em acordo entre EUA e Irã

Por Ana Luiza Serrão 25 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Petróleo cai mais de 5% após sinais de avanço em acordo entre EUA e Irã

Os preços do petróleo despencam mais de 5% nesta segunda-feira, 25, após sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã para um acordo que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz.

Por volta das 6h13 (horário de Brasília), o barril do Brent para agosto caía 4,86%, a US$ 95,34, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência de preços nos EUA, recuava 5,29%, para US$ 91,49.

O movimento ocorre depois de semanas de forte volatilidade e disparada das commodities em meio ao conflito no Oriente Médio e às restrições no tráfego marítimo da região.

Acordo sobre Estreito de Ormuz derruba petróleo

Os mercados reagiram à informação de que Washington e Teerã chegaram a um acordo preliminar para reabrir o Estreito de Ormuz e ampliar as negociações sobre o programa nuclear iraniano.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no domingo, 24, em uma rede social, que o governo estadunidense não tem, porém, pressa para concluir o acordo definitivo.

Ele orientou seus representantes a conduzirem as negociações com calma e disse que "o tempo está a nosso favor", indicando que as sanções e restrições impostas ao Irã continuarão até a assinatura formal do entendimento.

Integrantes da Casa Branca esperam que o acordo seja fechado nos próximos dias, conforme relatos publicados pelo Axios.

Um alto funcionário do governo ressaltou que o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, já teria aprovado as bases do entendimento, embora pontos técnicos ainda estejam sendo negociados.

Reabertura de Ormuz reduz temor sobre oferta global

A perspectiva de retomada gradual da navegação em Ormuz reduziu o temor de um choque prolongado de oferta no mercado global de energia, segundo fontes ouvidas pelo Wall Street Journal.

Marinheiros relataram que embarcações retidas no Golfo Pérsico já começaram a se deslocar em direção ao estreito na expectativa de normalização do tráfego no domingo.

A eventual estabilização dos preços da energia tende a aliviar pressões sobre combustíveis, transporte, alimentos e custos industriais, abrindo espaço para discussões sobre cortes de juros, disseram.

Queda do petróleo pode aliviar inflação pelo mundo

Apesar da forte queda, o economista de commodities da Capital Economics, Hamad Hussain, relatou ao WSJ que os danos à infraestrutura energética e à logística em Ormuz devem manter os preços do petróleo altos por mais tempo.

Dados da Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) mostram que os estoques mundiais encolheram em cerca de 250 milhões de barris entre março e abril, no ritmo mais forte já registrado desde o início do conflito.

Irã promete controle do Estreito de Ormuz

Embora o Irã tenha sinalizado disposição para reabrir Ormuz, o comando das Forças Armadas iranianas explicou que pretende assumir o controle da segurança da rota marítima "sem presença estrangeira".

O general Ali Abdolahi detalhou, em comunicado divulgado pela agência Tasnim, que o país responderá de forma "dura e infernal" a qualquer agressão externa, e reforçou que a nova configuração regional será conduzida sob a estratégia de um "Irã forte".

O memorando em negociação prevê a retomada gradual do fluxo marítimo, alívio parcial das sanções petrolíferas ao Irã, desbloqueio de recursos iranianos no exterior e extensão por 60 dias do cessar-fogo atual, de acordo com a imprensa internacional.

Mercado ainda vê riscos para petróleo e transporte

Ainda que o petróleo recue nesta sessão, parte do mercado acredita que os custos de frete, seguros marítimos e transporte devam demorar mais para voltar aos níveis anteriores à guerra.

Armadores e seguradoras ainda aguardam garantias concretas de segurança antes de normalizar totalmente as operações no Golfo Pérsico.

A Administração de Informação de Energia dos EUA projeta que, caso o fluxo marítimo em Ormuz aumente já em junho, o Brent pode encerrar este ano com média de US$ 89 por barril e cair para US$ 79 em 2027.

No início de 2026, a commodity era negociada perto de US$ 60.

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