PF rejeita proposta de delação de Vorcaro por considerar colaboração insuficiente
A Polícia Federal rejeitou a proposta inicial de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após considerar insuficientes as informações oferecidas em troca de benefícios judiciais, como redução de pena.
A decisão já foi comunicada aos advogados do empresário, investigado no centro de um dos maiores escândalos financeiros recentes do país.
Segundo informações publicadas pelo g1, a avaliação de investigadores é de que Vorcaro não apresentou elementos considerados relevantes o suficiente para justificar um acordo de colaboração nos termos pretendidos pela defesa.
Integrantes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR), que também acompanha as negociações, entendem que o conteúdo entregue pela defesa ficou abaixo do esperado diante do volume de provas já reunidas pelas investigações.
A primeira versão da proposta, apresentada em 5 de maio, teria omitido episódios considerados estratégicos pelos investigadores. Entre eles, estão supostos pagamentos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e articulações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
De acordo com as apurações, mensagens extraídas de celulares do próprio Vorcaro, de seu cunhado Fabiano Zettel e do ex-operador Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, apresentariam mais detalhes do que os relatados no rascunho da colaboração.
Investigação cita supostos repasses a Ciro Nogueira
Um dos pontos ausentes na proposta envolve suspeitas de pagamentos mensais ao senador Ciro Nogueira, que poderiam chegar a R$ 500 mil.
Segundo a investigação, o parlamentar teria sido identificado pela PF como “destinatário central” de supostos favores financeiros atribuídos ao banqueiro.
A defesa de Nogueira afirmou, em nota, que rejeita qualquer insinuação de irregularidade envolvendo sua atuação parlamentar.
Outro episódio citado nas investigações, mas ausente da proposta de delação, envolve supostas cobranças feitas pelo senador Flávio Bolsonaro para obtenção de recursos destinados a um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo relatos divulgados anteriormente, o projeto audiovisual poderia alcançar orçamento de até R$ 124 milhões.
Vorcaro está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e foi transferido recentemente para uma cela comum, passando a enfrentar regras mais rígidas para visitas de advogados.
A defesa do banqueiro não comentou oficialmente as mudanças.
Antes de iniciar as negociações da delação, Vorcaro havia solicitado transferência do presídio federal e medidas de proteção para familiares.
PF amplia investigações sobre suposta organização criminosa
As investigações também avançaram sobre pessoas próximas ao banqueiro. Na semana passada, a PF prendeu Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, sob suspeita de atuar como operador financeiro da chamada “Turma”, apontada como braço armado da organização investigada.
Segundo a polícia, Henrique também seria beneficiário do grupo suspeito de intimidar adversários do dono do Banco Master.
Apesar da rejeição da PF, a Procuradoria-Geral da República ainda não apresentou decisão formal sobre a proposta de colaboração. O Ministério Público pode decidir manter negociações e levar eventual acordo para homologação no Supremo Tribunal Federal (STF).
A delação premiada prevê confissão de crimes, apresentação de provas e pagamento de multas em troca de benefícios judiciais, como redução de pena.
*Com O Globo
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