Petróleo perto de US$ 100 reforça tensão em Wall Street

Por Ana Luiza Serrão 9 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Petróleo perto de US$ 100 reforça tensão em Wall Street

Em Wall Street, ganhou força nos últimos dias a chamada "NACHO trade", Not a Chance Hormuz Open, expressão criada para resumir a visão de que "não há chance" de uma reabertura rápida da principal rota marítima de petróleo do mundo: o Estreito de Ormuz, fechada pela guerra no Irã.

A mudança de percepção acontece porque investidores passaram semanas apostando que qualquer notícia de cessar-fogo faria o barril despencar. O problema é que os ataques continuam reaparecendo, mesmo após declarações diplomáticas e tentativas de trégua entre Estados Unidos e Teerã.

O Brent, referência internacional do petróleo, chegou a US$ 126 por barril no fim de abril, no auge das tensões. Agora roda próximo dos US$ 100, 38% acima do patamar visto antes da piora do conflito no Oriente Médio. As informações foram divulgadas pela CNBC.

"O NACHO é um reconhecimento de que o aumento do preço do petróleo não é um choque temporário que se deva levar em conta no mercado, mas sim o atual cenário", detalhou o analista de mercado da eToro em entrevista ao canal, Zavier Wong.

Seguro marítimo dispara

O custo do seguro marítimo para navios que cruzam Ormuz também disparou durante a crise. Os prêmios chegaram perto de 2,5% do valor das embarcações por viagem, contra cerca de 0,1% antes do conflito. Mesmo após alguma acomodação, os valores continuam várias vezes acima do normal.

Isso mostra que o mercado já não vê o episódio apenas como uma turbulência temporária, na visão de gestores e estrategistas ouvidos pela CNBC.

A eToro afirmou ao canal que o "NACHO" virou uma forma de resumir essa mudança de humor entre investidores. Ela acredita, assim como boa parte do mercado, que o petróleo mais caro pode permanecer no radar por mais tempo, pressionando inflação e dificultando cortes de juros nos EUA.

Crise EUA x Irã pressiona

Nesta semana, EUA e Irã voltaram a trocar acusações após novos episódios de confronto na região do Estreito. Mas o presidente Donald Trump disse à ABC News que o cessar-fogo ainda estaria mantido e minimizou os ataques recentes, classificando os episódios como "um tapinha de amor".

Dias antes, porém, Trump havia elevado o tom e ameaçado bombardear o Irã "em um nível muito maior" caso o país não aceitasse um acordo de paz, pressionando para uma resolução das tensões, que fez os mercados reagirem relativamente bem. O S&P 500, por exemplo, voltou a renovar máximas recentes.

Apostas para juros agora

A State Street Global Advisors afirmou, em relatório mencionado pela CNBC, que investidores passaram a exigir sinais mais concretos de paz antes de voltar a acreditar em cortes agressivos de juros pelo Federal Reserve (Fed).

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a guerra pode, inclusive, aumentar a dívida global a níveis históricos, elevando também o risco de uma crise por todo o globo. A Aviva Investors disse à CNBC que o mercado de juros já começou a refletir esse temor de forma mais clara.

"O sinal mais claro veio dos mercados de taxas de juros, onde os títulos de curto prazo foram reprecificados acentuadamente para cima, juntamente com um notável achatamento da maioria das curvas de juros", segundo o economista sênior e estrategista da Aviva Investors, Vasileios Gkionakis.

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