Petróleo cai no dia, mas tem maior alta mensal desde 1988
Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda nesta terça-feira, 31, pressionados por sinais de possível redução das tensões no conflito envolvendo Estados Unidos e Irã. Ainda assim, o movimento ocorre após um mês de forte valorização da commodity: o petróleo tipo Brent acumulou alta superior a 60% em março, registrando o maior ganho mensal desde 1988.
No fechamento, o Brent (referência mundial) para junho recuou 3,18%, a US$ 103,97 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, caiu 1,46%, para US$ 101,38 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex). Apesar da queda na sessão, os preços permanecem acima de US$ 100 por barril após a escalada provocada pela guerra no Oriente Médio.
O movimento do dia foi influenciado pela possibilidade de destencionamento no conflito. Segundo o Wall Street Journal, citando fontes do governo norte-americano, o presidente dos EUA, Donald Trump, estaria disposto a encerrar as operações militares contra o Irã, mesmo com o Estreito de Ormuz ainda amplamente fechado. Conforme a reportagem, a avaliação é que Washington poderia atingir seus principais objetivos estratégicos enquanto mantém pressão diplomática para restabelecer o fluxo comercial na região.
Autoridades iranianas também sinalizaram abertura para encerrar o conflito. De acordo com a a agência estatal IRNA, o presidente do país, Masoud Pezeshkian, afirmou que Teerã tem “disposição necessária para encerrar esta guerra”, mas que espera que certas garantias sejam oferecidas para evitar novas agressões.
Apesar do alívio parcial nas cotações nesta sessão, o petróleo segue sustentado por riscos relevantes à oferta global. O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz — responsável por cerca de um quinto das exportações globais transportadas por via marítima antes do conflito — permanece severamente comprometido desde o início da guerra, no fim de fevereiro.
No acumulado do mês, o Brent avançou cerca de 63%, enquanto o WTI subiu aproximadamente 51%, marcando o seu melhor desempenho mensal desde maio de 2020. No trimestre, os ganhos também foram expressivos, com o Brent aumentando 72,56% e o WTI, 76,56%, refletindo a maior interrupção recente no fornecimento global de energia provocada pelo conflito.
Para Bob McNally, presidente da Rapidan Energy, o mercado ainda reage ao choque provocado pela guerra. “O mercado de energia passou por um pesadelo que jamais imaginou ser possível e quer acreditar que o pesadelo acabou”, afirmou à CNBC.
Mesmo com sinais de possível cessar-fogo, episódios recentes indicam que o risco permanece elevado. Um petroleiro kuwaitiano foi atingido pelo Irã próximo a Dubai, sem registro de feridos ou derramamento, segundo a Kuwait Petroleum Corporation, o que reforça as preocupações com novas interrupções no fluxo energético global.
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